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Jesuítas querem apoio reforçado para refugiados na Lunda-Norte

Armando Sapalo|Dundo

O coordenador provincial dos Serviços Jesuítas, da Igreja Católica, virada para a assistência jurídica a requerentes de asilo, André Domingos Neto, lamentou, quarta-feira, no Dundo, as condições em que vivem 2.106 refugiados que se encontram na província da Lunda-Norte desde finais de 1990, devido aos conflitos étnicos e políticos nos seus países de origem.

Serviços Jesuítas preocupados com as condições dos refugiados
Fotografia: AFP

O coordenador provincial dos Serviços Jesuítas, da Igreja Católica, virada para a assistência jurídica a requerentes de asilo, André Domingos Neto, lamentou, quarta-feira, no Dundo, as condições em que vivem 2.106 refugiados que se encontram na província da Lunda-Norte desde finais de 1990, devido aos conflitos étnicos e políticos nos seus países de origem.
A instituição religiosa, afirmou, controla quatro campos de refugiados, nos municípios de Chitato, Cambulo, Lucapa e Cuango, onde estão concentrados cidadãos de 17 países das regiões Oeste e Norte de África.
André Domingos Neto explicou que, nas missões que a sua instituição realiza, com a finalidade de dar assistência jurídica, os refugiados e requerentes de asilo revelam que os apoios humanitários são insuficientes para fazer face às dificuldades alimentares, assistência médica e condições de habitabilidade.
André Domingos Neto frisou que tem estado a trabalhar com as autoridades locais para que sejam encontradas soluções que visam diminuir algumas carências, sobretudo as relacionadas com a aquisição de tendas, e a melhoria de assistência sanitária, principalmente para as crianças.
Dos 2.106 requerentes de asilo, apenas 217 conseguiram o estatuto de refugiados, através da COREDA (Comité de Reconhecimento do Direito de Asilo), informou o coordenador provincial dos Serviços Jesuítas, sublinhando que “muitos refugiados não querem regressar aos seus países de origem, por recearem não haver ainda condições de segurança”.
A directora provincial da Lunda-Norte do Ministério da Assistência e Reinserção Social, Joana Meta, reconheceu haver dificuldades na assistência aos refugiados e a outras camadas vulneráveis, devido à crise económica que afectou o mundo.
Joana Meta adiantou que, na sequência das dificuldades por que passam os refugiados, uma equipa técnica do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) constatou há dias as condições precárias em que vivem os refugiados na Lunda-Norte.
Joana Meta denunciou, por outro lado, a atitude de muitos cidadãos, sobretudo da República Democrática do Congo, que se fazem passar por refugiados ou requerentes de asilo, com o objectivo de beneficiar da assistência prestada pelas autoridades angolanas e, ao mesmo tempo, desenvolverem actividades ilícitas, como é o caso do garimpo.
A directora provincial solicitou a intervenção das autoridades dos Serviços de Migração e Estrangeiros, para que “não existam falsos refugiados”, o que, na sua opinião, “pode vir a dificultar a vida daqueles que realmente precisam do apoio das autoridades angolanas”.
“Há muita gente aqui que, aproveitando-se da situação, diz ser refugiado, só para beneficiar dos produtos que a gente procura entregar aos que necessitam do nosso apoio”, sublinhou, acrescentando que este comportamento é notório, com maior frequência, entre os cidadãos da República Democrática do Congo.

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