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Escolas vandalizadas por falta de segurança

Victorino Matias| Dundo

Responsáveis de escolas primárias e do primeiro ciclo, na cidade do Dundo, apelaram quinta-feira para a instalação de equipas de segurança e protecção do património escolar em função dos constantes actos de vandalismo registados.

Alunos manifestaram a sua indignação face à insegurança nos estabelecimentos escolares já que tem sido difícil estudar com este clima
Fotografia: Victorino Matias| Dundo

A falta de pessoal de protecção e segurança escolar está a preocupar as direcções das escolas, professores, alunos e encarregados de educação, devido aos riscos que correm diariamente, principalmente no período nocturno.
Marginais assaltaram há dias os estabelecimentos escolares do primeiro ciclo dos bairros Norte, Sul e Muanguvo, dos quais danificaram as infra-estruturas, saquearam os arquivos das instituições e levaram vários materiais informáticos.
A sub-directora pedagógica da escola do Muanguvo, Zita Domingas Mulemba, afirmou que no estabelecimento em que trabalha, os assaltantes entraram pela janela da secretaria e roubaram dois computadores, um monitor, livros didácticos e de ponto, além de duas portas das salas de aulas. Os malfeitores destruíram também arquivos dos processos individuais dos alunos, partiram vidros das janelas e danificaram os gradeamentos da área administrativa.
Com esta acção, o andamento das actividades da escola fica prejudicado, pois todas as informações sobre o aproveitamento escolar dos alunos arquivadas nos computadores estão desaparecidas. O director pedagógico da escola primária e do primeiro ciclo do bairro Sul, Santos Muveno, disse que a preocupação deve ser encarada com bastante seriedade, para que se dê solução imediata ao problema, dados os riscos que os trabalhadores e alunos podem correr.
A direcção da escola já solicitou à repartição municipal da Educação alguns efectivos de vigilância para o local, mas até agora a petição não mereceu qualquer resposta. Os funcionários vão abandonar as aulas e outros serviços de noite se a situação prevalecer, disse. “Sem segurança, não vamos trabalhar, porque o medo toma conta de todos.”
Os professores do período nocturno não conseguem ministrar correctamente as lições, uma vez que “no momento das aulas sofrem insultos do outro lado das salas de aulas, com palavras obscenas e, por vezes, são-lhes arremessadas pedras”, disse Santos Muveno.
Os alunos manifestaram também a sua indignação face à insegurança nos estabelecimentos escolares. Larissa de Jesus Santos, aluna da escola do bairro Sul, disse que tem sido difícil estudar na escola, devido aos elevados perigos que corre para chegar e sair da escola. “Aqui não há polícia e os alunos correm o risco de serem assaltados, tanto à entrada como à saída das aulas. Uma colega minha já foi assaltada e tiraram-lhe o telefone”, contou a aluna, para quem é urgente que se reveja essa situação. A aluna Lara da Silva observou que o muro da escola é muito baixo. Vítima de assalto por três vezes, ela conta que, muitas vezes, as salas ficam às moscas porque os estudantes evitam as aulas por medo dos bandidos.

Polícia garante segurança

O segundo comandante provincial para a Ordem Pública, subcomissário Mariano Alves, garantiu o reforço das medidas de segurança em todas as instituições escolares da cidade do Dundo, com a reactivação em breve da brigada escolar.
“Vamos lançar dentro de algum tempo a brigada escolar. Estamos a criar todas as condições necessárias, apostando na formação dos efectivos, aquisição de viaturas e todo o material importante para que a brigada funcione sem qualquer constrangimento”, precisou o responsável.
A corporação vai privilegiar todas as escolas com patrulhamento apeado e auto e naquelas instituições que se encontram nos bairros com elevado índice de vandalismo, vão ser montados postos fixos. O subcomissário apelou aos professores, alunos e encarregados de educação no sentido de denunciarem actos de roubos e vandalismo, que é uma forma de cooperação directa com as autoridades policiais.

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