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Ensino especial enfrenta dificuldades

João Silva | Dundo

A Escola do Ensino Especial da Lunda-Norte precisa de novas infra-estruturas e de material didáctico especializado, com vista a melhorar o processo docente-e­ducativo das crianças com neces­sidades educativas especiais, disse na sexta-feira, ao Jornal de Angola, o director da instituição.

Devido à falta de condições para atender as necessidades pedagógicas muitas crianças com deficiências estão impedidas de estudar
Fotografia: Benjamim Cândido | Dundo

António Caimbo lamentou que a escola ainda funcione em instalações provisórias, pertencentes à Universidade Lueji A’Nkonde, e tenha apenas três salas para um u­niverso de 259 crianças em dois turnos,  da 1ª  a 6ª classes, matriculadas no ano lectivo de 2013.
A maioria dos alunos, entre os 6 aos 17 anos, apresenta deficiências visuais, auditivas, problemas de desenvolvimento da linguagem, atraso mental e intelectual.
Devido à falta de condições para atender as necessidades pedagógicas da instituição, sobretudo infra-estruturas, só no município do Chitato cerca de 60 crianças com necessidades educativas especiais não beneficiaram de instrução. 
A escola tem 22 funcionários, entre os quais dez professores que frequentaram uma acção formativa básica. Não obstante as dificuldades, António Caimbo afirmou estar satisfeito com o interesse demonstrado pelos pais e encarregados de educação, a par do nível de assimilação dos alunos.
A escola precisa de ser reforçada por mais 18 professores, uma vez  que  é  notório o interesse de muitas famílias em verem  matriculadas as suas  crianças.
“Temos estado a trabalhar afincadamente para elevar o nível de interesse tanto dos pais como das próprias crianças, levando-os a prosseguir os estudos, pois só assim vão poder superar todas as diferenças”, salientou.
Desde a sua entrada em funcionamento na Lunda-Norte, em 1996, a instituição formou um total de cem alunos, que neste momento se encontram matriculados nas diferentes instituições do I e II ciclos da província.
Além da falta de infra-estruturas próprias, a instituição enfrenta ainda dificuldades que têm a ver com a ausência de meios de transporte, para facilitar os serviços administrativos.
Em termos de materiais especializados, a escola tem nove máquinas de Braille,  livros de matemática, réguas metálicas, entre outros meios didácticos específicos, mas são insuficientes. Para este ano lectivo, já foram efectuados exames finais, estando os alunos a aguardar pela publicação dos resultados.

Vontade de estudar

Venícia Fupa, aluna de nove anos deficiente visual, frequentou a 2ª classe este ano e esclarece que a­prendeu a ler e escrever sem dificuldades, antes de se mostrar optimista em transitar de classe.
“Sei que estou a aprender bem e no futuro quero ser professora desta escola”, aspira a pequena Venícia  .
Osvaldo Correia, de 16 anos, aluno da 6ª classe, que sofre de atraso mental, também disse estar a aprender bem, fruto da dedicação e paciência dos professores.
O director provincial da Educação, Bartolomeu Dias Sapalo, reconheceu as dificuldades que a instituição enfrenta e adiantou que a escola vai dispor de uma infra-estrutura própria,  concebida para 19 salas de aulas.
O estabelecimento de ensino, garantiu, vai ser construído no bairro do Samacaca, numa área de 200 metros quadrados, devendo ser dotado de todos os equipamentos indispensáveis a uma instituição de ensino especial.
“Tranquilizo a direcção da escola, pois, a partir de 2014, vão  ver melhoradas as suas condições de trabalho, com novas infra-estruturas, material didáctico e meios de transporte”,  adiantou o director Bartolomeu Sapalo.

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