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Milhares de refugiados no sistema de ensino

Armando Sapalo/ Dundo

Crianças e adolescentes refugiados da República Democrática do Congo,  num total 4.753 cidadãos, abrigados no centro de assentamento do município do Lôvua, Lunda-Norte, estão desde o início des-te ano inseridos no sistema de ensino, desenvolvido pelos Serviços Jesuítas de Apoio aos Refugiados (JRS), revelou ao Jornal de Angola, o coordenador provincial da instituição, afecta à Igreja Católica.

Igreja Católica trabalha para que muitas crianças da RDC que se encontram em Angola aprendam a ler
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro

Tomé de Azevedo disse que o objectivo do Programa de Educação é facilitar a integração e inserção sociocultural das crianças e proporcionar um clima de harmonia, paz e amizade no seio de uma comunidade que procura sarar os danos físicos e psicológicos causados pelos conflitos étnico-políticos que viveram no país de origem.
O sistema que está a ser desenvolvido em quatro centros, em igual número de salas de aula, é assegurado por 39 professores, dos quais 19 angolanos e 20 auxiliares que são também refugiados.
Tomé de Azevedo informou que os professores auxiliares foram integrados no projecto, depois de passarem num processo de comprovação e selecção criteriosa, em função da formação pedagógica que trazem do seu país.
O coordenador do JRS afirmou que estão inscritos  2.266 cidadãos do género feminino e  2.487  masculinos. Quanto aos professores, 11 dos 39 são mulheres.
 O coordenador do JRS na Lunda-Norte disse que os níveis de ensino implementados no Programa de Educação, realizado no centro de assentamento de refugiados, vão da 1ª à 12ª classe, tendo sido introduzidos e ministrados conteúdos das disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Educação Moral e Cívica.
Segundo Tomé de Azevedo, o programa é financiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e é processado em conformidade com o calendário e conteúdos em vigência no sistema de ensino nacional.
“A pretensão do JRS e da Agência das Nações Unidas para os Refugiados é que o programa, a partir do próximo ano,  transite da informalidade para o sistema de ensino formal, passando ao crivo das autoridades governamentais”, disse Tomé de Azevedo.
Segundo o responsável “há abertura do Governo Provincial da Lunda-Norte e do Ministério da Educação, para que até ao próximo ano os centros de educação do assentamento de refugiados no Lôvua sejam transformados em escolas do sistema normal de ensino do país.
  Tomé de Azevedo disse que o programa carece de respostas integradas, pelo que está a ser construída uma infra-estrutura escolar de carácter definitiva, com oito salas de aula, “tendo em conta que a actual é precária”.
O ACNUR, segundo Tomé de Azevedo, projectou a construção de oito escolas que vão permitir o surgimento de 32 salas de aulas. “Isso pressupõe que o projecto será sustentável e vai servir, também, aos alunos das comunidades do município do Lôvua”.
 Tomé de Azevedo destacou que cerca de 50 crianças angolanas das comunidades do município do Lôvua, que no presente ano lectivo ficaram fora do sistema de ensino, têm participado das aulas nos centros de educação do assentamento de refugiados, onde alunos e professores se debatem com a falta de material escolar e didáctico. Para minimizar as dificuldades de material escolar, a Administração Municipal do Lôvua ofereceu 11.500 manuais diversos.
 
Estrutura etária
O coordenador dos Serviços Jesuítas de Apoio aos Refugiados na Lunda-Norte disse que  o maior número de alunos é dos seis aos 16 anos.  Da 1ª à 3ª classe estão inscritos alunos com idades compreendidas entre os seis e 11 anos, sendo que da 4ª à 6ª fi

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