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Falta de rede comercial prejudica produção agrícola

Armando Sapalo | Dundo

Agricultores e responsáveis das cooperativas e associações de camponeses da província da Lunda Norte defendem a adopção de programas que visam dinamizar a rede comercial e de oportunidades de negócios, disse ao Jornal de Angola, no Dundo, o presidente da UNACA.

Agricultores esperam bons resultados em termos de colheita mas lamentam a falta de mercado para poderem comercializar os produtos
Fotografia: Benjamim Cândido | Dundo

Daniel Mutambuleno afirmou que a falta de mercados específicos para a absorção e venda de produtos do campo, a nível da província da Lunda Norte, tem provocado a uma considerável baixa da produção agrícola.
A inexistência de redes de comercialização, disse o presidente da UNACA, leva a que os  agricultores e camponeses da região  enfrentem sérias dificuldades, sobretudo no escoamento de produtos do campo para as cidades.
Daniel Mutambuleno destacou o empenho dos camponeses da região  para o relançamento da actividade agrícola, no quadro das acções que visam a diversificação da economia e a criação de mais empregos, sobretudo no seio das comunidades rurais.
O dirigente da UNACA, ao mesmo tempo, elogiou as iniciativas do governo provincial que têm  contribuído no fortalecimento de bases para a criação de uma rede comercial sólida, capaz de corresponder aos anseios dos agricultores.
O presidente da UNACA apontou a revitalização da Feira Agropecuária de Cacanda, sem se realizar desde o ano de 2011, como a única via para se inverter o quadro actual, em termos de garantia de condições que permitem a comercialização de produtos cultivados no campo, enquanto não se criam mercados próprios.
“A feira é também uma boa oportunidade de negócios que possibilita à pequena classe empresarial da província interagir com agricultores e criadores de gado de diferentes regiões do país, sobretudo aqueles de apurada tradição técnica e produtiva para, através da troca de experiências, se desenharem projectos viáveis que contribuam para o desenvolvimento sustentável da província”, salientou. O responsável da Cooperativa Agropecuária de Txatanda, João Zeca, disse ao Jornal de Angola que a associação possuiu uma área agrícola de cinco mil hectares, três dos quais desbravados para o cultivo de mandioca, hortícolas e diversas frutas.
 O agricultor espera bons resultados em termos de colheita na presente campanha agrícola, mas está receoso pelo facto de faltar um mercado para a venda dos produtos, uma vez que a colheita anterior ficou deteriorada devido à ausência de feiras. João Zeca lembrou que a Cooperativa Agropecuária de Txatanda está também voltada para a responsabilidade social, de modo a  ajudar o Governo na promoção e criação de postos de trabalho.
 A Cooperativa Agropecuária de Txatanda beneficiou de crédito de campanha agrícola e, em função disso, o responsável perspectiva um crescimento da empresa, com vista ao reforço da sua capacidade de intervenção e aumento dos níveis de produção.
A vertente de mecanização agrícola consta também do projecto da Cooperativa de Txatanda o que, segundo João Zeca, pressupõe o reforço da capacidade financeira para a aquisição de tractores e outros meios técnicos para facilitar o trabalho de campo.  

Falta de mercado


O chefe de departamento provincial da Agricultura na Lunda Norte, José Chiquito, reconheceu que a falta de mercados para a venda dos produtos de campo, por forma a garantir o rendimento dos agricultores, preocupa as autoridades locais.  
José Chiquito disse que estão a ser elaborados projectos que visam conferir excelentes condições aos operadores económicos do ramo agropecuário,   através da criação de mercados de produtos agrícolas em todos os municípios.  
Para o mês de Setembro, o chefe de departamento provincial da Agricultura na Lunda Norte anunciou a realização da Feira Agropecuária de Cacanda, onde, além dos agricultores locais, vão estar também presentes empresários  provenientes de outras províncias.
José Chiquito esclareceu que a Feira Agropecuária de Cacanda é um evento de capital importância para o crescimento da economia da região e recordou que foi instituída em 2008 pelo Governo Provincial da Lunda Norte, com vista a  incentivar as cooperativas e associações de camponeses, pequenos e médios produtores agrícolas e criadores de animais.

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