Províncias

Educação procura qualidade do ensino

Joaquim Aguiar |Dundo

O director provincial da Educação, André Leonardo, disse ao Jornal de Angola que o sector tem evidenciado nos últimos dez anos grandes progressos na formação de quadros para responder às exigências e desafios do desenvolvimento económico e social da província.

Director provincial da Educação André Leonardo revela progressos do sector
Fotografia: Benjamim Cândido|

O director provincial da Educação, André Leonardo, disse ao Jornal de Angola que o sector tem evidenciado nos últimos dez anos grandes progressos na formação de quadros para responder às exigências e desafios do desenvolvimento económico e social da província.
André Leonardo apontou como exemplo a extensão a todos os municípios do primeiro ciclo do ensino secundário e escolas de formação de professores de nível médio em quatro dos nove municípios da província.
O responsável reafirmou a preocupação do governo local na criação de condições que permitam a instrução e formação do homem, tendo salientado a necessidade de continuar-se a expandir o sistema de ensino “nas mais recônditas áreas da província, começando pelas comunas até às aldeias”.
“É uma ginástica que temos que fazer, desde a criação de condições materiais, infra-estruturais e recursos humanos para que todas as crianças da região tenham acesso ao sistema de ensino”, disse, sublinhando a necessidade de continuar a adoptar mecanismos com vista a melhorar a qualidade do ensino, com formação e capacitação contínua dos docentes, adequando as suas práticas às novas metodologias e técnicas de ensino, conforme rege a legislação do Ministério da Educação.
André Leonardo reconhece que “as infra-estruturas escolares são realmente diminutas” tendo em conta o crescimento da população em idade escolar a cada dia que passa, mas também – afirmou -, “há escolas que estão subaproveitadas”, por terem sido construídas em localidades em que o número de crianças não justifica a quantidade de salas de aula disponíveis.

Crianças fora do sistema de ensino

O responsável do sector da Educação assegurou que não há crianças fora do sistema de ensino a nível da província da Lunda-Norte.
Este feito, segundo André Leonardo, foi conseguido devido “a interacção entre o surgimento de novas salas de aula e o crescimento do número de crianças que vão passar para a idade escolar”.
“Nós não registamos nenhuma criança fora do sistema de ensino, aliás, temos localidades onde foram construídas novas escolas, mas estão desertas porque não há alunos para preencherem as salas de aula”.
Para André Leonardo, “crianças fora do sistema de ensino são aquelas matriculadas pela primeira vez e que não encontram espaço nas escolas”. Reafirmou o empenho do governo provincial em continuar a projectar novas salas de aula para proporcionar às crianças a possibilidade de sonharem com um mundo melhor.

Extensão do ensino médio

O ensino médio na província da Lunda-Norte está implantado em quatro dos nove municípios, com realce para o Chitato, Cambulo, Lucapa e Cuango, onde destacam-se quatro escolas de formação de professores, um Instituto Médio Politécnico, uma escola do segundo ciclo (PUNIV) e um Instituto Médio Técnico de Enfermagem.
A intenção das autoridades locais, segundo André Leonardo, é estender o ensino médio a todos os municípios da província, tendo afirmado que está a ser feito um trabalho profundo que visa criar infra-estruturas - entre as quais escolas e residências - para os quadros que vão assegurar o seu funcionamento.
“Estamos ainda a preparar as bases que vão sustentar este nível de ensino nesses municípios, porque pensamos que sem uma base devidamente consolidada não teremos grandes êxitos”, frisou.
Enquanto o governo está a criar condições para estender o ensino médio aos restantes cinco municípios, disse André Leonardo, os jovens que estão localizados na área sul da província, sobretudo dos municípios do Cuilo, Lubalo e Caungula que terminam o primeiro ciclo, devem continuar os seus estudos na escola de formação de professores do Cuango, devido a proximidade.
O responsável admitiu não ser fácil preparar quadros suficientes em quantidade e qualidade disponíveis para trabalhar nesses municípios, tendo em conta que algumas escolas do ensino médio em funcionamento debatem-se ainda com a falta de professores em algumas disciplinas nucleares.
“O número de professores para assegurar o ensino médio que já está implantado nos quatro municípios, nomeadamente Chitato, Cambulo, Lucapa e Cuango, ainda não é suficiente”, disse André Leonardo, admitindo que o ensino superior vai, de algum modo, permitir absorver quadros para o sector da educação.
Realçou que no município do Cuango os professores locais já têm as condições para aumentar o nível de escolaridade, com a entrada em funcionamento do Instituto Superior Politécnico, que numa primeira fase vai ministrar cursos ligados à pedagogia.
André Leonardo disse, igualmente, que a previsão de abertura no próximo ano do núcleo do ensino superior no município do Cambulo augura boas perspectivas para sustentar o ensino médio com estudantes que vão ingressar no ensino superior nessa localidade.
O número de professores para os diferentes níveis de ensino – disse -“nunca é suficiente”.
Para o ensino primário e primeiro ciclo “em termos de percentagem ainda é razoável, enquanto que para os outros subsistemas de ensino o número de professores é uma gota no oceano” - destacou.

