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Milhares de adultos aprendem a ler

Armando Sapalo|Dundo

Mais de 10 mil adultos, na sua maioria mulheres, aprenderam a ler e escrever durante o ano passado, na província da Lunda-Norte, no âmbito do programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, em curso no país.

O enisno de adulto foi desenvolvido nas aldeias e povoações das diferentes comunas e circunscrições municipais da província
Fotografia: Jornal de Angola

Mais de 10 mil adultos, na sua maioria mulheres, aprenderam a ler e escrever durante o ano passado, na província da Lunda-Norte, no âmbito do programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, em curso no país.
A chefe de secção do Ensino Primário e alfabetização da Direcção Provincial do Ministério da Educação, Amélia Bianco, disse ao Jornal de Angola que 5.471 adultos foram alfabetizados no módulo que corresponde à primeira e segunda classes, enquanto 4.703 frequentaram as aulas do segundo módulo que corresponde à terceira e quarta classes.
Amélia Bianco recordou ainda que em 2009 foram alfabetizados na primeira e segunda classes 8.461 alunos dos quais 3.540 homens, e 4.958 que estiveram matriculados na terceira e quarta classes. 
Amélia Bianco informou que o processo de ensino e aprendizagem foi desenvolvido nas aldeias e povoações das diferentes comunas e circunscrições municipais da província. As autoridades do sector da Educação registaram o aumento considerável do número de pessoas adultas que manifestam o interesse em aprender a ler e escrever.
O processo de alfabetização na Lunda-Norte envolve 300 alfabetizadores, dos quais 42 são mulheres. Estão abertas 417 salas, número considerado insuficiente tendo em conta a grande adesão dos adultos ao programa, que se verifica sobretudo nas comunidades rurais. 

Apoio das igrejas

Amélia Bianco reconheceu os apoios prestados pela Igreja Católica e os serviços prisionais da Cacanda que têm estado a ceder a suas instalações para que os adultos possam aprender a ler escrever. Os apoios chegam igualmente da OMA e da JMPLA.
Amélia Bianco explicou que o Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, consiste em atingir os objectivos preconizados pelo Executivo que visam a redução gradual do analfabetismo. Reconheceu a falta de material didáctico, meios de transporte, dificuldades de acesso às zonas longínquas e a irregularidade no pagamento dos subsídios aos alfabetizadores. Mas assegurou que até ao final do presente ano, as previsões apontam para a alfabetização de 40 mil adultos em toda a província, sobretudo mulheres, que apresentam maior índice de analfabetismo.
“Apesar das dificuldades que vivemos, neste ano lectivo pretendemos alfabetizar mais adultos do que no ano passado” garantiu Amélia Bianco, revelando que a falta de um orçamento específico para o programa de alfabetização tem estado a confinar sua expansão às zonas recônditas 
 Maria Muzombo camponesa de 34 anos, residente no município do Chitato, reconhece a importância programa que visa combater o analfabetismo, firmando que uma mãe que sabe ler e escrever tem mais probabilidades de orientar convenientemente os filhos no processo de socialização. 
Aprender a ler e escrever reconheceu Maria Muzombo, “ajuda a mulher a ter informações sobre como prevenir-se de certas doenças como HIV-SIDA malária e outras que apoquentam a sociedade”.
Maria N´Gombe é aluna do programa de alfabetização de adultos. Disse à nossa reportagem que “o Governo Provincial está a criar as condições para que aquelas pessoas que por várias razões não estudaram pelo menos saibam ler”. Por isso, pediu a todos os adultos “que deixem a vergonha e venham aqui aprender”. Maria N’Gombe já consegue escrever o seu nome, o nome dos filhos, do marido e dos seus pais. Costa Kulissoho, alfabetizador do Município do Chitato, enalteceu a participação e vontade manifestada pelas mulheres que deixaram o preconceito de lado, procurando superar o analfabetismo. Mas lamentou a fraca participação dos homens. 

Falta de meios
 
Costa Kulissoho diz que a falta de material didáctico e um subsídio compatível ao corpo docente que assegura o programa podem nos próximos anos comprometer o bom andamento dos trabalhos.
“Este programa é muito importante porque sabendo ler e escrever. a pessoa consegue interpretar bem certos fenómenos sociais e permitem ajudar a preparar a geração jovem para o seu futuro.
Por isso é importante criar condições sociais para o êxito do programa. Costa Kulissoho citou Agostinho Neto, dizendo que “alfabetizar é um dever revolucionário por isso estamos a resistir às dificuldades”.

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