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Professores recomendam criação de laboratórios

Armando Sapalo | Dundo

Professores de diferentes instituições escolares da Lunda Norte, que leccionam as disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia, defenderam a necessidade de serem  instalados laboratórios nos estabelecimentos do ensino secundário porque são ferramentas indispensáveis que permitem incentivar os alunos a seguirem cursos de ciências, tecnologias e inovação.

Alunos da escola primária e do segundo ciclo foram esclarecidos sobre a importância do estudo das ciências exactas
Fotografia: Benjamim Cândido

António Curita, professor de Química, ao falar durante a apresentação do projecto “Uma viagem ao mundo da ciência, tecnologia e inovação", considerou que o elevado índice de absentismo que se verifica nos cursos técnicos  deve-se à falta de laboratórios nas escolas.
As áreas das ciências são opções de carreira válidas para os jovens na escolha das suas profissões do futuro. António Curita disse que as disciplinas como Matemática, Física e Química são cadeiras que devem ser leccionadas com instrumentos práticos, com realce para os laboratórios, que são os melhores suportes no processo de ensino.
“Nós leccionámos as disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia apenas transmitindo conteúdos teóricos, quando elas exigem práticas, através de experiências laboratoriais", afirmou.  A maior parte das escolas, sobretudo as do segundo ciclo, não dispõem de laboratórios. Na Lunda Norte, referiu, a única instituição escolar que tem laboratórios é o Instituto Médio Politécnico 28 de Agosto do Dundo, onde, desde 2009, são ministradas aulas práticas de Química, Física, Electricidade, Construção Civil, Biologia e Mecânica, segundo António Curita.
Em muitos casos, disse António Curita, o recurso às aulas práticas, por via de laboratórios, é uma forma de despertar a curiosidade dos alunos, levando-os a ter alguma motivação e interesse nestas disciplinas.
António Curita elogiou ainda a iniciativa do projecto "Uma viagem ao mundo da ciência, tecnologia e inovação", considerando que permitem lançar bases para que as escolas e professores estimulem os alunos a optarem pelos cursos técnicos.

Responsabilidade das escolas

Francisco Quitamuca, director da escola primária e do segundo ciclo do Luachimo, no município do Chitato, que acolheu o acto do lançamento do projecto na província da Lunda Norte, afirmou que a instituição passa a ter responsabilidades acrescidas no que se refere à ajuda de alunos que se dediquem às disciplinas exactas, para que escolham profissões técnicas.A escola recebeu da organização do projecto jogos pedagógicos, no âmbito de uma parceria com a empresa “Science4you”, especializada na área de brinquedos científicos. A partir de agora, 1.750 alunos da instituição passam a ter contacto com as ciências experimentais.
Francisco Quitamuca ficou satisfeito pelo facto dos alunos da escola terem recebido, também, brochuras com conteúdos que abordam a importância na vida das pessoas do estudo de disciplinas como a Matemática, Física e Química.
O director garantiu ainda que a escola vai prestar todo o apoio aos alunos para participarem no concurso nacional de redacção, proposto pelo projecto, com o tema “O que quero ser quando for grande e por quê”.
A coordenadora nacional do projecto “Uma viagem ao mundo da ciência, tecnologia e inovação”, Margarida Guerra, explicou que o principal objectivo é incentivar as crianças em idade escolar a escolherem profissões técnicas, nas áreas da Física Nuclear, Matemática, Física, Química, Informática. Fez um balanço positivo da actividade realizada na Lunda Norte, tendo revelado que participaram 1.600 alunos das escolas localizadas nos municípios do Chitato e Lucapa.
A vice-governadora da província da Lunda Norte para o sector Político e Social, Angélica Nené Ihungo, disse que a iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia é um motivo de satisfação, por constituir o ponto de partida para a formação de quadros em áreas que apresentam um elevado défice.
Angélica Ihungo assegurou que o Ministério da Ciência e Tecnologia assume a responsabilidade de prestar um contributo ao Plano Nacional de Formação de Quadros, que visa garantir a formação de técnicos altamente qualificados, com reflexos positivos na competitividade e na valorização da juventude angolana.

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