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Rede sanitária da província foi ampliada

Armando Sapalo |

O processo de reconstrução nacional em Angola iniciado em 2002, com a assinatura dos acordos de paz, contribuiu significativamente para a melhoria dos serviços de saúde a nível da província da Lunda-Norte, através da ampliação e expansão da rede sanitária local em todas as sedes municipais e comunais.

Reconstrução permite progressos no atendimento médico
Fotografia: Eduardo Pedro



O processo de reconstrução nacional em Angola iniciado em 2002, com a assinatura dos acordos de paz, contribuiu significativamente para a melhoria dos serviços de saúde a nível da província da Lunda-Norte, através da ampliação e expansão da rede sanitária local em todas as sedes municipais e comunais.
O director provincial da Saúde, Pedro José António, disse em entrevista ao Jornal de Angola que durante o conflito armado, na Lunda-Norte, mais de 70 por cento das unidades sanitárias ficaram inactivas, comprometendo assim os cuidados primários de saúde às populações.
De acordo com o responsável, no passado os hospitais, centros e postos médicos da região enfrentavam grandes dificuldades, relacionadas com a falta de equipamentos modernos de diagnóstico e quadros especializados, em quase todas as áreas essenciais.
Realçou que, devido à abnegação e muito trabalho, o executivo arregaçou as mangas e, à semelhança de outros sectores vitais, o quadro sombrio do sector da Saúde na Lunda-Norte foi paulatinamente registando progressos.
Pedro José António afirmou que nos últimos 10 anos foram feitos vários investimentos que contribuíram para a melhoria e qualidade de prestação dos serviços de saúde a nível da província da Lunda-Norte. Segundo o responsável, a província conta hoje com 59 unidades sanitárias totalmente apetrechadas com equipamentos modernos, contra as 22 anteriores.  Declarou que entre as várias infra-estruturas de saúde construídas e inauguradas, destacam-se dois hospitais municipais, ambos com capacidade para 100 camas, sete centros médicos, 28 postos de saúde, além da reabilitação e aumento da capacidade de internamento do hospital central do Dundo.
“Apesar de admitirmos que ainda temos muito trabalho pela frente com vista a melhorarmos os serviços de saúde, temos também que reconhecer com franqueza que nesses dez anos de paz alcançamos progressos significativos”, disse. O director provincial da Saúde esclareceu que as obras de reabilitação do hospital central do Dundo, com mais de 95 anos de existência, foram de iniciativa do executivo da Lunda-Norte. Os trabalhos realizados beneficiaram o banco de urgência, bloco operatório, laboratório de análises clínicas e o centro de sangue. As obras de reabilitação da unidade sanitária de referência da província, afirmou Pedro José António, permitiram aumentar a sua capacidade de internamento de 92 para 220 camas, pois os trabalhos incidiram igualmente no retoque efectuado às diferentes enfermarias. Reiterou ainda que os investimentos no sector que dirige contribuíram para o aumento da capacidade de internamento, que antes era de menos de 700 camas para 1.875 pessoas.

Novos empreendimentos alargam assistência

O director provincial da Saúde anunciou também que nos finais do terceiro trimestre do ano em curso vão entrar em funcionamento mais 10 novos equipamentos de saúde, com realce para a entrada em funcionamento do hospital da nova centralidade do Dundo, que está concebido para 92 camas. Pedro José António disse tratar-se de um empreendimento de referência que vai contribuir para o atendimento personalizado às populações da província, uma vez que dispõe de especialidades indispensáveis, como medicina, cirurgia e pediatria.
De acordo com o director, além de possuir outros serviços básicos como estomatologia, laboratórios, cuidados intensivos, bloco operatório e centro de hemoterapia (depósito e transfusão de sangue), o novo hospital vai também alargar a capacidade de internamento. “Esse hospital vai trazer grandes melhorias em termos de atendimento na nossa província, porque vai aumentar a capacidade actual de internamento, além de, na mesma altura, contarmos também abrir mais nove unidades entre centros e postos de saúde”, confirmou.
Ainda no decurso do ano 2012, anunciou o director provincial da Saúde, vai ser colocada a pedra para a construção do hospital provincial materno infantil, para melhorar o atendimento a mulheres grávidas e crianças. Questionado sobre a conclusão da construção do hospital regional da Lunda-Norte, cujas obras encontram-se paralisadas desde o ano 2010, devido a escassez de verbas, o director provincial da Saúde explicou que as autoridades locais esmeram-se junto do executivo central com vista a serem encontradas soluções para o problema. Esclareceu ainda que a referida infra-estrutura foi projectada pelo governo provincial para o reforço do sistema de saúde local que carecia de uma nova unidade sanitária com serviços modernos, tendo como suporte as verbas atribuídas pelo Executivo central através do Orçamento Geral do Estado (OGE).
O governo da Lunda-Norte, sublinhou, era o único executivo provincial a nível do país que estava a construir um hospital regional com verbas próprias sem intervenção do Ministério da Saúde. A dimensão da obra, segundo Pedro José António, transcende a capacidade financeira do governo provincial, tendo isso obrigado a paralisação da obra.
A conclusão da referida unidade hospitalar, afirmou, vai trazer grandes benefícios para a região, devido à sua capacidade de internamento e diversidade de serviços que pode proporcionar.
“É importante que esse empreendimento seja concluído, porque vai trazer à região serviços que até agora não temos, como é o caso da hemodiálise e urologia que fazem-nos muita falta”, disse, sublinhando que estuda-se a possibilidade de, através do Ministério do Planeamento, a obra ser financiada pela linha de crédito da China.

