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Seropositivos no Hospital do Chitato morrem por abandono da medicação

João Salvo| Dundo

Três doentes infectados com o vírus da Sida morreram, nos últimos dias, por abandonarem a medicação regular com antirretrovirais, disse, na quinta-feira, ao Jornal de Angola, o director do Hospital Municipal do Chitato.

População está a ser sensibilizada a procurar os centros de aconselhamento e testagem para conhecerem o seu estado serológico
Fotografia: Benjamim Cândido| Dundo

Três doentes infectados com o vírus da Sida morreram, nos últimos dias, por abandonarem a medicação regular com antirretrovirais, disse, na quinta-feira, ao Jornal de Angola, o director do Hospital Municipal do Chitato.
Wilson Palanca afirmou que as mortes foram provocadas por abandono ao tratamento e das consultas de seguimento.
O hospital tem stocks suficientes de antirretrovirais, referiu, sublinhando que as vítimas mortais eram pessoas que durante muito tempo, “além de se furtarem ao seguimento clínico, ignoravam o seu estado seropositivo, passando a ideia de que eram saudáveis”. O Hospital Municipal do Chitato diagnosticou, este ano, 78 novos casos de pessoas infectadas com o vírus da Sida em 2.500 testes realizados
Wilson Palanca disse que 41 dos seropositivos foram diagnosticados no terceiro trimestre. Os casos diagnosticados referem-se apenas a pessoas que acorrem ao hospital para fazer testes voluntários e a mulheres grávidas assistidas na mesma unidade.

Outras enfermidades

A par dos casos de VIH, o hospital assistiu vários pacientes que acorreram aquela unidade durante o terceiro trimestre.  A malária, com 2.588 casos que resultaram em três óbitos, liderou a lista. A unidade atendeu ainda, entre outros, 450 casos de doenças diarreicas e respiratórias agudas, que fizeram quatro mortos, 165 de doenças sexualmente transmissíveis e 89 de hipertensão arterial.

Falta técnicos

O hospital do Chitato, em funcionamento há três anos, tem carências em recursos humanos, principalmente de médicos de várias especialidades e enfermeiros com formação média.
Wilson Palanca salientou a falta de técnicos de diagnóstico terapêutico para cobrir os serviços de turno de 24 horas, de laboratório de análises clínicas, Raio X, de banco de urgência e de funcionários administrativos. O director do hospital disse que há também falta de pessoal preparado para fazer a manutenção dos aparelhos e equipamentos do bloco operatório e das salas de serviços de cuidados intensivos.
O hospital dispõe de 135 funcionários, dos quais, três médicos, quatro licenciados em enfermagem e 77 enfermeiros básicos, números que considera insuficientes para os cerca de 140 mil habitantes do município.
Wilson Palanca anunciou estão a ser contratados cinco médicos angolanos e que se aguarda a chegada de técnicos para reforçar a equipa do pessoal do hospital. A situação da qualificação dos enfermeiros, declarou, vai melhorar de forma considerável por causa da criação do Instituto Médio de Saúde.
O hospital, construído para internar cem doentes, tem 95 camas. O Banco de Urgência atende 45 doentes por dia e os serviços de urgências da maternidade da unidade sanitária assiste cerca de 20 pacientes diariamente.

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