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Obras da centralidade dão nova vida à cidade

Joaquim Aguiar |

Cerca de 1.500 apartamentos da nova cidade do Dundo estão concluídos e podem, nos próximos dias, receber os primeiros inquilinos.

Avanços no sector da habitação
Fotografia: Benjamim Cândido

Cerca de 1.500 apartamentos da nova cidade do Dundo estão concluídos e podem, nos próximos dias, receber os primeiros inquilinos.
Para imprimir maior dinamismo e velocidade à obra, cuja conclusão está prevista para Setembro, a construtora PAN-CHINA anunciou o reforço de mais 500 técnicos para as diferentes áreas de construção civil e o alargamento do período de horas extras, que passa das 17 horas até a meia-noite. A obra emprega actualmente quatro mil trabalhadores, dos quais dois mil chineses e igual número de angolanos.
A ser concluída, a nova centralidade do Dundo vai comportar 5.004 apartamentos para albergar mais de trinta mil famílias. Contempla ainda vários edifícios públicos, destacando-se o hospital com noventa camas, uma escola com 50 salas de aula, um infantário, um centro comercial, bombas de combustível, unidade policial e parques de estacionamento.
A nova e moderna cidade do Dundo está implantada numa área de 116 hectares e compreende prédios de dezoito, onze, nove e cinco andares com apartamentos de várias tipologias, entre T3, T4 e T5.
A cidade contempla 26 Km de asfalto, redes de abastecimento de água potável, drenagem das águas residuais e pluviais, rede de energia eléctrica com a respectiva iluminação pública, jardins e arruamentos com passeios e lancis.
O projecto de construção da primeira fase da habitação social do Dundo foi concebido pelo Executivo angolano e adjudicado à empresa PAN-CHINA em 2008. Devido a vários contratempos, com realce para a desminagem do terreno e atrasos no fornecimento dos primeiros equipamentos, a obra só teve início no dia quatro de Abril de 2009.
Jin Song, director geral da empresa PAN-CHINA, reconhece que ao longo da execução do projecto foram encontradas várias dificuldades, realçando a inadaptação da realidade angolana, em termos jurídicos e ambientais.
“Este projecto foi um grande desafio para a nossa empresa”, disse, afirmando que “estudamos ao pormenor todos os detalhes que permitiram ultrapassar todos os obstáculos, um após outro, ajustando e aperfeiçoando o organismo administrativo e a gestão da obra, para que o projecto ganhasse autonomia e maturidade”.
Mostrou-se confiante quanto à conclusão da imponente obra até Setembro e ressaltou a necessidade de imprimir velocidade à empreitada, por forma a cumprir as cláusulas contratuais entre o Executivo angolano e a sua empresa.
“Estamos comprometidos com o tempo, por isso, temos necessidade de reforçar o nosso quadro de pessoal qualificado com 500 técnicos, alargarmos o tempo extra e oferecermos incentivos aos trabalhadores”, disse, explicando que “dos novos técnicos, 200 estão a caminho da China para Angola, enquanto que os restantes serão recrutados entre as empresas chinesas que trabalham no nosso país”.
Jin Song disse igualmente que, apesar da cláusula contratual definir a entrega da obra em finais de Setembro deste ano, alguns trabalhos vão continuar, destacando a construção do centro de captação e distribuição de água e a estação de tratamento das águas residuais e pluviais, assim como acabamentos exteriores dos edifícios, arruamentos e valas de drenagem. Esclareceu que neste momento as zonas três e quatro, divisão de quarteirões que compreende 1.500 apartamentos, estão totalmente concluídas, restando apenas os acabamentos exteriores, que decorrem a um ritmo acelerado.

