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Ravinas na cidade do Dundo estão com os dias contados

Isidoro Samutula|Dundo

Os trabalhos de estancamento das quatro principais ravinas da cidade do Dundo, uma das quais ameaçava a destruição de prédios da zona 4 da centralidade do Mussungue, decorrem a um ritmo acelerado e podem ser concluídos no próximo mês de Dezembro.

Além de edifícios da centralidade de Mussungue estavam ameaçadas várias infra-estruturas
Fotografia: Benjamim Cândido | Edições Novembro | Lunda- Norte

A constatação é do vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, arquitecto Lino dos Santos, que foi ver o andamento das diferentes obras públicas em curso, com previsão de serem concluídas ainda este ano, com incidência para os 26 quilómetros da estrada nacional 225 e respectivas pontes.
Em relação às ravinas, o vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas defendeu a construção de valas de drenagem de céu aberto, em detrimento de tubos de um metro e meio de diâmetro, que a empreiteira pretende colocar, alegando as especificidades da região, onde as chuvas se registam de forma intensa durante praticamente noves meses.
O arquitecto justificou que a utilização das valas de drenagem de céu aberto facilita a sua manutenção e permite também que os resíduos sólidos, que muitas vezes são transportados pelas enormes correntes das águas pluviais, possam facilmente ser encaminhados para as zonas mais baixas.
“A drenagem das águas das chuvas, através dos tubos, não é um processo consistente, porque pode funcionar correctamente numa primeira fase, mas com o tempo e o acúmulo de lixo poderá apresentar problemas, porque os tubos estão dimensionados apenas para um determinado caudal”, salientou.
Para contornar este pressuposto técnico, Lino dos Santos prometeu conversar com os responsáveis da empresa GRINER, a quem o Governo adjudicou as obras de estancamento das quatro principais  ravinas na cidade do Dundo.
 “Temos de alterar o sistema de drenagem das ravinas, enquanto ainda é cedo”, disse, reiterando a tomada de decisões técnicas que garantam maior consistência no combate às ravinas e evitar descarrilamentos, principalmente devido aos problemas de escoamento das águas pluviais, através dos tubos que estão a ser previstos nesta empreitada.
“Nesta região, as chuvas são fortes e a dado momento os tubos não irão suportar o caudal das águas que muitas vezes atingem níveis elevados, podendo danificar, com o tempo, os tubos e voltarmos a ter no futuro os mesmos problemas”, ressaltou.
Lino dos Santos sublinhou a necessidade de encontrar-se consenso entre as autoridades locais, beneficiárias da obra, e a empresa construtora, para que as obras públicas sejam mais duradouras e sirvam os interesses do Estado e da população por mais tempo. O vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas mostrou-se satisfeito com o ritmo dos trabalhos e pelo facto de estar a ser mantido o traçado dos anteriores troços, com duas faixas de rodagem, uma plataforma de nove metros e um metro e meio de berma de cada lado, o que, segundo Lino dos Santos, se enquadra nos padrões do projecto.
O director das obras de estancamento das ravinas da empresa GRINER, João Rodrigues, informou que vão ser feitos aterros nas cabeceiras das ravinas, um trabalho que deve começar nos próximos dias.
Foi desmatada uma área de 15.000 metros quadrados e criado um sistema de protecção provisório, com sacos de areia, para desviar as águas da chuva para fora da área de serviço, declarou o responsável das obras da empresa GRINER.

Obras na Estrada 225
Depois de constatar o desenvolvimento das obras de estancamento das ravinas, o vice-governador da Lunda-Norte para o sector Técnico e Infra-estruturas foi ver a reabilitação dos 26 quilómetros da Estrada Nacional 225 e a construção da ponte sobre o rio Luxico, também sob responsabilidade da construtora GRINER.
O director da obra, Mário Mendonça, destacou a celeridade dos trabalhos, apesar de reconhecer que a chuva que cai intensamente na região continua a ser um obstáculo a vencer.
“Em função dos constrangimentos das chuvas, reforçamos as equipas de trabalho para aproveitar os períodos de melhor tempo e evitar atrasos na execução física da obra, que já conta com um ligeiro atraso, tendo em conta a planificação inicial”, explicou Mário Mendonça.
Nesse troço rodoviário, de 26 quilómetros da Estrada Nacional 225, está contemplada a construção da ponte sobre o rio Luxico, cujas obras decorrem a bom ritmo.
Segundo Mário Mendonça, a ponte será de estrutura mista, com os encontros em betão, um vão de 30 metros e um tabuleiro em estrutura metálica, com três vigas mestre de um metro e meio de altura. A ponte sobre o rio Luxico deve estar concluída em Dezembro deste ano, de acordo com a previsão dos técnicos da empresa GRINER.
A Estrada Nacional 225 tem um percurso de 504 quilómetros e interliga a cidade do Dundo, capital da província da Lunda-Norte, e seis municípios do sudeste da província (Lovua, Cuilo, Lubalo, Caungula, Cuango e Xá-Muteba). A sua construção começou em 2013, mas, devido à crise, 26 quilómetros e uma ponte estão por concluir.

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