Superação académica e profissional

O director provincial da Educação da Lunda-Norte colocou ênfase na necessidade do aprimoramento técnico-profissional dos professores.
“A nível da província realizamos periodicamente jornadas pedagógicas com vista a promover a qualidade do ensino”, disse, enfatizando a participação dos professores locais em seminários nacionais promovidos pelo Ministério da Educação e outros meetings, para actualização, aumento dos conhecimentos e práticas pedagógicas. 
André Leonardo reconhece que a qualidade do ensino ainda não atingiu noventa por cento dos objectivos estabelecidos, mas admite que devido a superação constante do professor “já se nota alguma melhoria”.
Segundo o responsável, é necessário que o próprio professor, também, se preocupe com a sua auto-superação académica e profissional, para corresponder às exigências da política de quadros definida pelo Ministério da Educação.
Sem a auto-superação, afirmou, torna-se muito difícil o processo de requalificação das carreiras profissionais dos professores dos vários níveis de ensino.
“Os nossos quadros não entendem esses pressupostos”, disse, explicando que o processo de requalificação das carreiras profissionais dos professores exige igualmente “uma avaliação do desempenho profissional de cada um”.
Face a onda de reclamações do núcleo provincial do sindicato dos professores, sobre insuficiências no processo de requalificação dos professores, André Leonardo revelou que este ano vão ser requalificadas as categorias profissionais de todos os professores que têm superado o nível académico e que apresentam um bom desempenho.

Alfabetização

O programa de alfabetização e aceleração escolar, segundo o director provincial da Educação, está a ser administrado em todos os municípios da província, com um nível de participação bastante acentuado. No presente ano, segundo André Leonardo, participam no programa de alfabetização e aceleração escolar 14 mil e 400 alfabetizados. O processo está a ser assegurado por 300 alfabetizadores e 180 professores para o trabalho de pós alfabetização. Disse que a morosidade que se regista no pagamento dos subsídios aos alfabetizadores, por parte das organizações não governamentais, conforme estabelece o regulamento sobre a matéria, tem desencorajado muitos alfabetizados.
Para ultrapassar esta situação, André Leonardo disse que a solução passa por inserir gradualmente os alfabetizadores na função pública, através dos concursos públicos do sector da Educação, de forma a usufruírem uma remuneração condigna.
“O mau estado das vias de comunicação dificulta também o processo, tornando difícil localizar os alfabetizadores, sobretudo nas comunas e bairros distantes dos aglomerados urbanos, tendo em conta que tem de se ir ao encontro do alfabetizador para assinar a folha de salário”, disse André Leonardo, explicando os atrasos que se registam no pagamento dos subsídios aos alfabetizadores. André Leonardo disse igualmente que tem como grandes desafios nos próximos tempos a dinamização dos serviços administrativos, com a criação de uma base de dados, e fazer a avaliação rigorosa do desempenho de cada professor.
O director provincial da Educação da Lunda-Norte quer também reforçar a promoção de seminários de capacitação de professores, tendo em vista a garantia e eficiência da qualidade de ensino.

Tempo

Multimédia