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Ravina ameaça destruir centralidade do Dundo

Vitorino Matias | Dundo

Cerca de 71 ravinas em progressão ameaçam destruir infra-estruturas sociais e residenciais em várias localidades da província da Lunda-Norte, principalmente, na cidade do Dundo e nas vilas do Lucapa e Cafunfo.

Progressão da ravina na localidade está a causar muitos constrangimentos aos moradores das redondezas
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro | Dundo

Na cidade do Dundo, a ravina que está a progredir em direcção à centralidade do Mussungue, segundo alguns especialistas, tem como causa principal a falta de infra-estruturas de macro drenagem das águas pluviais na região. 
Desde o início da presente época chuvosa, em Setembro do ano passado, várias infra-estruturas como estradas, residências, escolas, centros médicos e casas de populares têm sido destruídas pelas fortes chuvas que caiem na província da Lunda-Norte.
Para avaliar o impacto negativo das ravinas, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares, trabalhou na quarta e quinta-feira na província da Lunda Norte, para em conjunto com autoridades locais encontrarem as melhores vias para travar a progressão das ravinas.
Manuel de Almeida considerou “assustadora a situação” das ravinas na Lunda Norte, devido á rápida progressão, sublinhando que  devem ser encontradas com urgência medidas para se travar o andamento das mesmas, “tendo em linha de conta a gravidade da situação”. Sem avançar a data do início dos trabalhos de estancamento das ravinas, Manuel Almeida disse que, enquanto não existir cabimentação financeira, as primeiras medidas devem existir no sentido de reduzir a intensidade das águas pluviais, argumentado que se tratam de “fenómenos naturais que surpreendem constantemente”, daí,“ a necessidade das devidas precauções” .
“No momento o sector vai direccionar acções para impedir a progressão dos aluviões em todo o país”, avançou o ministro que adiantou que, os estudos passam pela criação de um núcleo para a análise da situação dos solos, no que toca a vegetação, intensidade da pluviosidade, escoamento e o factor hidráulico.
O dirigente governamental recomendou também a plantação de vegetação para estancar a progressão das ravinas, como os eucaliptos e bambus, e, a colocação de pedras nos canais de água.
No município do Lucapa, o número um do Ministério da Construção e Obras Públicas constatou a evolução das três grandes ravinas, uma das quais que tem três ramificações. No Dundo, visitou três ravinas, uma na Estrada Nacional 180, outra na Centralidade do Dundo e a terceira no Distrito Urbano do Mussungue. 
As autoridades do Dundo têm alertado que no Bairro Aeroporto, a ravina que está junto ao rio Caluembe poderá cortar o tráfego na Estrada Nacional 225. A mesma ravina ameaça destruir uma escola do ensino primário do bairro Roque Santeiro e outras infra- estruturas sociais e residenciais adjacentes à zona de risco. Durante a sua estada na Lunda Norte, Manuel Almeida visitou o campo de assentamento dos refugiados no município do Lóvua, para averiguar a evolução dos trabalhos de melhoramento das condições de instalação, sobretudo, no que toca às obras de arruamento e loteamentos do campo.
O morador do bairro Roque, arredores do Lucapa, João Naweje, disse que a sua casa caiu parcialmente durante a noite enquanto dormia, e enfrenta o risco das paredes caírem todas. "Graças a Deus nada de mal aconteceu com a minha família, mas perdi todos os bens", salientou acrescentado que à semelhança do que aconteceu consigo, “muitos vizinhos perderam as suas moradias devido às chuvas que estão a provocar erosão dos solos”.
Já o cidadão Iambo Martins, morador da centralidade do Dundo e coordenador da zona 4, apela às autoridades competentes para “intervir com certa urgência” e travarem as ravinas que estão a progredir em direcção aos prédios da centralidade.
“Uma cidade nova onde o Estado gastou rios de dinheiro não pode estar sujeita aos estragos de uma ravina cuja progressão pode ser travada”, desabafou, apelando, contudo à sensibilidade para com as vidas humanas que estão em perigo. “Se as entidades de direito não pensam nas infra-estruturas que vão desabar devido ao andamento das ravinas, pelo menos pensem nas pessoas que vivem nos arredores”.

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