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Escassez de serviços sociais preocupa mulheres

Armando Sapalo | Dundo

A mulher rural na província da Lunda Norte, à semelhança de outras regiões do país, enfrenta sérias dificuldades relacionadas com a falta de serviços sociais básicos, como assistência sanitária, acesso a educação, água potável e registo civil, revelou o presidente da União Nacional dos Camponeses (UNACA).

No âmbito das acções do Executivo de combate à pobreza nas comunidades rurais as autoridades locais desenvolvem vários programas
Fotografia: Benjamim Cândido | Dundo

Daniel Mutambuleno elogiou o programa de auscultação da mulher rural, considerando que a iniciativa permite estabelecer bases que levam as autoridades locais, sobretudo as administrações municipais, no quadro das acções de combate à pobreza, a prestarem uma atenção especial a aquela franja da sociedade.
O presidente da UNACA admitiu que a mulher rural tem assumido o protagonismo no abastecimento de produtos do campo às cidades para garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias, dai ter solicitado as autoridades governamentais a implementarem serviços sociais nas zonas rurais, para que se possa continuar a produzir mais e reduzir as assimetrias entre o campo e a cidade.
A falta de serviços sociais, disse, tem provocado o fenómeno da imigração da mulher rural do campo para às cidades, em busca de melhores condições de vida, principalmente a saúde e educação para os filhos. O presidente da União Nacional dos Camponeses considerou a mulher rural a principal força motora na organização dos núcleos de associativismo e cooperativismo agropecuário na província da Lunda Norte.  Como exemplo, explicou que das 150 empresas agrícolas familiares e 117 outras de cooperativas agro-pecuárias que UNACA controla na Lunda Norte contam com uma representatividade de 70 por cento de mulheres.
"Há um certo receio de estas agremiações de mulheres, empenhadas na organização da vida rural, virem a desaparecer, devido a dificuldades sociais", avançou.
A falta de instrumentos de trabalho, fertilizantes e sementes para o apoio técnico e material à mulher rural, organizada em cooperativas e associações de camponeses é outra dificuldade apontada pelo presidente da UNACA, tendo em vista o incremento dos níveis de produção agrícola.
O  presidente da  UNACA disse que com a ausência de serviços sociais básicos, aliado a carência de apoios de instrumentos de trabalho do campo, os índices de produtividade por parte da mulher começa a registar uma diminuição considerável.

Resultados comprometedores

Daniel Mutambuleno considera comprometedores os resultados da produção, tendo em conta os objectivos preconizados pelo Executivo, que visam reforçar a actividade agrícola para garantir a segurança alimentar das populações e conferir maior dignidade à mulher do campo.
"A UNACA tem a complexa missão de desencadear acções de mobilização que estimulem o interesse da mulher rural para continuar a dedicar-se ao cultivo de alimentos indispensáveis, para que os níveis de produtividade sejam satisfatórios e assegurar o rendimento para o sustento das suas famílias."
Esses resultados, avançou Daniel Mutambuleno, só são alcançados se a mulher rural for potenciada com instrumentos como tractores, charruas, sementes e outros meios indispensáveis à agricultura e serem colocados à sua disposição os equipamentos e infra-estruturais de impacto social, que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das suas famílias.

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