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Desminagem abre espaço a projectos

Isidoro Samutula

A remoção de vários engenhos explosivos pelas brigadas de desminagem da Lunda-Norte, tem garantido a livre circulação de pessoas e bens e permitido a construção de várias infra-estruturas sociais, abrindo assim espaço ao desenvolvimento socioeconómico da província em todas as vertentes, disse ao Jornal de Angola Lucas Diogo Mendes.

Nova frente de batalha pela paz e desenvolvimento
Fotografia: Benjamim Cândido|



A remoção de vários engenhos explosivos pelas brigadas de desminagem da Lunda-Norte, tem garantido a livre circulação de pessoas e bens e permitido a construção de várias infra-estruturas sociais, abrindo assim espaço ao desenvolvimento socioeconómico da província em todas as vertentes, disse ao Jornal de Angola Lucas Diogo Mendes.
Responsável do Instituto provincial de Desminagem, Lucas Mendes assegurou que foram desminados, desde 2002, um total de 6.283.611 metros quadrados de terreno, sendo 60.000 metros quadrados no aeródromo de Camaxilo e Caungula, 35.000 metros quadrados nas cabeceiras do aeródromo do Dundo, 98 quilómetros de linha de transporte de energia Dundo-Cambulo, 173 quilómetros de fibra óptica de Dundo-Luo e de Dundo-Cambulo, e 50.047 metros quadrados para actividades agrícolas e de reabilitação e construção de infra-estruturas sociais.
O oficial de ligação e informação da comissão provincial de acção contra minas, Lucas Diogo Mendes, garantiu que o processo decorre com normalidade, fruto do empenho e do desdobramento das brigadas situadas na província.
“Os trabalhos decorrem a bom ritmo apesar de algumas dificuldades, mas com o esforço dos operadores tem sido possível desminar as áreas e desenvolver as acções contra minas em toda a extensão da província”, assegurou.
Para garantir a Lunda-Norte livre de minas, a comissão provincial de acção contra minas conta com 255 técnicos mobilizados e distribuídos em 4 organizações nacionais, sendo o Instituto Nacional de Desminagem, a Polícia de Guarda Fronteira, as Forças Armadas, a 3ª brigada especial da Casa Militar e uma equipa de desminagem mecanizada.
O número reduzido de operadores vocacionados a actividades na província e de meios materiais são apontados como as principais dificuldades que as brigadas de desminagem enfrentam. Contudo, disse estarem a ser dados passos significativos para remover constrangimentos com o reforço de meios humanos e tecnológicos.
Lucas Diogo Mendes realçou que o trabalho desenvolvido até ao momento pelas brigadas de desminagem já garante a livre circulação de pessoas e bens nas principais vias de acesso e no interior das localidades. “As áreas prioritárias da província estão livre de minas, já é possível a ligação entre os municípios e a circulação no interior das localidades com maior segurança”, disse.
As quatro brigadas que operam na província têm como meios técnicos à disposição viaturas de operação, detectores, coletes de protecção, kit de sapador, GPS, binóculo, bússola, máquina fotográfica, bastões, máquina para explosão, geradores, reservatório de água, tendas e duas máquinas para a desminagem mecanizada.
Lucas Diogo disse que está em curso o trabalho de levantamento técnico e averiguação das áreas supostamente suspeitas de minas, tendo estimado existir a nível da província 11.614.312 metros quadrados de área por desminar.
Por esta razão, segundo o oficial de ligação e informação, ainda não é possível traçar um horizonte temporal para a conclusão do processo de desminagem a nível da província da Lunda-Norte.
“Pelo número de área que temos ainda por desminar, é difícil estabelecer o período para a conclusão do processo de desminagem na província, porque a descoberta de lugares onde estão implantadas as minas leva muito tempo”, disse.
O responsável revelou que a província controla 215 pessoas portadoras de deficiência, vítimas de minas, mas a falta de assistência tem preocupado a comissão provincial de acção contra minas.
“Desde 2010 que não se observam acções do género, em virtude da falta de financiamento da ONG nacional CAPDC - Centro de Apoio e Desenvolvimento das Comunidades -, que fazia o acompanhamento das pessoas vítimas de minas”, afirmou.
Para inverter a situação, sublinhou a necessidade de se instalar na província centros de reabilitação física para evitar a transferência das pessoas portadoras de deficiência vítimas de minas para o centro do Luena.
A falta de transporte também tem dificultado a assistência no período determinado, acrescentou. Referiu ainda que as brigadas de desminagem têm desenvolvido, nas comunidades mais afectadas pelo conflito armado, acções de educação sobre o risco de minas para prevenir a população de acidentes.
“Desenvolvemos trabalho de sensibilização junto das populações sobre a prevenção de acidentes com minas e outros engenhos explosivos de modo a terem cuidado quando se deparam com objectos estranhos”, frisou.
O oficial pediu a população para colaborar com as brigadas existentes e com as autoridades governamentais, comunicando de imediato sobre a descoberta ou localização de qualquer objecto estranho na via pública ou no interior da comunidade, para que o processo seja mais dinâmico.
“Não podemos deixar toda a responsabilidade para as brigadas de desminagem, é necessária a colaboração da sociedade para que a província fique livre de minas”, concluiu.

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