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Sagrada Esperança galvaniza adeptos

Armando Sapalo |

Quando se fala em desporto da província da Lunda-Norte, não se põe de parte o Grupo Desportivo Sagrada Esperança, uma equipa de futebol fundada a 12 de Dezembro de 1976, que três anos depois estreou-se no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, onde ficou na penúltima posição da tabela clasificativa.

A equipa de futebol do Grupo Desportivo Sagrada Esperança continua a ser uma agremiação de referência na arena do futebol nacional
Fotografia: Benjamim Cândido

Quando se fala em desporto da província da Lunda-Norte, não se põe de parte o Grupo Desportivo Sagrada Esperança, uma equipa de futebol fundada a 12 de Dezembro de 1976, que três anos depois estreou-se no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, onde ficou na penúltima posição da tabela clasificativa.
Sagrada Esperança, única primodivisionária das terras de Samanhonga ao longo dos 35 anos de independência, afigura-se como sendo uma instituição forte e de referência obrigatória na arena futebolística nacional, fruto das conquistas já alcançadas.
Entre bons e maus resultados, o Sagrada Esperança conseguiu de forma inédita trazer para a sua galeria os títulos das duas maiores provas do futebol nacional sob a égide do órgão reitor da modalidade rainha (FAF), nomeadamente a Taça de Angola em 1988 e 1999, além do Girabola na época 2005.

Treinadores angolanos

Os principais êxitos do Sagrada Esperança, no plano competitivo, foram curiosamente alcançados sob o comando técnico de treinadores angolanos, que ajudaram a agremiação diamantífera da Lunda-Norte a inscrever-se na tão cobiçada lista dos campeões de futebol em Angola.
O técnico Mário Calado, com uma célebre equipa composta por jogadores de gerações diferentes, como o guarda-redes Gouliarte, o defesa Lebo-Lebo, o médio Bondoso, em fase final da sua carreira, e os jovens avançados Santana Carlos e Chinho, que despontavam das escolas do Atlético Petróleos de Luanda, venceu o Girabola. Quanto aos treinadores que levaram a equipa a vencer as edições da Taça de Angola, destacam-se o malogrado Adelino Cristóvão “Adé”, que ganhou a prova em 1988, e o categorizado técnico João Machado, no ano de 1999. Ambos desenvolveram um trabalho de qualidade e digno de realce para os aficcionados da modalidade rainha da Lunda-Norte.

Actual momento

Com base nas grandes conquistas do clube, que num passado recente proporcionou alegria aos seus adeptos e população da província, o seu actual momento é visto pela família do futebol da região com bastante preocupação, pois, de 2005 - altura em que venceu o Girabola - para cá, a equipa deixou de apresentar boas exibições, afastando-se assim da lista dos clubes mais fortes do país.
Depois de surpreender tudo e todos ao vencer o Girabola em 2005 e apesar do estatuto de campeão nacional, no ano seguinte (2006), em que teve o privilégio de ser um dos representantes da nação às Afrotaças para a Liga dos Clubes Campeões, o Sagrada Esperança teve uma actuação para esquecer.
Nessa temporada, além de ver frustradas as suas aspirações nas competições internacionais, ao perder na eliminatória de acesso à fase de grupos diante da forte equipa da Costa do Marfim – o ASEC Mimosa, com empate a nulo em Luanda no estádio da Cidadela e derrota de 2-1 em Abidjan -, a equipa desceu também de divisão a nível interno. Desde o ano 2006 que as coisas nas hostes do Sagrada Esperança começaram a complicar-se, porquanto na época a seguir a equipa lunda teve de jogar o zonal de apuramento ao Girabola, onde não defraudou os adeptos, uma vez que, além de ter garantido o seu regresso à primeira divisão, foi finalista vencido pelo 1º de Agosto na edição da Taça de Angola de 2009.

De Quintalão a Estádio


Não obstante o clima conturbado, o Sagrada Esperança, mantém-se firme em busca de grande resultados, facto que levou a direcção do clube, através do seu patrocinador, a Endiama, em parceria com empresas de exploração diamantífera, a construir um Estádio moderno, de acordo com os padrões exigidos pela FIFA.
A equipa deixou de fazer os jogos oficiais no antigo quintalão do Dundo, que foi demolido, e passou a receber os adversários num novo estádio, baptizado com o seu nome - “Estádio Sagrada Esperança” -, inaugurado em Março de 2008 pelo então presidente da Federação Angolana de Futebol, Justino Fernandes, que representou na cerimónia o Presidente da República, José Eduardo Santos. O novo estádio do Sagrada Esperança, que também albergou dois torneios internacionais e já foi palco de partidas amistosas dos Palancas Negras, tem capacidade para oito mil espectadores, possui 30 balneários, uma tribuna VIP com 235 lugares, um ginásio, salas de imprensa e de preparação da equipa de arbitragem, além de áreas admnistrativas.
A imponente infra-estrutura desportiva possui ainda um parque de estacionamento para mais de 90 viaturas e holofotes de iluminação que permitem a realização de partidas no período nocturno.

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