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Falta de máquinas dificulta preparação dos solos

Armando Sapalo| Dundo

A falta de uma brigada de mecanização agrícola na província da Lunda-Norte, para facilitar a desmatação e o desbravamento de terras, tendo em vista o aproveitamento dos solos, está a dificultar o trabalho dos camponeses locais, disse ontem, ao Jornal de Angola, o director provincial da Agricultura Pesca e Desenvolvimento Rural.

A aposta do Governo Provincial no relançamento do sector da agricultura é um dos pontos de partida para a diversificação da economia e para o êxito do programa de combate à pobreza
Fotografia: Joaquim Aguiar| Lunda-Norte

A falta de uma brigada de mecanização agrícola na província da Lunda-Norte, para facilitar a desmatação e o desbravamento de terras, tendo em vista o aproveitamento dos solos, está a dificultar o trabalho dos camponeses locais, disse ontem, ao Jornal de Angola, o director provincial da Agricultura Pesca e Desenvolvimento Rural.
José Mendes esclareceu que, dadas as dificuldades que os camponeses da região enfrentam no que diz respeito à destamação de terras, as autoridades locais vão estabelecer políticas eficazes para se ultrapassar estas dificuldades. Entre elas, a constituição de uma brigada de tractoristas, através de uma acção formativa de curta duração, a partir do próximo ano, afigura-se como sendo o grande desafio do sector agrário na Lunda-Norte.
A criação desta brigada de apoio às actividades agrícolas vai permitir que a província deixe de continuar a depender de uma agricultura familiar de subsistência e passe a adoptar projectos mais estruturantes, que possam contribuir para a diversificação da economia.
No quadro dos programas destinados a prestar assessoria técnica aos pequenos e médios agricultores locais, o Governo Provincial estabeleceu parcerias público-privadas com algumas empresas familiares, que já beneficiaram do crédito agrícola de campanha, no sentido de ajudarem na preparação dos solos.
Não obstante as dificuldades, José Mendes informou que os níveis de produção na província têm sido satisfatórios, tendo em conta que as safras ultrapassaram as expectativas, sendo os agricultores da Lunda-Norte os que mais produtos de campo fornecem às províncias de Luanda e Malange, como hortícolas e farinha de bombó.“Não corresponde à verdade o que muita gente afirma em relação ao facto da província da Lunda-Norte não produzir em termos de agricultura. Os nossos índices de produção aumentaram consideravelmente, porque os camponeses locais passaram a ser alguns dos maiores fornecedores de hortícolas e farinha de bombó às províncias de Luanda e Malange”, realçou.
José Mendes sublinhou que existe um grande empenho do sector que dirige com vista a serem ultrapassadas dificuldades e insuficiências técnicas e materiais, para serem alcançadas as metas preconizadas, mas, lembrou, a falta de técnicos agrários nos municípios dificulta o controlo da quantidade dos produtos recolhidos na época das safras. Ainda assim, o Governo Provincial vai continuar a apoiar os empresários locais com tractores, charruas, sementes e outros meios que permitam incrementar os níveis de produtividade.
A aposta do Governo no relançamento do sector da agricultura é um dos pontos de partida para a diversificação da economia e para o êxito do programa é importante que haja uma conjugação de esforços entre as autoridades governamentais e a classe empresarial da província, tendo em vista o reforço das parcerias, sublinhou o director provincial.

Campanha agrícola

De acordo com José Mendes, estão criadas as condições técnicas materiais e humanas para o arranque da campanha agrícola 2012/2013. “As perspectivas em termos de colheita e diversificação de culturas são animadoras, pois as cooperativas e associações estão mobilizadas”, garantiu. Através do Instituto de Desenvolvimento Agrário, o Governo Provincial procedeu à distribuição de 30 toneladas de sementes e fertilizantes de milho, além de 20 outras sementes diversas para a próxima campanha agrícola.
A distribuição de sementes e fertilizantes visa contribuir para o reforço da produção e diversificação de culturas, tendo em vista a melhoria da dieta e segurança alimentar das populações. “Estamos apostados na produção local, para reduzirmos a elevada dependência no consumo de produtos importados e garantirmos a segurança alimentar das nossas populações”, afirmou.
Por isso, a campanha agrícola que está prestes a começar vai ser marcada pela produção de culturas como batata-doce, hortaliças, ginguba, inhame e mandioca em maior escala.

Infra-estruturas de apoio


A vice-governadora para a área Económica, Deolinda Vilarinho, que avaliou o grau de execução dos projectos agrícolas no município do Chitato, disse esperar por uma excelente campanha agrícola, tendo em conta que, a partir do próximo ano, vão surgir infra-estruturas modernas de apoio aos agricultores. Além disso, anunciou a entrada em funcionamento, no primeiro tri mestre de 2013, da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), em construção no município do Capenda Camulemba. Trata-se de uma Estação Agrária com infra-estruturas modernas para o armazenamento e comercialização de sementes e fertilizantes, para os pequenos e médios agricultores.
O empreendimento vai ser o ponto de radiação de toda a actividade agrícola da região sul da província da Lunda-Norte, uma vez que, além de garantir a conservação de produtos e de reserva de sementes, surge também para promover seminários destinados a dotar os agricultores de novas competências técnicas. O projecto, financiado pela Espanha, numa acção concertada com o Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, vai, em termos globais, assegurar o escoamento da produção dos camponeses e promover a criação de uma rede de comercialização.

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