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Luachimo fornece energia ao Dundo

Armando Sapalo | Dundo

As obras de reabilitação, modernização e reforço da capacidade da Central Hidroeléctrica do Luachimo, localizada na cidade do Dundo, capital da província  da Lunda-Norte, estão a decorrer a bom ritmo  desde o seu arranque em Maio último.

O projecto emprega 200 trabalhadores, dos quais 80 por cento são nacionais
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro - Dundo

Com os primeiros ensaios previstos para finais de 2019, a empreitada está orçada em   212 milhões de dólares, e o prazo de execução é de 37 meses. 
Os trabalhos, que começaram em Maio deste ano, a cargo da empresa “China Gezhouba Group Company Limited (CGGC)”,  consistem no aumento da capacidade de produção de 8.4 para 34 megawatts de energia eléctrica.
A decisão de requalificação da central hidroeléctrica do Luachimo, construída em 1957 pela então Companhia de Diamantes de Angola, Diamang, foi tomada na se­quência da segunda Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros, de 21 de Agosto de 2013 e reforçada pelo Despacho Presidencial que aprovou o projecto e o contrato para a reabilitação e Reforço de Potência do Aproveitamento Hidroeléctrico do Lu­achimo, à luz da Lei numero 20/10, de 7 de Setembro, Lei de Contratação Pública de Angola.
Estima-se que, depois de concluído, o empreendimento venha a fornecer energia eléctrica a 186.371 famílias residentes na cidade do Dundo e nos municípios do Cambulo e Lucapa.
 O projecto  emprega  200 trabalhadores, dos quais 80 por cento nacionais, e inclui a construção de novas s estações e luma inha de transporte de alta tensão com mais de 300 quilómetros.
O traçado da linha de transporte de alta tensão passa pelas localidades de Fucau­ma, Cassanguidi, Luxilo, Nzaji, Cossa, Maludi, Lucapa e Calonda, zonas diamantíferas com fortes potencialidades agrícolas.
A reabilitação, modernização e aumento da potência da central hidroeléctrica do Luachimo está a ser supervisionada pelo Gabinete do Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK), representando o Ministério de Energia e Água.
O engenheiro Joaquim Garcia da Costa, director do  Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK), garantiu ao Jornal de Angola, o envolvimento total das partes  no processo, para que a obra seja concluída em Fevereiro de 2020, conforme previsto no contrato da empreita.
“O cronograma está salvaguardado e pretendemos que até finais de 2019 possamos começar os ensaios de funcionamento da barragem, uma vez que a obra deve ser concluída em Fevereiro de 2020\", garantiu Joaquim Garcia da Costa.
A nova infra-estrutura da central hidroeléctrica do Luachimo está projectada para dois pisos com 25 metros de largura, 20 de cumprimentos e 4 de profundidade, explicou o engenheiro Joaquim Garcia, avançando que, vão ser instalados, no interior da infra-estrutura, quatro turbinas, cada uma com a capacidade para gerar 8,5 Megawatts de energia eléctrica.
Outras acções que ressaltam o avanço substancial da obra é a ampliação do canal de água, dos anteriores 100 metros cúbicos para uma vazão de 240 metros cúbicos, além de intervenções profundas nos equipamentos electromecânicos e a substituição de algumas das seis comportas antigas.
O novo circuito hidráulico é constituído por tomada de água, canal de audição, câmara de carga e um canal de restituição, explicou o engenheiro Joaquim Garcia, que destacou também a modernização das salas de controlo, por meio da instalação de equipamentos de alta definição tecnológica.
 
Impacto económico

Apesar de a Lunda-Norte ser uma região  diamantífera, o Executivo angolano, em coordenação com o Governo Provincial, vai implementar, nos próximos anos, vários projectos fora deste sector com vista a acelerar o processo de diversificação da economia.
A aposta noutras actividades de crucial importância económica como agricultura, pecuária, indústria e exploração da madeira, é uma estratégia das autoridades locais, para promover o desenvolvimento sustentável da região e criar, cada vez mais, maior número possível de empregos para os cidadãos.
Além de garantir vitalidade aos programas económicos, o investimento no sector energético vai também conferir dignidade e melhores condições de vida às populações locais.
O engenheiro Joaquim Garcia diz acreditar em resultados imediatos do crescimento populacional da cidade do Dundo, configurando o surgimento de vários programas habitacionais e industriais e as vantagens do novo empreendimento energético na vida quotidiana da população local.
 “É um projecto avultado que vai concentrar aqui uma actividade intensa durante os próximos 37 meses e criar muitos postos de trabalho”, afirmou o director do GA­MEK, que supervisiona as obras da central hidroeléctrica do Luachimo.

                                                              Central térmica é alternativa

Com início das obras da hidroeléctrica do Luachimo, a central térmica, com capacidade de produção de 30 megawatts, assegura o fornecimento de energia eléctrica à cidade do Dundo e arredores.
O chefe de divisão local da PRODEL, Neves António, garantiu que a central térmica do Dundo, está “cem por cento”  preparada para fornecer energia eléctrica à toda cidade durante o período em que a hidroeléctrica do Luachimo estiver em obra, apontado as dificuldades de abastecimento regular de combustível como o grande obstáculo do funcionamento do equipamento, que necessita de cerca de um milhão e seiscentos litros de gasóleo para trabalhar 24 horas por dia.
A central térmica tem três tanques de combustível que exercem funções diferentes, e  alimentam oito geradores e cada consome 650 litros de combustível por hora. Para um período de 30 dias, por exemplo,  precisa de quatro milhões de litros, segundo Neves António.  Ao todo são 26 técnicos da Prodel que asseguram o funcionamento da central térmica do Dundo, distribuídos em quatro núcleos  que funcionam em  cinco turnos.

Restrições  
     
Apesar de a Prodel garantir que a central térmica está suficientemente preparada para fornecer energia eléctrica à cidade do Dundo e arredores, a realidade contrasta, a julgar pelos apagões que se verificam em alguns pontos da cidade.
Com excepção da centralidade do Mussungue, localizada no distrito urbano com o mesmo nome, vários bairros com grande aglomerado populacional ficam às escuras, numa altura que o índice de criminalidade na capital da Lunda Norte aumentou de forma assustadora.  O bairro Camaquenzo, no distrito urbano do Dundo, considerado maior palco de crimes praticados à calada da noite, é o exemplo concreto.

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