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Ravina que ameaça vila de Cafunfo está sob controlo

Victorino Matias | Cafunfo

Uma ravina com cerca de 20 metros de profundidade, 300 de comprimento e 40 de largura, que ameaça zonas habitadas da vila de Cafunfo, município do Cuango, na Lunda Norte, começou esta semana a ser estancada pela Administração Municipal, para evitar a desagregação da vila e salvaguardar a vida das pessoas que vivem nas zonas consideradas de risco.

Administração Municipal começou a estancar a ravina que ameça Cafunfo para evitar a desagregação da vila e salvaguar a vida das pessoas
Fotografia: Joaquim Aguiar | Cafunfu

A empreitada está a cargo da empresa de construção civil “Sete Cunhas” e o investimento está avaliado em dois milhões de dólares. 
Nuno Ribeiro, responsável pelas obras de estancamento das ravinas em Cafunfo, disse ao Jornal de Angola que o objectivo das autoridades administrativas do município do Cuango é diminuir substancialmente os riscos que as ravinas representam para várias infra-estruturas sociais e habitacionais na região.
Os trabalhos incluem a plantação de árvores à volta do perímetro das ravinas estancadas, para impedir a sua progressão.
As ravinas já destruíram cerca de 30 residências no bairro Gica, o troço rodoviário que liga Cafunfo à sede comunal do Loremo e tornaram a vida de centenas de famílias num pesadelo, por estarem a viver em zonas de risco. A interrupção dos cursos de água, devido à concentração do lixo produzido pela população, e as constantes chuvas que caem sobre a localidade de Cafunfo estão na base do surgimento das  ravinas, segundo os especialistas.

Realojamento de famílias


Nuno Ribeiro disse que para facilitar a movimentação das máquinas, durante o processo de compactação dos terrenos, foram demolidas algumas residências que estão muito próximas da área de trabalho.
“De forma a facilitar o nosso trabalho, houve necessidade de se demolir seis residências que, por sinal, se encontravam também em zona de risco, no sentido de permitir a circulação das máquinas sem qualquer tipo de perigo”, referiu.
No projecto está contemplada a construção de uma passagem hidráulica em betão armado, no sentido de permitir o escoamento das águas residuais e pluviais e atenuar os elevados índices de erosão dos solos.
Além das obras de contenção das ravinas, são efectuados trabalhos de impacto ambiental, como a reposição da camada vegetal, através da plantação de árvores e criação de jardins e evitar o fenómeno de erosão.
O administrador municipal do Cuango, Luís Figueiredo Muambongue, disse que as famílias desalojadas por consequência das obras são assistidas pela Administração com meios de construção civil. As 30 famílias que perderam as suas moradias por viverem em zonas de risco vão receber individualmente apoios, consubstanciados em 30 chapas de zinco e igual número de sacos de cimento. Os munícipes vão poder, com esses meios, erguer as suas residências numa zona onde a Administração Municipal criou condições condignas, tais como a desmatação e arruamentos. “Neste momento, os sinistrados vivem em casas de aluguer e alguns estão nas casas dos familiares, segundo o administrador. Essas famílias vão aproveitar a época de cacimbo no sentido de construírem as suas casas, sem medo de serem derrubadas pela chuva”, precisou.

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