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Feira do Chitato expõe potencial

Armando Sapalo |Dundo

A terceira edição da Feira Agropecuária do Cacanda, município do Chitato, a decorrer de 16 a 17 do presente mês, vai contar com a participação de 32 associações. O chefe da repartição da Agricultura, Passos Tuta, disse ao Jornal de Angola que o objectivo é mostrar o potencial agrícola da região.  

Agricultores da província têm recebido vários apoios para aumentarem a produção
Fotografia: Jornal de Angola

A terceira edição da Feira Agropecuária do Cacanda, município do Chitato, província da Lunda-Norte, a decorrer de 16 a 17 do presente mês, vai contar com a participação de 32 associações, seis cooperativas e quatro pequenas empresas agrícolas familiares.
Paços Tuta, chefe de repartição local da Agricultura, que falava terça-feira ao Jornal de Angola, no Dundo, disse que o objectivo da feira consiste em mostrar o potencial dos produtos agrícolas da região. Paços Tuta assegurou que estão criadas todas as condições materiais e administrativas que vão permitir uma participação condigna dos camponeses do município sede no evento.
O responsável afirmou que no certame vão ser expostos diversos produtos agrícolas e seus derivados e vai proporcionar oportunidades de negócios.
Paços Tuta revelou que a Administração disponibilizou viaturas que asseguram a transportação de produtos, das zonas de cultivo para o local da exposição, onde as questões de preservação estão devidamente salvaguardadas.
A organização do evento, segundo o responsável, prevê a participação de mais de 40 expositores que, além de mandioca em grande escala, vão também ter a oportunidade de exibir outros produtos agrícolas, como batata-doce, milho, feijão, inhame e hortícolas.
Paços Tuta avançou que para o município do Chitato estão reservados dois pavilhões de exposição, onde, além dos camponeses, vão também fazer parte os criadores de gado.
Destacou a exposição de gado caprino e suíno, como das actividades que têm vindo a conhecer níveis satisfatórios de crescimento em termos de surgimento de novos investidores . Tuta considerou que a Feira agro-pecuária do Cacanda é um evento que contribui para incentivar o incremento dos níveis de produtividade local e estabelecer também parcerias com agricultores de outras regiões.
Paços Tuta reafirmou o compromisso das autoridades do município do Chitato em continuar a prestar apoio aos camponeses, para que possam desempenhar o seu papel no fortalecimento da diversificação da economia e garantir a sustentabilidade e segurança alimentar a nível da região.


Mais apoios aos camponeses

O apoio técnico e material aos camponeses, defendeu Paços Tuta, deve ser encarado como sendo o ponto de partida para o êxito dos programas de combate à fome e pobreza no seio das populações.
Tuta salientou  que o crescimento que a economia local tem vindo a registar nos últimos tempos resulta do facto de haver um grande empenho por parte dos agricultores que, não obstante as dificuldades, mostram-se disponíveis em aliar-se aos esforços do governo para a redução da fome. 
“É importante continuarmos a apoiar os nossos camponeses para que possam desenvolver as suas actividades no campo”, defendeu o responsável, que se mostrou preocupado com os atrasos significativos que se registam na concessão do crédito agrícola de campanha aos camponeses do Chitato.
Paços Tuta avançou que, para minimizar as dificuldades resultantes da falta de meios de transporte, a administração municipal fez a aquisição de duas carrinhas, para facilitar o escoamento dos produtos do campo para a cidade.


Aumento dos níveis de produção

Os camponeses do município do Chitato esperam que a feira venha a contribuir para melhorar as políticas das entidades administrativas locais, que têm a ver com o estabelecimento de redes de comercialização dos produtos do campo.
O ancião Muatxissupa, responsável da Cooperativa Txatanda, localizada a 13 quilómetros da sede municipal do Chitato, garantiu estar disponível a levar os seus produtos para a exposição.
Muatxissupa disse que a Feira do Cacanda vai ser uma excelente oportunidade para vender os produtos, que muitas vezes chegam a deteriorar-se por falta de um mercado específico.
Muatxissupa afirmou que a Cooperativa do Txatanda trabalha com 67 famílias de camponeses, cada uma dispondo de uma determinada área para o desenvolvimento da actividade agrícola.
Além da tradicional cultura de mandioca, referiu, apostam também na produção de hortícolas, com vista a reduzir a procura destes produtos a nível da região.
Nesse memento, disse, encontram-se na fase da colheita, com índices de produtividade satisfatórios, que superaram as expectativas, a julgar pelas dificuldades que os camponeses locais enfrentam, sobretudo a falta de meios de trabalho.
O ancião Muatxissupa revelou que os trabalhos de desbravamento de terra foram efectuados com inúmeras dificuldades, devido à utilização de materiais rudimentares, como catanas e enxadas.
Defendeu a necessidade de se investir numa “agricultura mecanizada”, para que sejam encontrados resultados positivos, com a oferta de variedade de produtos, visando reduzir a importação de bens alimentares.
O responsável da Cooperativa Txatanda enalteceu os projectos do Executivo, que visam a concessão de créditos agrícolas aos camponeses, porque vai permitir aumentar as áreas de cultivo, através da utilização de meios agrícolas modernos.
O ancião Muatxissupa revelou estar preocupado com a morosidade que se verifica na concessão de créditos, tendo em conta que os camponeses cumpriram todos os mecanismos tendentes a concorrer ao financiamento.
“Nós estamos preocupados com os atrasos na entrega do crédito que solicitámos, porque já cumprimos todas as obrigações impostas pelo Banco”, enfatizou o ancião Muatxissupa.

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