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Resgate de valores na ordem do dia

Isidoro Samutula| Dundo

As autoridades da província da Lunda-Norte estão a desenvolver politicas que visam o resgate dos valores culturais, hábitos, usos e costumes da tradição lunda tchokwe, como forma de preservar a rica cultura da região, disse ao Jornal de Angola Costa Muacahiana, director provincial da Cultura.

Cultura quer preservar a tradição
Fotografia: Benjamim Cândido|

As autoridades da província da Lunda-Norte estão a desenvolver politicas que visam o resgate dos valores culturais, hábitos, usos e costumes da tradição lunda tchokwe, como forma de preservar a rica cultura da região, disse ao Jornal de Angola Costa Muacahiana, director provincial da Cultura.
Costa Muacahiana disse que o governo provincial da Lunda-Norte vai implementar nos próximos tempos o projecto que visa a criação de casas de cultura para possibilitar a aproximação e interacção dos artistas no domínio da dança, música, teatro e do artesanato, de forma a reconquistar o interesse das pessoas no resgate dos valores culturais e a continuidade no aprendizado.
A criação de círculos de interesse nas escolas, segundo Costa Mua­cahiana, é também uma das políticas do sector para a inserção das actividades culturais nas instituições de ensino, de modo a incentivar os jovens a conhecerem mais sobre a cultura do seu povo.
O director provincial da Cultura considerou a construção de instituições culturais como ponto de partida para o resgate de valores. “Estamos a criar as condições para unirmos todos os agentes culturais para que possam apresentar as suas actividades”, disse. O director referiu que o executivo está empenhado na valorização de artes, na construção de infra-estruturas culturais, no desenvolvimento das acções de incentivo aos agentes e criadores artísticos da província, de forma a valorizar cada vez mais a cultura local, tendo acrescentando a necessidade de haver maiores apoios multidisciplinares. A província conta com um total de 16 grupos etnolinguísticos, sendo lunda, baluba, bakhete, bakongo, bakwanfia, baphende, basuku, bondo, imbangala, kamai, maholo, makhari, matapa, minungu, songo e os tutchokwe, que vivem entre si, seguindo cada um a sua realidade sociocultural.
A Lunda-Norte, disse Costa Muacahiana, possui um rico folclore tradicional, baseado nas danças, música, teatro e na execução com mestria do artesanato, com maior realce para esculturas de madeira, cestaria diversa, cadeiras de junco, cerâmica e a construção de habitações típicas tradicionais que, por falta de incentivo, vai perdendo o valor atribuído. A preservação do património intangível, como a circuncisão, o casamento, os provérbios, os contos, frisou, tem preocupado a direcção da cultura pelo desaparecimento desses valores, que no passado constituíam uma das razões de atracção nas comunidades. Costa Muacahiana explicou que do património intangível, só a circuncisão é que está a merecer o programa de resgate, porque, segundo explicou, o período de guerra que assolou o país obrigou que muitos dos organizadores fossem desalojados das suas localidades. Actualmente são visíveis os sinais de retoma dos ritos da tradição da mukanda (circuncisão)  nos municípios como Cuilo, Lubalo e Caungula. Relativamente ao ritual de cafundenji (casamento), Costa Muacahiana afirmou que algumas regiões da província continuam a preservar os procedimentos do antigamente, apesar de se registar de forma tímida. A valorização e a difusão de provérbios, a­diantou, tem merecido tratamento a nível do sector, promovendo acções junto dos membros das diferentes comunidades para transmitir aos mais jovens os provérbios educativos, aconselhadores, bem como incentivar também a criatividade no seio da juventude.
“Estamos a incentivar a população a organizar sessões para a narração de contos populares ou tradicionais, que permitam a abordagem dos aspectos de educação moral e cívica da população, sobretudo para a juventude”, disse.
O responsável considerou de positivas a produção de esculturas e actividade de cestaria diversa, graças a existência na província de 86 artesões individuais agrupados em pequenos núcleos, nos municípios de Cambulo, Lubalo e Capenda-Camulemba, mas lamentou a falta de incentivos para os produtores.
Para incentivar a prática de escultura e cestaria, sublinhou, a direcção da Cultura tem realizado feiras para possibilitar que os artesões possam comercializar todo o material produzido e mobilizar os agentes económicos da província para a necessidade de financiar os projectos culturais.

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