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Município necessita de mais professores

Armando Sapalo | Dundo

O administrador municipal de Capenda Camulemba, Jorge Sassupi, afirmou, na sexta feira, ser necessário reforçar o sistema de ensino com mais 55 professores e 30 salas de aulas, com vista a expandir os serviços de educação às localidades distantes da sede municipal, de forma a diminuir, gradualmente, o número de crianças fora do sistema de ensino.

Novas infra-estruturas escolares estão a ser construídas no município de Capenda
Fotografia: Manuela Destinto |

O administrador municipal de Capenda Camulemba, Jorge Sassupi, afirmou, na sexta feira, ser necessário reforçar o sistema de ensino com mais 55 professores e 30 salas de aulas, com vista a expandir os serviços de educação às localidades distantes da sede municipal, de forma a diminuir, gradualmente, o número de crianças fora do sistema de ensino.
Jorge Sassupe adiantou que existem na circunscrição municipal do Capenda Camulemba 169 docentes, cinco dos quais provenientes da Escola de Professores do Futuro de Cabinda, no âmbito do projecto de “Ajuda ao Desenvolvimento do Povo para o Povo”, (ADPP). Este número é insuficiente para dar resposta às necessidades, tendo em conta o elevado número de crianças e jovens que revelam interesse em ingressar, pela primeira vez, no sistema de ensino e aprendizagem, sobretudo nos ensinos primário e de adultos. Este ano lectivo, estão matriculados 10.331 alunos nos subsistemas de ensino regular e de adultos.
O município possui apenas 15 escolas de carácter definitivo, com trinta salas, e 66 outras precárias, estando neste momento em construção duas novas infra-estruturas escolares do ensino primário, nas aldeias do Chilombo e Muhungo.
O sector de Cabembo, comuna do Kuale, a 230 quilómetros da cidade de Malange, está sem professores há dois anos. Segundo Fernando Zua, residente naquela localidade, à falta de docentes junta-se um posto médico para atender a população, entre outros problemas.
Um outro morador de Cabembo, Gaspar Cababa, referiu que um professor trabalhou apenas durante três meses na localidade, em 2007.
“Desde que abandonou a região, nunca mais tivemos professores. Estamos preocupados com o futuro dos nossos filhos, uns fizeram a primeira classe, outros a segunda, enfim, agora estão aqui sem fazer nada e nós, os pais, não encontramos solução para este problema. Já não sabemos o que fazer”, desabafou.Quanto à falta de um posto médico, os habitantes do sector mostram-se particularmente preocupados, uma vez que a localidade se situar a 27 quilómetros da sede municipal de Massango e a 22 da comuna do Kuale.
 “Quando há casos graves passamos muito mal, porque não temos transporte e às vezes o paciente acaba por morrer ao longo do percurso”, disse Gaspar Cababa. A situação torna-se ainda mais delicada em relação às mulheres grávidas. “Quando há complicações no parto, ficamos de mãos atadas, porque não encontramos soluções”, adiantou.

Soluções imediatas

O administrador comunal do Kuale, Salvador Domingos, confirmou os problemas com que se debatem as populações de Cabembo.
“A comuna não tem capacidade para resolver este e outros problemas”, referiu, frisando que já enviou um dossier para as instâncias competentes, para serem equacionadas soluções e permitir que aquelas populações encontrem o progresso desejado.
Também o administrador de Calandula, Manuel Campos, reconheceu que existem outras áreas nas mesmas condições de Cabembo, mas disse haver já um conjunto de medidas a ser tomadas para que, no próximo ano lectivo, as crianças voltem à escola.
“Nós adquirimos chapas de zinco para a construção de uma escola de carácter provisório e uma residência para o professor. Acabámos de receber agora 68 novos docentes e dividimos dez por cada comuna que o município dispõe e, neste caso, vamos dar prioridade ao sector de Cabembo”, disse o administrador.
Manuel Campos anunciou para esta semana uma visita a Cabembo para avaliar, no terreno, todos os problemas da comunidade. Afirmou, ainda, que as escolas em construção, com duas salas cada, vão, a partir do próximo ano lectivo, albergar mais de 90 alunos, pedindo por  isso aos responsáveis da Direcção Provincial da Educação para  reforçarem o município com mais professores.
“O Capenda Camulemba tem muitas crianças e jovens que estão interessados em estudar, mas a falta de salas, aliada à escassez de professores, leva alguns a enveredarem pelo garimpo “, lamentou.
No município, de acordo com Jorge Sassupi, funcionam apenas os sistemas de ensino primário, I ciclo e o Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, assegurado por 15 professores.
Garantiu que as autoridades locais estão a envidar esforços junto das estruturas governamentais da província, no sentido de se projectar a instalação do II ciclo do Ensino Secundário, concretamente o curso de Formação de Professores de nível médio. A concretização desse projecto vai permitir que os jovens que concluem  a nona classe tenham oportunidade de consolidar a sua formação académica, a partir do Capenda Camulemba, tendo em conta que muitos deles encontram como alternativa  o vizinho município do Cuango, ou então as províncias de Malange e Lunda-Sul.

 Saúde com dificuldades

Além da Educação, Jorge Sassupe salientou as inúmeras dificuldades que enfrenta o sector da Saúde no município, destacando o reduzido número de enfermeiros e médicos especializados.
Os serviços dispõem de dois médicos e 19 enfermeiros que garantem o funcionamento dos dois centros de saúde e dos três postos sanitários existentes no município.
Para ultrapassar as dificuldades relacionadas com a falta de técnicos no sector, o município precisa de mais quatro médicos e 100 enfermeiros, tendo em conta os programas do Executivo que visam a municipalização dos serviços de saúde.
A administração municipal, admitiu Jorge Sassupe, dispõe de verbas suficientes para a expansão dos serviços de saúde, com a construção de novas unidades sanitárias, aquisição de ambulâncias e medicamentos, remetendo para responsabilidades da contratação de médicos e restantes técnicos para a direcção provincial da saúde. 
A rede sanitária conta com três ambulâncias, duas das quais estão avariadas, provocando assim embaraços no transporte de doentes em estado grave para as unidades sanitárias de referência.

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