Aumento e qualificação de quadros é uma aposta

Em relação aos recursos humanos, disse, a província conta com 2.000 trabalhadores, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, terapeutas e pessoal administrativo.
Desse número, explicou, estão 55 médicos dos quais 12 angolanos e 800 enfermeiros, que asseguram os serviços de saúde a nível das distintas unidades sanitárias sedeadas na província.
Realçou que, não obstante considerar ser uma quantidade insuficiente para responder às necessidades, a julgar pelo elevado movimento clínico que se regista nos hospitais, centros e postos médicos, o responsável lembrou que, há cerca de dez anos a Lunda-Norte não tinha um terço do actual número de recursos humanos disponíveis na área de saúde. Acrescentou, por outro lado, que no passado 95 por cento da classe de enfermeiros era integrada por técnicos básicos, mas com a criação da Escola Técnica de enfermagem do nível médio em 2010, a província conta agora com enfermeiros qualificados profissionalmente para atender a população.
Informou que a escola técnica de enfermagem já colocou no mercado local de trabalho 180 enfermeiros com qualificação de técnicos médios. Adiantou também que, com vista a aumentar os conhecimentos e nível académico dos profissionais que garantem o funcionamento dos serviços de saúde, vinte enfermeiros da Lunda-Norte encontram-se na vizinha província de Malange a frequentar o grau de licenciatura em Enfermagem na Faculdade de Medicina. Assegurou que a Faculdade de Medicina de Malange, que pertencente à Universidade Luegi A´nKonde, vai ser o ponto de partida e o celeiro da formação gradual de técnicos superiores em matéria de enfermagem para a província da Lunda-Norte. “Queremos aliar os investimentos da criação e construção de novas infra-estruturas sanitárias à formação de quadros que assegurem o seu funcionamento”, reafirmou.
O director provincial da Saúde declarou que, para dar cobertura à rede sanitária local, tendo em conta as políticas do governo viradas para a expansão dos serviços de saúde, a região necessita numa primeira fase de mais de 150 médicos, 300 enfermeiros devidamente treinados e 2.500 trabalhadores administrativos.
Considerou ser possível o alcance dessas metas, com a realização anualmente de concursos públicos para a admissão de novo pessoal para o sector da saúde, onde a província espera nos próximos tempos obter maior número de vagas.

Mais ambulâncias e clínicas móveis

Pedro José António salientou que, até ao ano 2008, existiam na Lunda-Norte apenas cinco ambulâncias, mas com os esforços do governo provincial o sector passou a contar com 30 novas ambulâncias. Garantiu que as novas ambulâncias estão devidamente equipadas com serviços de comunicação e meios para prestar os primeiros socorros, assim como garantir comodidade e segurança aos pacientes em estado grave durante o percurso para as unidades hospitalares de referência.
Pedro José António assegurou também que até a presente data nenhuma das unidades sanitárias dos nove municípios que compõem a província apresenta problemas relacionados com a falta de transporte para os pacientes, tendo em conta que todas foram reforçadas com novas ambulâncias. Além da aquisição de clínicas móveis, disse, o próximo passo vai ser a distribuição de ambulâncias para todas as comunas, no sentido de reforçar os seus sistemas de saúde, de forma a serem ultrapassadas as dificuldades neste domínio.
Segundo Pedro José António, o governo provincial decidiu dedicar este ano especial atenção ao sector, tendo estabelecido como meta a aquisição de um total de nove clínicas móveis e mais ambulâncias com vista a facilitar a assistência médica e medicamentosa às populações afastadas das sedes.

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