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Dundo e periferia com mais energia

Joaquim Aguiar e Armando Sapalo | Dundo

O abastecimento de energia eléctrica à cidade do Dundo e bairros periféricos vai melhorar nos próximos tempos, com a reabilitação, iniciada esta semana, das redes de distribuição de média e baixa tensão e do sistema de iluminação pública e domiciliária.

Momento em que se montavam postos de transformação de média tensão para o fornecimento de energia eléctrica às zonas periféricas
Fotografia: Armando Sapalo

O abastecimento de energia eléctrica à cidade do Dundo e bairros periféricos vai melhorar nos próximos tempos, com a reabilitação, iniciada esta semana, das redes de distribuição de média e baixa tensão e do sistema de iluminação pública e domiciliária.
Os trabalhos, avaliados em 30 milhões de dólares, são executados pela empresa chinesa CIMEC.
O director provincial da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), Luís Marques, disse, ao Jornal de Angola, que o projecto é da responsabilidade do Governo e que está concluído em 18 meses.
Luís Marques revelou que os trabalhos consistem na montagem de 36 novos Postos de Transformação (PT), com capacidade de 630 KVA cada um, construção de novas linhas de alta e média tensão, reabilitação da rede de distribuição domiciliária e de iluminação pública no casco urbano e nos bairros da periferia.
Nesta fase inicial, referiu Luís Marques, já se notam avanços substanciais, principalmente na montagem de postos de transformação de média tensão, conclusão dos maciços para a colocação dos novos PT e o trabalho de levantamento técnico, que vai garantir o fornecimento de energia eléctrica à cidade enquanto decorre a execução do projecto.
“Acautelamos um plano de restrições no fornecimento de energia eléctrica em algumas zonas da cidade, entre as 7h00 e as 14h00, tendo em conta os riscos de trabalharmos com as linhas em tensão”, explicou.
Neste momento, disse, estão a ser montados os postos da linha de transporte de energia eléctrica, que parte da central hidroeléctrica do Luachimo para a zona Dundo-2, abrangendo os bairros Caimbuanda, Camaquenzo até ao centro de captação de água do Mussungue, num percurso de 15 quilómetros.   
A fase seguinte a ser intervencionada, declarou, abrange as linhas conectadas a partir do PT-1 em direcção à zona agro-pecuária da Cacanda e a que passa pelo bairro Camatundo até à sede municipal do Chitato.

Serviço de qualidade

O director provincial da ENE garantiu que o projecto, depois de concluído, permite oferecer serviço de qualidade à população e poupar grande quantidade da energia eléctrica que é hoje desperdiçada, tanto pelas ligações anárquicas como pela deterioração da própria rede de transportação. 
“Sabemos que há materiais impróprios que têm estado a ser utilizados para as ligações domiciliárias e não só. A substituição desse equipamento vai originar menores perdas, melhorar a qualidade e, em certa medida, a quantidade de energia eléctrica a ser distribuída”, afirmou.
Luís Marques mostrou-se preocupado quanto aos métodos a serem adoptados para o controlo do consumo de energia eléctrica, face à falta de urbanização dos bairros, sobretudo na periferia da cidade.
  “Vamos ter algumas dificuldades neste tipo de serviços porque não há ruas e as casas estão por detrás umas das outras, construídas sem regras”, frisou
A forma expedita encontrada para controlar o consumo de energia, disse, é a contratação de uma empresa especializada, o que também vai gerar emprego para muitas pessoas. 

Registo de consumidores

A ENE na Lunda-Norte, afirmou Luís Marques, começou há dias o processo de registo de potenciais consumidores na cidade do Dundo, prevendo-se, no fim, que o número venha a ser superior aos 12 mil actuais.
A melhoria da rede de transporte e distribuição de energia eléctrica à cidade do Dundo, na opinião de responsáveis do sector, deve ser acompanhada de programas de aumento da capacidade de produção para salvaguardar o crescimento económico da região. 
Um dos grandes projectos, cuja execução está prevista para breve, é a reabilitação e ampliação da central hidroeléctrica do Luachimo, de 8,4 megawatts para 17 megawatts, obra avaliada em mais de dez milhões de dólares.
O aumento da capacidade da central hidroeléctrica do Luachimo, que actualmente produz 4,2 magawatts, cerca de metade da capacidade instalada, vai permitir, igualmente, a expansão da rede de distribuição de energia eléctrica a outras localidades da província, com realce para Fucaúma, Cassanguidi, Luxilo, Nzagi, Maludi, Luarica, Lucapa e Calonda.

Linhas de transporte

O programa do executivo da Lunda-Norte prevê, a curto e médio prazos, também, a recuperação da linha de transporte de alta tensão, com capacidade de 60 quilovolts, a partir da central hidroeléctrica do Luachimo, na cidade do Dundo, para a cidade de Lucapa, passando pela vila diamantífera do Nzagi, num percurso de 228 quilómetros. 
Vão ser também reabilitadas e modernizadas as subestações transformadoras do Dundo, Fucaúma, Cassanguidi, Luxilo, Nzagi, Luarica, Sambuaji, Lucapa e Calonda. Além da central hidroeléctrica do Luachimo, o Conselho de Ministros aprovou, em 2009, quando tinha competências para tal enquanto órgão deliberativo, o projecto de construção da Hidroluapasso, no município do Lucapa, com capacidade de 33 megawatts, visando a melhoria substancial do abastecimento de energia eléctrica às populações da região.
Face às necessidades imediatas, que têm a ver com o crescimento populacional na cidade do Dundo e o surgimento de vários projectos industriais e habitacionais, o governo provincial prevê a construção, para breve, de uma central térmica com capacidade de 15 megawatts, sobretudo para atender a zona nova da cidade, elevando a capacidade de produção para níveis satisfatórios.
O director provincial da ENE afiançou que os projectos existentes e em execução vão fazer da Lunda-Norte, tal como a Sul, uma das regiões mais bem iluminadas de Angola. 

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