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Monumentos e sítios clamam por cuidados

Isidoro Samutula| Dundo

O director provincial da Cultura, Costa Muacahiana, defendeu a necessidade de actualizar os conceitos e conjunto de normas e metodologia para a inventariação, documentação, divulgação, valorização e classificação do património cultural da província.

Edifício dos CTT na sede municipal do Chitato classificado como monumento histórico
Fotografia: Benjamim Cândido|

O director provincial da Cultura, Costa Muacahiana, defendeu a necessidade de actualizar os conceitos e conjunto de normas e metodologia para a inventariação, documentação, divulgação, valorização e classificação do património cultural da província.
Em declarações ao Jornal de Angola, o responsável da Cultura disse que existe uma permanente preocupação com a preservação, conservação, inventariação e a restauração dos monumentos e sítios, que, dado o seu estado de degradação, vai ameaçando a herança cultural dos nossos ancestrais. Costa Muacahiana sublinhou, no entanto, a necessidade do envolvimento da sociedade no resgate dos valores culturais, como forma de salvaguardar a unidade nacional e o enriquecimento da própria identidade cultural.
“É preciso que cada cidadão contribua para que se preserve a tradição e as nossas crenças de forma positiva, para que a futura geração possa conhecer com propriedade a nossa história”, disse.
O estado actual de conservação dos monumentos e sítios, salientou, não é um problema só do sector da Cultura, é também da sociedade em geral, visando salvaguardar e valorizar o património cultural. A província da Lunda-Norte, segundo Costa Muacahiana, conta com 33 monumentos e sítios identificados, de acordo com a sua importância histórica e sociocultural. Deste número, afirmou, estão apenas classificados como monumentos e sítios históricos o palácio da Administração municipal do Chitato, edifício dos CTT e a Estação Arqueológica de Bala-Bala.
O responsável revelou que o edifício do Museu Regional do Dundo, o monumento do Obelisco, a igreja da nossa senhora da Conceição, a igreja do Santo António do Chitato, a missão sagrada de Jesus de Mussuco, o acampamento e centro de primeira pesquisa mineira de diamantes em território angolano e a paróquia da nossa senhora de Fátima de Lubalo, são os sete monumentos e sítios inventariados e que estão em vias de serem classificados.
Pelo seu historial, disse Costa Muacahiana, a província da Lunda-Norte conta também com sítios históricos das batalhas de resistência contra a ocupação colonial, nas quais se destacam as batalhas de Khelendende, Camavu, Musuku, Tchiklandama, Luangue, Luchico, assalto no Capaia, resistência no Lóvua, ataque do Cajinga, fortins militares de Caungula, de Xá- Quilonge, de Cuilo e de Canzar.
Existem ainda, segundo o responsável, outros sítios históricos importantes que ainda não foram inventariados, como o riacho Musalala, ilha de Cakuruba no rio Chihumbue, montanha do Natxando, montanha do Nzaji, gruta de Canzar, jardim botânico Dr. John Gossweiler, jardim climático Dr. Carriço, cemitério municipal o Camatundo, lagoa de Catxipindji, regedoria de Ngulia Khama, travessia do rio Lumunhi e Cundungulu, lugar da sepultura dos restos do rei Kassanje.
De todos os monumentos e sítios citados, salientou, o Museu regional do Dundo e o monumento do Obelisco são os únicos que têm merecido atenção da população, tendo em conta o seu historial na vida cultural da província e do país.
“Infelizmente, o monumento do Obelisco e o museu, são os únicos que ainda recebem visitas da população, os restantes monumentos e sítios por falta de interesse e da divulgação constante, não despertam atenção da população”, disse.
De acordo com Costa Muacahiana, com o museu regional do Dundo fechado para o público, estando a beneficiar de obras de reabilitação, os turistas que passam pela cidade acorrem ao monumento do Obelisco devido aos dados históricos sobre o início da actividade de diamantes, pela antiga Diamang, a homenagem aos heróis que trabalharam na Lunda.
O monumento do Obelisco ou largo do Obelisco, como é conhecido, tem uma construção típica, apresentando-se de forma piramidal na base, estando nele inserido uma técnica peculiar com quatro lados iguais. Em cada uma deles estão estampados dados informativos da história, sendo que o primeiro descreve a “restauração” de Angola em 1648, o segundo, a chegada dos portugueses ao Zaire em 1483, o terceiro, a expedição portuguesa ao Muatxiânvua em 1912 e o quarto, a fundação da companhia de pesquisa mineira de Angola em 1912, na qual se descreve também as primeiras pesquisas de diamantes e a fundação da companhia de diamantes de Angola em 1912 e 1913.

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