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Nova dinâmica para o Museu do Dundo

Armando Sapalo e Isidoro samutula|

As obras de reabilitação e renovação do Museu do Dundo, estão na fase de conclusão, decorrendo neste momento o trabalho de organização e estruturação da exposição permanente e organização dos diferentes compartimentos, para garantir com eficiência a preservação, investigação, valorização e divulgação da produção científica, cultural e patrimonial da instituição.

Ainda este ano o Museu do Dundo renovado e modernizado vai reabrir ao público para que este possa ter contacto com o rico acervo que possui sobre a história dos povos da região
Fotografia: Benjamim Cândido|



As obras de reabilitação e renovação do Museu do Dundo, estão na fase de conclusão, decorrendo neste momento o trabalho de organização e estruturação da exposição permanente e organização dos diferentes compartimentos, para garantir com eficiência a preservação, investigação, valorização e divulgação da produção científica, cultural e patrimonial da instituição.
A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, foi recentemente ao Dundo para constatar os trabalhos de estruturação das diferentes exposições do museu e os acertos finais, para a inauguração nos próximos dias da instituição, que ficou fechada ao público durante cinco anos.
Rosa Cruz e Silva disse que a exposição permanente do museu vai apresentar-se de acordo com os parâmetros internacionais, com vitrinas novas e adequadas ao ambiente museológico e novos pressupostos técnicos de iluminação, que vão permitir melhor conservação das peças.
O museu, reiterou a ministra, está a ser apetrechado com equipamentos que dão garantias de preservação segura e um espaço mais atractivo e padronizado, para que as pessoas possam conhecer o valor, a importância e abrangência do seu conteúdo. A ministra da Cultura garantiu que, apesar das obras de reabilitação do edifício central e renovação interna, o museu do Dundo vai manter-se fiel à preservação das características do seu acervo, baseado nas tradições dos hábitos e costumes dos povos da região.
Todo acervo etnográfico, realçou a governante, vai ser distribuído pelas diferentes áreas antes existentes que retratam a vertente política, social, a vida quotidiana doméstica da cultura dos povos lunda tchocwe, como a caça e a exposição da máscara do Muquixe. “Vamos ter um museu moderno e multidisciplinar, comportando sobretudo a área etnográfica com todos aportes, sendo que não vamos sair das características do seu acervo antes existente”, explicou a ministra da Cultura, acrescentando que no quadro da sua renovação, o museu vai igualmente contar com um laboratório de Biologia. A ministra Rosa Cruz e Silva assegurou que o museu conta também com uma biblioteca interna, que possui um total de 35 mil livros ligados as áreas de etnografia, arqueologia, filosofia, biologia e literatura da história universal. A ministra admitiu que a quantidade de livros existentes na Biblioteca do Museu é insuficiente e prometeu reforçar com novos títulos, com vista a responder à demanda dos pesquisadores e visitantes.

Evolução positiva

Rosa Cruz e Silva disse que, de acordo com o acompanhamento que está a ser feito pelo seu pelouro, a evolução da última fase da obra é aceitável, sublinhando que a grande dificuldade prende-se com o envio de alguns equipamentos essenciais para o Dundo, tendo em conta que a rede viária encontra-se em obras.
Não obstante esses constrangimentos, a ministra da Cultura ­afirmou ­estar satisfeita com o grau de execução física dos trabalhos e o empenho da equipa técnica encarregue da renovação da exposição.
“De acordo com o acompanhamento que estamos a fazer a evolução da obra é boa, embora tenhamos ainda algumas dificuldades no envio de equipamentos para o Dundo, onde algumas vezes temos de fazê-lo por estrada, outras por avião, mas que os constrangimentos continuam a ser enormes. Ainda assim estamos satisfeitos com o trabalho que está a ser feito pelos técnicos na renovação da exposição e foi por isso que vim para aqui apoiá-los”, disse na altura.
A ministra garantiu que estão a ser envidados esforços para que o Museu do Dundo seja reaberto ao público ainda este ano, tendo realçado a sua dimensão social, cultural e científica no contexto angolano e estudo dos hábitos e costumes dos povos da região Leste do país.
O director do Museu do Dundo, Fonseca Sousa, explicou que o novo roteiro concebido para a instituição mudou significativamente a cenografia, a disposição das salas e a designação e a inclusão de duas modalidades que não e­xistiam, como a de projecção de filmes etnográficos.

