Províncias

Governo desbrava terra para a campanha agrícola

Armando Sapalo|Lucapa

As autoridades da província da Lunda-Norte vão pôr à disposição dos camponeses organizados em associações e cooperativas, na presente campanha agrícola, mais de 22 mil hectares de terra devidamente desbravados, assessoria técnica, sementes e fertilizantes, com vista a aumentar os níveis de produtividade e melhorar a dieta alimentar da população, revelou no fim-de-semana, o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.

Os agricultores defendem a criação na região de um mercado específico destinado à comercialização dos produtos agrícolas
Fotografia: Benjamim Cândido|Lucapa

As autoridades da província da Lunda-Norte vão pôr à disposição dos camponeses organizados em associações e cooperativas, na presente campanha agrícola, mais de 22 mil hectares de terra devidamente desbravados, assessoria técnica, sementes e fertilizantes, com vista a aumentar os níveis de produtividade e melhorar a dieta alimentar da população, revelou no fim-de-semana, o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
José Mendes, que falava no acto de lançamento da campanha agrícola 2011-2012, realizado na associação de camponeses de Camaconde, a 98 quilómetros da sede municipal de Lucapa, disse que apesar de a província não ter ainda constituído uma brigada de mecanização agrícola, as perspectivas em termos de aumento de produtividade e diversificação de culturas são animadoras.
Para o apoio aos camponeses na presente campanha agrícola, o Governo Provincial adquiriu 75 toneladas de sementes de milho, dez de feijão e arroz, para fomento de cereais e como forma de encorajar os camponeses a diversificar as culturas a nível da região.
Mais de 230 associações de camponeses e 51 cooperativas vão participar, activamente, na campanha agrícola 2011-2012, com a mobilização de mais de 80 mil famílias e prevê-se uma colheita na ordem de 262 toneladas de alimentos diversos.
 “Nós estamos a prever uma boa colheita porque com a distribuição dessas terras esperamos de uma forma aproximada atingir 262 mil toneladas de produtos diversos”, disse José Mendes.
Os índices de produção da época agrícola passada situaram-se, segundo o responsável, em 1.455 toneladas de produtos diversos, ficando abaixo das previsões do sector.
O responsável falou de maior empenho dos quadros do sector para ultrapassarem as dificuldades e insuficiências do ponto de vista técnico e material, de forma a alcançar as metas traçadas e contribuir para o êxito do programa de combate à fome e redução da pobreza.
O também engenheiro agrónomo estabeleceu como prioridades, acções concretas que estimulem o surgimento de mais empresas agrícolas familiares, garantia do apoio técnico e material às empresas do sector, formação de quadros e acesso ao financiamento bancário, de modo a relançar a agricultura e obter níveis de produtividade satisfatórios a médio e curto prazos.
O acto de lançamento oficial da campanha agrícola 2011-2012 foi presenciado pelo governador provincial, Ernesto Muangala, autoridades tradicionais e eclesiásticas da região, Organizações Não-Governamentais e representantes de instituições bancárias. 

Camponeses
aumentam a produção

A Cooperativa de Camponeses do Camaconde, escolhida para o lançamento da presente campanha agrícola, está preparada para aumentar os níveis de produção de cereais, batata-doce, inhame, amendoim, mandioca e horto-frutícolas.
 O representante da Cooperativa de Camponeses do Camaconde, Abreu Muinza, disse ao Jornal de Angola que a sua cooperativa dispõe de um tractor com alfaias e cerca de 12 hectares de terra estão já desbravados.
O agricultor, que pediu às autoridades acompanhamento técnico, assegurou que a sua cooperativa pretende colher no final da presente campanha agrícola, cerca de 25 toneladas de produtos diversos.
A cooperativa do Camaconde existe há mais de 15 anos e é composta por 95 famílias, das quais 43 mulheres. Salientou que apesar das dificuldades relacionadas com a falta de meios de trabalho, com realce para tractores e outros inputs agrícola, a cooperativa tem vindo a crescer significativamente, tendo-se tornado o principal abastecedor do mercado local, em termos de produtos agrícolas.
Para a presente campanha agrícola, realçou, o Departamento Provincial do Instituto do Desenvolvimento Agrário disponibilizou atempadamente para a sua cooperativa mais de 500 quilos de sementes de feijão, milho e amendoim, que vão permitir o incremento dos níveis de produção. Abreu Muinza considerou que o apoio prestado pelas autoridades governamentais concorre positivamente para a realização de uma agricultura moderna e capaz de gerar rendimentos no seio das comunidades rurais, no quadro da estratégia de combate à fome e redução da pobreza.
“Se formos apoiados com instrumentos de trabalho como tractores, charruas, enxadas, catanas, sementes e outros meios nós estaremos em condições de fazer uma agricultura cada vez mais forte e criar empregos para as comunidades rurais”, defendeu, enaltecendo o programa do Executivo, que visa conceder financiamento aos pequenos e médios agricultores através do crédito agrícola de campanha.
Abreu Muinza, que aguarda também pelo financiamento dos seus projectos, sublinhou que, com o crédito agrícola de campanha, estão lançadas as bases para o desenvolvimento de uma agricultura auto-sustentável, porque os camponeses vão poder alargar as suas áreas de cultivo e consequentemente aumentar a produção.
O responsável disse também que devem ser reforçados os programas de criação e organização de redes de comercialização, tendo em conta as dificuldades que os camponeses enfrentam para vender os seus produtos, cujos excedentes muitas vezes chegam a estragar-se.
Quanto ao escoamento de produtos, reconheceu que os camponeses do município do Lucapa, organizados em associações e cooperativas, não têm razões de queixa, porque a Administração municipal, através da repartição da agricultura, adquiriu uma viatura para apoiar o escoamento de produtos do campo para a cidade.
O agricultor defendeu, por outro lado, a criação na região de um mercado específico destinado à comercialização dos produtos agrícolas, como forma de dinamizar o negócio, assim como aproximar os potenciais clientes aos produtores agrícolas.

Tempo

Multimédia