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Promoção da mulher combate a violência que destrói os lares

João Silva | Dundo

A falta de um centro de aconselhamento para atender os inúmeros casos de violência doméstica que se registam diariamente, constitui a principal dificuldade da Direcção provincial da Família e Promoção da Mulher na Lunda-Norte, disse ao Jornal de Angola, no Dundo, a responsável do sector, Lurdes Canona José.

A directora Lurdes Canona apela as mulheres a participarem na reconstrução do país
Fotografia: Benjamim Cândido|

A falta de um centro de aconselhamento para atender os inúmeros casos de violência doméstica que se registam diariamente, constitui a principal dificuldade da Direcção provincial da Família e Promoção da Mulher na Lunda-Norte, disse ao Jornal de Angola, no Dundo, a responsável do sector, Lurdes Canona José.
A responsável explicou que essa situação tem-se repercutido no recrudescimento de casos de violência doméstica, adiantando que de Janeiro a Junho deste ano o sector registou e atendeu mais de 90 queixas de natureza diversa, na sua maioria do município do Chitato. Lourdes Canona José apontou o índice acentuado de pobreza económica no seio das famílias, a fuga à paternidade, o elevado nível de analfabetismo, a falta de diálogo e o amor fraterno entre os casais, como sendo as principais causas de conflito nos lares.
Disse igualmente que o incumprimento da mesada para filhos de casais divorciados resulta em consequências negativas na vida dos filhos, que em muitos casos provocam lesões psicológicas e físicas graves, sofrimentos e outros danos que até resultam em mortes.
Lurdes Canona José disse que o seu sector tem promovido o diálogo aberto com todos os intervenientes nas queixas apresentadas sobre os variados casos de violência doméstica que diariamente a Direcção da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Norte recebe, aconselhando para a necessidade de observância da política do género, amor, harmonia, solidariedade e o espírito humano, entre outros, para uma vivência sã e digna.
Neste sentido, a directora incentiva a camada feminina da província a aderir aos estudos, recuperação académica, a participar nas aulas de alfabetização e a inserir-se nos sectores produtivos e económicos, para ultrapassar os índices de pobreza, que constitui um dos factores da violência nos lares.
Abordada sobre a atenção prestada às mulheres e famílias camponesas da província, Lourdes Canona adiantou que a sua instituição tem trabalhado com as mulheres de todos os estratos sociais, com maior realce para as do campo, prestando apoios multiformes, como acesso às aulas de alfabetização, entrega de materiais agrícolas, cesta básica e roupas usadas.
Lurdes Canona José disse ainda que o sector que dirige promove com regularidade palestras sobre as políticas do género, violência doméstica e a importância das famílias na sociedade e realização de feiras anuais da mulher rural, no sentido de esclarecer e incutir nas mulheres atitudes e comportamentos que possam criar um ambiente saudável nos lares.
A Direcção da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Norte, disse, tem elaborado um programa de actividades que visa proteger e promover as famílias e que está em curso.
A Lunda-Norte assinalou a quatro de Julho 34 anos desde que ganhou o estatuto de província. A responsável do sector que tutela as políticas de protecção das famílias disse que a efeméride foi aproveitada para fazer uma reflexão profunda sobre os variados problemas que afectam a camada feminina, sobretudo a mulher africana, pelo facto do mês de Julho ser dedicado a esta franja da sociedade. A ocasião, segundo a directora, foi igualmente aproveitada para enaltecer os feitos do Executivo na promoção do bem-estar das populações, durante os dez anos de paz, como a reabilitação e construção de sistemas de produção e distribuição de água e energia eléctrica, da nova centralidade do Dundo, de pontes e pontecos, escolas, hospitais, centros e postos médicos, embelezamento da cidade do Dundo e a revitalização do projecto agro-pecuário de Cacanda, que estava transformado num monstro adormecido.
A directora da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Norte expressou uma mensagem de conforto às famílias, aconselhando-as a não pautarem pela violência e serem unidas, para construir uma província boa para se viver, a exemplo de outras onde os valores da sã convivência e do respeito pela dignidade humana e valorização do género registam avanços e contribuem para uma sociedade melhor.
Lourdes Canona José apelou ainda aos cidadãos angolanos em idade de votar, com particular realce para as mulheres da Lunda-Norte, a estarem atentas durante a preparação e a realização das próximas eleições gerais. “Não devem esquecer-se que a mulher é a maioria da população do país e o seu voto vale muito”, referiu. A directora provincial da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Norte frisou que além da indisponibilidade do centro de aconselhamento, o sector depara-se ainda com a falta de um edifício próprio para o funcionamento condigno, recursos financeiros e meios de transporte, para que os serviços de protecção e promoção familiares cheguem às zonas rurais. Apesar dessas dificuldades, Lourdes Canona afirmou que a sua instituição tudo tem feito para serem ultrapassadas, sem esperar que as mesmas dominem os objectivos do sector de proteger e promover as famílias, sobretudo as mais vulneráveis.
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