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Instituto de Desenvolvimento Agrário com dificuldade em apoiar lavradores

Armando Sapalo| Lunda-Norte

O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) na Lunda-Norte está a enfrentar sérias dificuldades relacionadas com a falta de instrumentos de trabalho, fertilizantes e sementes para o apoio técnico e material aos camponeses locais, disse ao Jornal de Angola o seu director, na passada quinta-feira, no Dundo.

O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) na Lunda-Norte está a enfrentar sérias dificuldades relacionadas com a falta de instrumentos de trabalho, fertilizantes e sementes para o apoio técnico e material aos camponeses locais, disse ao Jornal de Angola o seu director, na passada quinta-feira, no Dundo.
Josefo Cavunduri revelou que, durante o ano passado, a instituição que dirige se deparou com imensas dificuldades para pôr à disposição dos camponeses da região meios de trabalho, devido à falta de abastecimento a partir das estruturas centrais. Os índices de produtividade, salientou, registaram uma diminuição considerável, atendendo a que foram alcançadas apenas 1.455 toneladas de cereais e hortaliças, num universo de 230 associações e 51cooperativas de camponeses inscritos no IDA.
O técnico agrónomo considera comprometedores os resultados alcançados, tendo em conta os objectivos preconizados pelo Executivo, que visam reduzir a fome e pobreza no seio das comunidades.
Explicou que a sua instituição tem a complexa missão de imprimir maior dinamismo ao sector agrário, através de acções que estimulem o surgimento de mais empresas agrícolas familiares, para que os níveis de produção sejam satisfatórios.
Esses resultados só serão alcançados se os pequenos e médios agricultores forem potenciados com instrumentos como tractores, charruas, sementes e outros meios indispensáveis à agricultura.
O IDA na Lunda-Norte debate-se com dificuldades que têm a ver com a insuficiência de meios de transporte todo-o-terreno, para facilitar o escoamento dos produtos do campo para a cidade, para serem comercializados.
O instituto tem apenas duas viaturas que se encontram num avançado estado de degradação, o limita o trabalho dos agrónomos.
Outra dificuldade apontada por Josefo Cavunduri prende-se com o facto do IDA na Lunda-Norte estar apenas representado em cinco dos nove municípios que compõem a província. Na sua perspectiva, a inexistência do IDA em todas as províncias contraria os pressupostos dos programas municipais integrados de desenvolvimento rural, que obrigam à existência de instalações deste organismo em todas as áreas, para o acompanhamento do conjunto de projectos do sector. 
A presença de técnicos do instituto de nos municípios de Chitato, Lucapa, Cambulo, Lubalo e Capenda Camulemba, permitiu aos camponeses melhorarem a sua actividade, através do envolvimento de mais famílias, que estão agora mobilizados em associações e cooperativas, para o fomento da agricultura.

Nova campanha

Para a presente campanha agrícola, o IDA, dispõe de 559 hectares de terra, que serão distribuídos aos camponeses locais para o desenvolvimento de agricultura mecanizada. A par disso, estão também preparados 9.426 hectares, onde vão ser cultivados cereais, cuja desbravação da terra foi efectuada com muitas dificuldades, visto que se utilizaram meios rudimentares.
Para além do arroz, Josefo Cavunduri informou que a presente campanha agrícola vai ser marcada também pela produção de culturas de batata-doce, amendoim, inhame, hortaliças e mandioca em maior escala. Para a concretização do referido programa, está prevista a distribuição de enxadas, catanas e sementes para a plantação de produtos básicos, com realce para os horto-frutícolas.
 Josefo Cavunduri diz estar satisfeito com os níveis de organização demonstrado pelos pequenos e médios agricultores locais, que estão disponíveis e motivados para participarem na terceira edição da feira agro-pecuária de Cacanda, com o início marcado para a primeira quinzena de Agosto.
O responsável considera que o certame vai ser o ponto de partida para os agricultores da região poderem encontrar oportunidades que vão permitir a comercialização dos seus produtos, além da troca de experiências com os agricultores de outras regiões do país, com elevada tradição no sector agrário.
“O intercâmbio é sempre salutar porque vai ajudar a encontrar mecanismos para o combate às assimetrias regionais”, admitiu Josefo Cavunduri, para quem as províncias da Huíla, Huambo, Benguela, Cunene e Bié são modelos a seguir para o fortalecimento do ramo agrícola.
Josefo Cavunduri anunciou que a província da Lunda-Norte vai, a partir deste ano, passar a dispor de um armazém regional que está a ser construído no município de Capenda-Camulemba para a comercialização de inputs agrícolas, sementes e fertilizantes, no quadro das políticas do Executivo destinadas a minimizar as dificuldades de aquisição de instrumentos para prática da agricultura.
Além do carácter comercial, assegurou que a loja servirá igualmente para prestar serviços de apoio e a realização de seminários para desenvolvimento de competências dos agricultores das províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico.
Sob tutela do Ministério da Agricultura Pescas e Desenvolvimento Rural, as obras começaram em Junho e estão a cargo de uma empresa espanhola. A conclusão está prevista para os próximos 90 dias.
O empreendimento também contempla a construção de duas residências para os técnicos que vão assegurar o seu funcionamento, salão de conferências e escritórios.

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