Percurso da obra

Em 2008 foram realizados testes geológicos ao terreno, tendo-se chagado à conclusão que o mesmo tinha capacidade máxima de sustentação para fundações de apenas 12 toneladas.
Após várias discussões entre a equipa técnica, concluiu-se ser necessário utilizar estacas com haste em espiral, tendo a empresa PAN-CHINA adquirido em princípios de 2009 quatro máquinas para a execução das mesmas.
Entre 2009 a 2011, foram postos em funcionamento vários serviços, tal como estruturas, água e electricidade, acabamentos dos edifícios, estradas e as obras que dizem respeito aos edifícios públicos. />Jin Song explica que para recuperar o tempo perdido devido a vários constrangimentos, “foi implantado um novo sistema de gestão consubstanciado na execução por peça, o que foi um modo eficiente e encorajador para os trabalhadores”. “Criou-se uma máquina que teve que ser afinada desde a mão-de-obra, qualidade, logística, plano de produção, até a compra de um simples parafuso, tudo a funcionar em cadeia”, disse.
O projecto está concebido com prédios construídos em grupos e uma vasta extensão de execução. Tecnicamente, segundo Jin Song, neste modelo qualquer falha pode causar atraso na execução, desperdício de material e perda de tempo na mão-de-obra.
A logística, enquanto peça fundamental do projecto, de acordo com Jin Song, apresentou inicialmente sérias deficiências, resultantes da inaptidão da empresa transportadora, a 5M, o que fez com que o material urgente não chegasse a tempo ao estaleiro do Dundo e muitas vezes em más condições.
Essas dificuldades, afirmou, foram paulatinamente ultrapassadas com empenho e esforço de todos os intervenientes, o que permitiu hoje ter uma empresa de logística eficiente e organizada.
A PAN-CHINA, segundo o seu director-geral, assumiu ao longo deste período a transportação dos seus trabalhadores de Luanda ao Dundo, tendo para o efeito adquirido um autocarro que, apesar de levar cerca de 20 horas de viagem, pode compensar gastos e constrangimentos devidos às dificuldades de transporte aéreo para a região.

Condições no terreno

No terreno, foram criadas as condições de alojamento e lazer dos trabalhadores expatriados, para promover um ambiente sadio e convivência harmoniosa longe das suas famílias. A residência principal é composta por dormitórios construídos em monocamada de dois andares e instalações compostas por refeitório, com capacidade para três mil pessoas, cantina e um pavilhão de basquetebol, que tem contribuído para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
Foi igualmente construída uma unidade sanitária para tratamento médico básico aos trabalhadores, integrada por vários médicos e enfermeiros. Os casos mais graves, os pacientes são transferidos para as unidades hospitalares de referência na cidade do Dundo. Para minimizar as necessidade de abastecimento de vegetais, foi criada uma horta, que permite regular a dieta alimentar dos trabalhadores.
O director-geral da PAN-CHINA destacou o facto dos primeiros dois anos terem sido marcados por alguns furtos nos estaleiros e nas residências, o que de alguma forma criou constrangimentos à segurança dos equipamentos e das pessoas.
Em Agosto de 2011, referiu, na sequência de uma carta da direcção da empresa às entidades da província da Lunda-Norte, foi criada uma unidade da Polícia de Intervenção Rápida no local, que passou a assegurar a ordem e a tranquilidade públicas.

Satisfação da autoridade tradicional

O soba Samacaca, da regedoria do Satxindongo, que reside na periferia da nova centralidade, manifestou-se satisfeito com o investimento que está a ser feito pelo Executivo angolano e disse que “este é um passo importante para promover o desenvolvimento económico e social da província da Lunda-Norte”.
Disse que a nova centralidade vai mudar a imagem da cidade do Dundo e interferir de forma positiva no modo de vida dos habitantes do seu bairro, “porque vão coabitar com pessoas de vários estratos sociais”.
“Nós vivemos aqui durante muitos anos, para ir ao centro da cidade era necessário meio de transporte, agora vamos ter escolas, hospitais e o mercado próximo das nossas casas”, disse o soba Samacaca, destacando a necessidade das autoridades criarem oportunidades de emprego para os jovens, para abandonar a delinquência e outros males que afectam a sociedade.
Apelou a população do seu bairro e aos futuros habitantes da nova cidade do Dundo a preservarem as infraestruturas que estão a ser construídas com bastante sacrifício “pelos melhores filhos deste país”.

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