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Padre Colm Reidy elogia mudanças

João Silva | Dundo

O administrador apostólico da diocese do Dundo, padre Colm Reidy, reconheceu o empenho do governo provincial da Lunda-Norte na melhoria das condições de vida das populações, durantes os últimos dez anos de paz, apesar de ainda faltar muito para se fazer, para garantir estabilidade económica e social dos cidadãos.

A igreja católica reconhece que o país alcançou ganhos substanciais nos últimos dez anos destacando a construção de escolas, unidades anitárias, sistemas de distribuição de água potável e energia eléctrica, estradas e pontes
Fotografia: Benjamim Cândido|



O administrador apostólico da diocese do Dundo, padre Colm Reidy, reconheceu o empenho do governo provincial da Lunda-Norte na melhoria das condições de vida das populações, durantes os últimos dez anos de paz, apesar de ainda faltar muito para se fazer, para garantir estabilidade económica e social dos cidadãos.
Em declarações ao Jornal de Angola, o padre da Igreja Católica reconhece ainda que foram obtidos ganhos substanciais, com realce para a construção de escolas, unidades hospitalares, instalação dos sistemas de produção e distribuição de água canalizada e energia elétrica, reabilitação das vias de acesso e pontes.
Colm Reidy frisou que apesar disso, falta ainda muito por se fazer, na medida em que é notória a inexistência de escolas nalgumas aldeias e povoações, onde há milhares de crianças sem acesso escolar, além da ausência de outros serviços sociais, para ajudar a desenvolver a região e o seu povo a crescer, a entender melhor os desafios em todos os domínios.
O administrador apostólico da Diocese do Dundo revelou que o mau estado das principais vias de acesso e pontes, sobretudo a circulação entre municípios e comunas, tem em grande medida contribuído para a subida do custo de vida na província e baixos níveis de desenvolvimento económico e social da região. “São exemplo disso os primeiros 50 quilómetros da estrada que liga o Dundo à povoação do Caita, e desta localidade à sede do município de Lucapa, cujas obras decorrem há mais de quatro anos, bem como a estrada Dundo-Nzagi, que precisa de uma intervenção urgente”, afirmou. O prelado católico acredita que as autoridades administrativas locais estão a desenvolver esforços para que sejam ultrapassados os problemas das vias de acesso, o que vai permitir que os cidadãos circulem em comodidade e segurança, garantido o exercício das trocas comerciais entre as diferentes localidades da região. Mostrou-se satisfeito com o início das obras de reabilitação do aeroporto do Dundo, o que “vai ajudar bastante em termos de abertura da província, porque tudo o que vier de fora fica mais barato e as pessoas podem circular à vontade”. A Igreja Católica, segundo o padre Colm Reidy, tem estado a acompanhar a execução dos programas de crescimento da província, em todos os domínios e sectores, afirmando que “como parceiro social do governo, temos prestado inúmeras contribuições, principalmente nos sectores da Educação e da Saúde”.
No sector da Saúde, o padre Colm Reidy disse que a Igreja Católica da Lunda-Norte disponibilizou as irmãs enfermeiras que colaboram em algumas unidades hospitalares, centros médicos periféricos, enquanto na área da educação, a igreja construiu e assegura o funcionamento de três escolas e uma missionária na sede municipal do Chitato e na cidade do Dundo. Nos municípios do Lucapa e Cambulo, segudo Colm Reidey, estão apadrinhadas igualmente três escolas primárias, estando para breve a abertura de um infantário no bairro Samacaca, na cidade do Dundo.