Novo roteiro

O museu, segundo Fonseca Sousa, vai contar ainda com um auditório, uma sala de conhecimento tradicional e moderno, um bazar e uma sala de exposição temporária para educação do público.
Explicou igualmente que está a ser preparada uma sala que vai retratar a ocupação colonial e a resistência do povo, na qual será exposta a figura do soba Kelendende, que resistiu à colonização e à ocupação portuguesa, bem como um painel informativo sobre o assunto de cada sala, projectores e iluminaria.
Para salvaguardar a segurança do material e da exposição museológica, o Ministério da Cultura, escalreceu Fonseca Sousa, acautelou-se com a montagem de um sistema de segurança moderno electrónico e humano para garantir o pleno funcionamento do museu.
A renovação do museu, disse, contempla ainda o recrutamento de novos quadros e qualificação do pessoal existente, para adequar as novas técnicas museológicas e corresponder às exigências do público. “Pretendemos imprimir uma nova dinâmica igual a muitos museus do mundo, com área tradicional e moderna”, enfatizou, sublinhado que serão criadas oficinas de arte dentro do museu para o abastecimento do Bazar.
Fonseca Sousa pediu a população para ter calma porque o Executivo está a desenvolver um trabalho de maior dimensão para que, quando reabrir, as pessoas reconheçam o esforço do governo e o museu possa oferecer aos investigadores material próprio para o conhecimento da cultura da região.
O também historiador referiu que o projecto de renovação do museu contempla também o laboratório de investigações biológicas, a estação arqueológica do Bala-Bala e a aldeia museu, salientando que a sua execução, será depois de terminar a exposição etnográfica do edifício central.
“O museu funcionou sempre assim, com todos esses serviços. Na falta de um deles estaríamos a amputar e a retirar a polivalência que o museu sempre teve”, esclareceu. Disse que é intenção do Ministério da Cultura reinaugurar todos os serviços no mesmo dia, incluindo a estação arqueológica, que funciona como um satélite na sala de pré-historia.
“Estamos a trabalhar para isso. Se não for possível a reintegração agora, a sala de pré-historia estará recheada de bruta, material lítico, material reconstituído de arqueologia, nos casos de paleolítico e neolítico, assim como da descoberta dos metais. Vamos ter também um quadro de evolução da espécie humana a partir do australopiteco até ao homosapien e crânios, para satisfazer a curiosidade do público”, disse Fonseca Sousa. Admitiu ainda que a estação arqueológica do Bala-Bala precisa também de uma renovação, nomeadamente da recuperação do edifício, do material que lá se encontra e a introdução de novos modelos de escavações utilizados actualmente. O Museu Regional do Dundo, de acordo com Fonseca Sousa, é uma instituição científica cultural, criada em 1936 pela Diamang, graças a um etnólogo português, José Redinha, que fez a entrega de uma colecção à emprea diamantífera para um projecto de grande envergadura e que terminou na construção do actual edifício em 1948.  Disse igualmente que o museu é um complexo multidisciplinar com estudos na área de etnografia, com maior afeição na história natural e arqueologia.
O museu, esclareceu, tem como dependências a estação arqueológica de Bala-Bala, aldeia museu e o laboratório de investigações biológicas, como estrutura de apoio às actividades de pesquisa sobre a flora e a fauna, tendo em conta os projectos agropecuárias da região.
É um museu reconhecido internacionalmente, afirmou, ressaltando que era um dos melhores na década de 50 na África Austral, e o melhor no país em termos de etnografia.
Revelou que o Museu do Dundo foi encerrado pela primeira vez em vésperas da independência e após a independência reabriu com a renovação da exposição.

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