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Malária continua a matar no município do Chitato

Isidoro Samutula | Dundo

O município do Chitato registou no ano findo 73 óbitos por malária, com maior incidência sobre crianças dos zero aos 14 anos, num universo de 55.823 casos diagnosticados em diversas unidades sanitárias.

Responsáveis sanitários foram mais vez exortados para redobrarem esforços na assistência às comunidades do município do Chitato
Fotografia: Benjamim Cândido | Chitato

Um relatório da Repartição Municipal de Saúde informa que dos casos registados, 31.156 foram confirmados laboratorialmente, tendo causado a morte de 59 pessoas, e 24.667, sem confirmação em laboratórios, provocaram a morte de 14 indivíduos.
Durante o período em balanço, foram ainda registados 8.993 casos de diarreia com desidratação em menores de cinco anos, que resultaram na morte de 14 crianças e 6.738 outros casos de doenças respiratórias agudas, também em pessoas da mesma faixa etária, que originaram dez óbitos.
Além destes casos, as estatísticas apontam a morte de três outras crianças por sarampo e um óbito por Sida, num total de 198 casos registados.
No mesmo período, houve ainda 2.830 casos de infecções respiratórias agudas, 2.871 casos de síndrome gripal, 437 infecções transmissíveis sexualmente, 75 de má nutrição em menores de cinco anos, 37 de hepatites, dois de tétano e um de paralisia flácida aguda, mas sem registo de mortes.
O relatório sobre a situação sanitária do município aponta ainda que os serviços maternos registaram, no ano passado, 1.422 consultas pré-natais, 7.819 de obstetrícia, 5.184 de ginecologia. Os partos assistidos foram 3.714, dos quais 101 nados mortos. O município registou igualmente um caso de mortalidade materna, 271 cesarianas e 40 corretagens.
A Repartição de Saúde controla 18 unidades sanitárias públicas, sendo um Hospital Municipal, dois Centros de Saúde e 15 Postos de Saúde, além de oito postos médicos privados e 27 postos de venda de medicamentos.
Para garantir a assistência médica e medicamentosa, o município conta com cinco médicos nacionais e nove expatriados, quatro técnicos de diagnósticos e terapêutica angolanos e dois estrangeiros, 157 enfermeiros, 87 administrativos, sete auxiliares de limpeza, entre outros.

Melhoria da assistência


As condições de assistência médica e medicamentosa à população da Lunda Norte vão melhorar significativamente, nos próximos tempos, com a aplicação pelo Governo Provincial do programa de descentralização dos serviços municipais de saúde. O programa de descentralização permite a construção de várias infra-estruturas sanitárias para a redução da mortalidade nas unidades sanitárias da província.
A vice-governadora para o sector Político e Social, Angélica Nené Curita Ihungo, disse que a descentralização dos Serviços Municipalizados de Saúde reveste-se de uma importante responsabilidade, tendo em conta que aproxima mais a assistência sanitária à população.
Com esses serviços, as autoridades vão continuar a construir mais postos e centros de saúde, totalmente equipados, para que se possa garantir uma melhor assistência médica e medicamentosa. Angélica Ihungo, que falava na apresentação do novo director municipal da Saúde do Chitato, referiu que se deve prestar maior atenção ao programa de reforço dos Serviços Municipalizados de Saúde.
Os Serviços Municipalizados de Saúde na Lunda Norte funcionam apenas em quatro municípios, os de maior densidade populacional, como Chitato, Cuango, Cambulo e Lucapa.
Para funcionarem em pleno, é preciso que as Administrações Municipais tracem um plano de necessidades para que o Governo Provincial preste os apoios devidos.
Os directores municipais de Saúde devem trabalhar junto das comunidades, fiscalizando constantemente o funcionamento das unidades sanitárias no sentido da assistência médica e medicamentosa ser de qualidade e fazer com que a população sinta a presença dos Serviços de Saúde.
Os Hospitais Municipais devem merecer maior atenção das autoridades sanitárias, criando as condições necessárias para o tratamento de diversas patologias.
Os Postos e Centros de Saúde dos municípios devem funcionar em pleno para descongestionar o fluxo de pacientes nos Hospitais Municipais.
Para isso, o Governo continua a colocar à disposição dos Postos e Centros de Saúde meios necessários e medicamentos para melhorarem o atendimento à população, garantiu a responsável provincial.

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