Províncias

Energia com novos sistemas

Armando Sapalo |

O director provincial da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), Luís Marques, afirmou ao Jornal de Angola que o projecto foi iniciado em Abril de 2010 e concluído em Dezembro do ano passado, incluiu a colocação de 36 novos postos de transformação com uma capacidade de 630 KVA, contra 16 antigos de apenas 15 KVA que funcionavam há cerca de 55 anos.

Director provincial da ENE Luís Marques
Fotografia: Benjamim Cândido

O director provincial da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), Luís Marques, afirmou ao Jornal de Angola que o projecto foi iniciado em Abril de 2010 e concluído em Dezembro do ano passado, incluiu a colocação de 36 novos postos de transformação com uma capacidade de 630 KVA, contra 16 antigos de apenas 15 KVA que funcionavam há cerca de 55 anos.
Luís Marques revelou que o projecto custou aos cofres do Executivo cerca de 33 milhões de dólares e está a permitir maior fiabilidade no processo de transporte e distribuição de energia eléctrica às populações locais, assim como às áreas económicas, a instituições públicas e privadas.
O director provincial da ENE acrescentou que os trabalhos compreenderam ainda a colocação de 400 novos postos metálicos de iluminação pública e 1.700 outros de madeira, numa extensão de 38 quilómetros da rede de média tensão.
A secção de linhas de transporte do sistema antigo, explicou Luís Marques, já não conseguia suportar o escoamento da energia eléctrica, a julgar pela antiguidade dos seus postos de transformação e degradação das próprias ligações domiciliárias em quase 50 por cento.
Por isso, declarou, os trabalhos de reabilitação da rede de média tensão estão a contribuir bastante na recuperação de 30 por cento das percas de energia eléctrica provocadas não só pelo antigo sistema, mas também pelas ligações anárquicas feitas pelos consumidores.
“Esses trabalhos melhoraram substancialmente a qualidade de distribuição de energia eléctrica aos nossos consumidores, porque a antiga rede de transporte provocava muitas percas, causando grandes transtornos“, assegurou. Luís Marques realçou que no passado, a nível da cidade do Dundo, mais de 95 por cento dos seus habitantes  não consumia luz eléctrica, que era fornecida essencialmente ao casco urbano da cidade.
A intervenção na rede de baixa e média tensão e do sistema eléctrico da cidade, segundo Luís Marques, possibilitou efectuar já 3.799 ligações domiciliárias, das 25.000 que estão previstas até a conclusão da segunda fase do projecto”.

Instalação de contadores

O director provincial da ENE explicou também que previa-se, no âmbito do projecto, a instalação, numa primeira fase, de 5.000 contadores convencionais, processo interrompido devido à reestruturação da empresa (ENE), tendo em vista um conjunto de inovações tecnológicas que estão a ser adoptadas para o controlo da distribuição de energia eléctrica aos consumidores a nível do país. Luís Marques esclareceu que a empresa entendeu que para o maior controlo dos níveis de consumo de energia eléctrica, deve-se optar pelos contadores do sistema pré-pago, no sentido de evitar a fuga daqueles que não efectuam pagamentos ou abertura de contratos junto da ENE.
“O Executivo está a envidar grandes esforços que visam colocar à disposição de todos energia eléctrica, mas é necessário que a população comparticipe em termos de pagamentos para permitir a manutenção dos equipamentos”, disse.
De acordo com o responsável, a aplicação de contadores pré-pago vai contribuir bastante para a abertura de contratos por parte dos consumidores, ajudando deste modo a empresa a racionalizar o fornecimento de energia, devido ao défice de produção que ainda se regista a partir da central hidroeléctrica do Luachimo.  Luís Marques admitiu que em termos de produção de energia eléctrica, a cidade do Dundo debate-se por enquanto com sérios problemas, mas acredita que com o projecto de reabilitação da central hidroeléctrica do Luachimo, cujo processo aguarda pela abertura do concurso público, a situação vai melhorar.
O director provincial da Empresa Nacional de Electricidade sublinhou que além do projecto de reabilitação da barragem hidroeléctrica do Luachimo, arrancaram este ano as obras de construção de uma nova central térmica da cidade do Dundo, que vai permitir melhorar a qualidade no fornecimento de energia às populações.
A empreitada, disse, foi adjudicada à empresa “Winergy”, especializada em projectos energéticos sustentáveis, que já trabalha na preparação do terreno onde vai ser instalada a central térmica.
Segundo Luís Marques, a central térmica está concebida para 30 Megawatts de energia que vai beneficiar a nova centralidade do Dundo, cujas obras encontram-se em fase de conclusão para a entrega dos primeiros apartamentos. Luís Marques esclareceu também que enquanto decorre o processo de lançamento oficial de concurso público que visa a reabilitação e aumento da capacidade de produção da hídrica do Luachimo, metade da energia da nova central térmica vai abastecer a cidade antiga do Dundo, uma vez que a intenção passa por interligar os sistemas. Sem avançar os prazos para a entrega da obra, Luís Marques avisou que quaisquer constrangimentos que possam surgir em relação aos níveis de execução do projecto têm a ver com o mau estado das vias de acesso, porque os materiais que vão assegurar a central térmica são bastante pesados e devem ser tomadas precauções em termos de transportação.
“São máquinas muito pesadas que, para a sua transportação, exigem que as vias de comunicação estejam em perfeitas condições para poder mover os equipamentos até aqui, onde está a ser erguida a central térmica”, salientou, afirmando que o projecto tem benefícios adicionais porque vai contemplar novas ligações domiciliárias.
O director da ENE assegurou tratar-se de um projecto ambicioso para o sector energético da cidade do Dundo, tendo em conta que vai diminuir o risco da incerteza no capítulo dos investimentos necessários, face a recuperação industrial da região. Luís Marques considerou que o receio de muitos operadores económicos interessados em poderem promover as suas actividades comerciais, tendentes a aliar-se aos esforços do executivo na redução da fome e da pobreza, consiste ainda na fraca qualidade de produção de energia eléctrica.

Resposta satisfatória


Luís Marques disse que, em termos de necessidades com vista a responder à demanda em termos de fornecimento de energia eléctrica, as populações da cidade do Dundo e demais potenciais consumidores precisam nesta fase de uma produção de 60 Megawatts de energia.
Anunciou que neste momento a ENE está a fazer estudos que visam determinar os índices de desenvolvimento social e económico da cidade do Dundo, dos municípios do Cambulo, Lucapa e vila do Calonda, onde a empresa prevê instalar-se no sentido de estabelecer a quantidade de energia necessária para aquelas localidades.
“Temos sido muitas vezes ultrapassados pelo surgimento de novos serviços, causando transtornos na projecção do sistema eléctrico dessas áreas. Por isso precisamos que haja uma integração de sectores para estabelecermos aquilo que vão ser as necessidades”, destacou o director provincial da ENE.

Tempo

Multimédia