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Quem abandonou está a regressar

João Silva |

O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Fome e à Pobreza, no município de Capenda-Camulemba, província da Lunda-Norte, está a ser implementado com transparência e rigor, com vista a melhoria das condições de vida das populações locais.

A implantação dos serviços de saúde a nível do município está a melhorar a assistência médica e medicamentosa às populações
Fotografia: Benjamim Cândido|

O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Fome e à Pobreza, no município de Capenda-Camulemba, província da Lunda-Norte, está a ser implementado com transparência e rigor, com vista a melhoria das condições de vida das populações locais.
O município de Capenda Camulemba, de acordo com o administrador municipal, Jorge Sassupi, está a conhecer um crescimento acentuado nos últimos dez anos, com a recuperação e construção de infra-estruturas sociais, económicas e administrativas.
Jorge Sassupi disse ao Jornal de Angola que o suporte financeiro do município, no presente ano económico, está estimado em 333 milhões de kwanzas, dos quais 214 milhões são destinados para a execução do programa geral de desenvolvimento e 119 milhões para o sector da saúde.
Com os investimentos que estão a ser realizados, segundo Jorge Sassupi, é possível hoje verificar com satisfação o regresso das pessoas que abandonaram o município nos momentos difíceis, atraídos pelos níveis de desenvolvimento das actividades agrícolas e o surgimento de novas infra-estruturas habitacionais.
Com uma população estimada em mais de 80 mil habitantes, o município conta com duas escolas e nove salas de aula na sede municipal, além de várias escolas construídas na comuna do Xinge, nos bairros do Tchilombo e Kangola. Este ano, segundo Jorge Sassupi, entram em funcionamento novas escolas nos bairros Muxinda e Xamiquelengue, para beneficiar as crianças do ensino primário e primeiro ciclo do ensino secundário.
O sistema de ensino no município é assegurado por 116 professores, número que Jorge Sassupi considera reduzido, tendo em conta o surgimento de mais estabelecimentos escolares e o elevado índice de crianças para enquadramento no sistema normal de ensino.

Sector da saúde

No sector da Saúde, Jorge Sassupi disse que o município possui dois centros médicos, cinco postos de saúde, instalados na sede municipal, na comuna do Xinge e nos bairros de Cangola, Mafica e Cassange Cambolo, tendo assinalado a construção de mais dois centros médicos para garantir assistência sanitária às populações de Muxinda e Xamiquelengue.
O sistema de saúde do município conta com dois médicos, um expatriado e outro nacional, e dez enfermeiros, que asseguram o funcionamento do centro médico municipal.
Quatro ambulâncias garantem o transporte dos doentes das unidades sanitárias da periferia para o centro médico municipal ou hospitais de referência nas cidades mais próximas, com destaque para Saurimo e Malange.
O administrador municipal sublinhou a necessidade de se contratar, pelo menos, mais sete médicos de várias especialidades e elevar o número de enfermeiros para assegurar a cobertura sanitária às populações e, sobretudo, combater as doenças frequentes, como a malária, sarampo, paludismo e anemia.
 
Novas infraestruturas

O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza está a propiciar o surgimento de novas infra-estruturas, destacando-se a construção da sede da administração municipal, que deve estar concluída e apetrechada ainda este ano, uma casa protocolar, o edifício anexo a residência do administrador, a casa social que vai ser equipada com material informático para que a juventude tome contacto com as novas tecnologias de informação e instalações da administração comunal do Xinge.
Jorge Sassupi disse que estão igualmente em curso as obras de construção de um complexo residencial composto por cinco moradias para os professores do ensino primário, na comuna do Xinge. Em execução está também o projecto de construção de 200 casas evolutivas para a população carenciada e a construção de mais 25 casas, no quadro do programa de auto-construção dirigida.
Os munícipes de Capenda Camulemba, realçou o administrador, estão bem servidos com energia e água. Neste momento - disse -, estão em curso outros projectos visando aumentar a capacidade de produção e colocar esses serviços mais próximo da população.
Nas sedes municipal e comunal do Xinge, explicou, o fornecimento de energia eléctrica é assegurado por um grupo gerador de 500 Kva, prevendo-se nos próximos tempos a aquisição de grupos geradores para garantir as ligações domiciliárias e iluminação pública.
O abastecimento de água na sede municipal é garantido por um sistema de captação e distribuição domiciliária, incluindo chafarizes, estando neste momento em curso o programa de furação de poços subterrâneos nos diferentes bairros, para beneficiar mais populações.
O administrador municipal de Capenda Camulemba assegurou que está igualmente a ser projectada a construção de infra-estruturas para a massificação da actividade desportiva, além de criar políticas para inserir os jovens no mercado do emprego, através de concursos públicos nos sectores da educação, saúde e regime geral da função pública.  Para a ocupação dos tempos livres da juventude, Jorge Sassupi disse estar em curso um projecto de construção de uma casa social, um jango e hospedaria com uma discoteca e vários serviços, para que a juventude possa desenvolver as suas habilidades na dança e música. Para concretizar as políticas juvenis, o administrador municipal de Capenda Camulemba convidou os empresários a incentivarem e promoverem acções que visam atrair a atenção da juventude, “porque em qualquer país do mundo, nem sempre é o governo a fazer tudo para benefício das populações, mas sim, tem que ser com a participação da sociedade”, disse.

Saneamento básico

O município de Capenda Camulemba debate-se com problemas de saneamento básico, sobretudo no bairro Muxinda, construído por cima de um lençol de água, facto que constitui um perigo enorme para as pessoas quando chove.
Para fazer face a situação, Jorge Sassupi disse estar empenhado no programa que visa construir as valas de drenagem, de forma a desviar os cursos das águas pluviais e residuais, que são a principal causa de várias patologias naquela comunidade.
Apelou, no entanto, a população de Muxinda a adoptar uma postura responsável, observando os mais elementares procedimentos e práticas que promovam o saneamento básico, enquanto esperam pelo reinício das obras de construção de valas de drenagem, abandonadas pelo empreiteiro sem alguma informação à administração municipal.
Jorge Sassupi garantiu que vão ser tomadas medidas judiciários em relação ao empreiteiro e assegurou, por outro, a contratação de uma empresa idónea para continuar o trabalho, por forma a melhorar o saneamento básico do bairro mais populoso do município de Capenda Camulemba.
O município de Capenda Camulemba controla 66 autoridades tradicionais, entre regedores, sobas, sobetas e, segundo Jorge Sassupi, é aceitável o relacionamento que existe entre as diferentes entidades. O diálogo para a resolução dos problemas sociais e económicos daquela circunscrição administrativa é a via privilegiada usada para abordagem das questões que afligem a comunidade.

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