Avanços no respeito dos Direitos Humanos

Colm Reidy, que regressou ao Dundo em 2009, depois de ter trabalhado como missionário na Lunda-Norte entre os anos de 1985 e 1996, disse ter verificado mudanças substanciais relativamente a observação de valores sociais que devem caracterizar a pessoa humana.
De entre vários fenómenos que desrespeitam os direitos humanos, que acontecem no dia-a-dia, nesta região, o padre Colm apontou as acusações de feitiçaria, tanto contra as crianças como em relação aos mais velhos, como sendo situações graves que resultam na destruição de muitas famílias e instigação da violência a todos os níveis.
Apontou igualmente a violência doméstica, abuso sexual, delinquência juvenil, proliferação de congregações religiosas falsas, entre outros males atentatórios à vida humana, como problemas que devem ser resolvidos para conferir dignidade à vida humana. O diocesano condenou as pessoas que constroem casas em cima das campas, apesar de reconhecer a ignorância e a pobreza das mesmas. “Ouvi dizer nestes últimos dias, que há pessoas que estão a vender as campas dos seus ente-queridos, para a construção de moradias, isto é inacreditável”, sublinhou.
O padre defende que a pessoa deve ser enterrada com dignidade e sublinhou que os vivos têm a responsabilidade de tomar conta dos restos mortais dos seus familiares e assegurar que descansem em paz. Apelou as entidades competentes da província no sentido de serem tomadas medidas contra os cidadãos que violam os campos Santos.
Sobre a existência de Igrejas ilegais e sem princípios postulados na Bíblia Sagrada, o administrador apostólico da Diocese do Dundo começou por dizer que “Nós Todos somos criados livres por Deus, e as pessoas que prometem às mulheres com a ânsia de ter filhos e que não conseguem, esses falsos pastores que pedem avultadas somas monetárias e afirmam que tudo vai correr bem com a graça de Deus, não devem continuar a existir”.
Segundo o padre, esses falsos pastores, em nome de Deus, confundem a verdade com o erro e se proclamam como visionários do oculto, prevendo coisas inconfessáveis, e para a Igreja Católica nunca corresponde à verdade, porque ninguém tem a capacidade de ver o futuro.
Nesta óptica, o líder religioso apelou aos crentes católicos e a sociedade, a nunca aceitarem qualquer falsidade, apelando-os a saber avaliar as pessoas que se intitulam de pastores e a rejeitarem as religiões e crenças. No entender de Colm Reidy, para que os direitos humanos sejam respeitados, tanto pelas entidades do Estado, privadas e pelas comunidades, em primeiro lugar, devem colocar a pessoa no centro do trabalho sobre esse problema, estar a favor e ao lado dos direitos das pessoas de forma sã, adequada, com dignidade.
Por outo lado, disse o prelado, o acesso à luz eléctrica e água potável, a formação do homem, o emprego para os jovens de modo a garantir o salário para o seu sustento e dos seus familiares, assegurar o direito das crianças e dos mais velhos, são pressupostos que para os direitos humanos serem uma realidade devem ser respeitados e salvaguardados.

Resgate dos valores cívicos e morais

O administrador apostólico da Diocese do Dundo considerou as falsas ideologias e mentalidades adquiridas pelos angolanos, durante os longos anos de conflito armado, sobretudo a violência e a pobreza económica, como as principais causas da desestruturação das famílias.
Padre Colm Reidy destacou a violência nos lares, o desrespeito aos menores de idade e aos mais velhos, o alcoolismo, delinquência juvenil, o uso das drogas e prostituição, como principais males que afectam a sociedade e que devem ser banidos com o esforço de todos.
Criticou os meios de comunicação social que emitem novelas e outras matérias que muitas vezes transmitem contravalores, namoros e casamentos precoces, entre os vários hábitos e costumes que a nova geração vai adquirindo e que vai enfermando a sociedade angolana na sua estrutura social e familiar.
Sobre o processo de alembamento e casamento dos tempos passados em comparação com o actual, Colm Reidy disse notar muitas mudanças no cumprimento dos rituais tradicionais das comunidades, principalmente nos jovens, devido a globalização.
Por exemplo, admite o padre, hoje em dia os pais da noiva devido a pobreza, exigem muitos bens materiais nas cartas de pedido e ainda há o caso de vários jovens que namoram sem o conhecimento e consentimento dos progenitores, resultando com isso em gravidezes indesejadas e irresponsáveis.
O padre realçou que a Igreja Católica na Lunda-Norte tem tomado uma postura consequente em relação às pessoas que concebem e legitimam a constituição de famílias poligâmicas e consideram a abundância de meios materiais como forma de aliciar casamentos. A Igreja Católica é contra isso, disse.

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