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Território mineiro quer novo estatuto

Joaquim Aguiar |

Com um território fundamentalmente mineiro, com importantes reservas diamantíferas, o município de Cambulo está localizado a nordeste da província da Lunda-Norte, tem uma superfície de 41 mil quilómetros quadrados e 135 mil habitantes.

Vão ser colocados à disposição da comunidade estudantil mais salas de aula para o reforço do sistema de ensino e aprendizagem
Fotografia: Benjamim Cândido|



Com um território fundamentalmente mineiro, com importantes reservas diamantíferas, o município de Cambulo está localizado a nordeste da província da Lunda-Norte, tem uma superfície de 41 mil quilómetros quadrados e 135 mil habitantes.
Durante muitos anos a indústria de extracção de diamantes foi a principal actividade económica da região, tendo suplantado a agricultura e a pecuária.
As autoridades da administração municipal querem inverter o quadro económico da região, apostando no relançamento da actividade agrícola como forma de proporcionar rendimentos para as famílias, combater a fome e reduzir gradualmente a pobreza.
O administrador municipal de Cambulo, Alberto Muquendi, considera encorajadores os incentivos financeiros que o Executivo está a conceder aos pequemos e médios agricultores para relançar os níveis de produtividade e criar estratégias de gestão e processos de desenvolvimento da agricultura sustentável, para que a população do município deixe de depender somente da actividade mineira.
Uma das estratégias que vai ser adoptada para incentivar a agricultura no município, segundo Alberto Muquendi, é a criação de um banco de reserva alimentar, no quadro do programa integrado de desenvolvimento rural e combate à pobreza, onde a administração municipal passa a ser o principal comprador dos produtos agrícolas.
“A administração municipal vai adquirir vários produtos aos camponeses para criar reserva alimentar, para acudir situações de emergência e para apoios de caridade”, disse Alberto Muquendi, sublinhando a necessidade de continuar a incentivar os mercados locais e redes de escoamento dos produtos agrícolas para as grandes concentrações urbanas.
O responsável informou que a administração municipal realizou, no final de Julho, a primeira feira do produtor, para dar oportunidade às associações de camponeses e cooperativas do município para exibirem as potencialidades agrícolas da região e criar oportunidades para escoarem e venderem as suas colheitas. Alberto Muquendi estimou que este ano o cultivo de alimentos que compõem a base da dieta da população, como a mandioca, hortícolas, cereais, batata-doce e outros produtos vai conhecer incremento significativo.
“Estamos a cadastrar os produtos das diferentes associações de camponeses e cooperativas agrícolas e dados provisórios apontam para uma estimativa de produção de 20 toneladas de bombó, para a produção de fuba, 18 de banana, 35 de abacaxis e 10 de tomate”, afirmou.

Melhorar a produtividade

Admitiu que os níveis de produtividade e diversificação das culturas vão melhorar nos próximos tempos, com o aumento do número de beneficiários do crédito agrícola de campanha a nível do município.
Revelou que durante este ano, beneficiaram do crédito agrícola 1.886 camponeses, envolvendo 109 processos remetidos ao banco, tendo sido celebrados 99 contratos com 107 contas bancárias abertas. O Banco de Poupança e Crédito, segundo Alberto Muquendi, já disponibilizou aos camponeses do município, até ao presente, 901.489.830.00 milhões de kwanzas.
Para facilitar o escoamento dos produtos do campo para a cidade, Alberto Muquendi disse que a administração municipal adquiriu um meio rolante com características próprias para o estado actual das estradas, apoiando os camponeses no transporte de produtos e para a realização das vendas em tempo oportuno, evitando a deterioração de determinadas culturas, como hortícolas, por falta de instalações para a sua conservação.
“Atribuímos também uma viatura à repartição municipal da agricultura, para facilitar o acompanhamento do processo agrícola, para que os camponeses não tenham muitas dificuldades”, salientou, mostrando-se optimista quanto à concretização dos programas de reabilitação das principais estradas secundárias e terciárias, de modo a facilitar o processo de relançamento da actividade agrícola na região.
“As estradas Nzagi-comuna do Canzar e Nzagi-comuna do Cachimo estão inscritas no programa do governo provincial para a reabilitação a médio prazo”, afirmou, esclarecendo que são importantes eixos rodoviários, tendo em conta o potencial agrícola das referidas circunscrições.
Disse que a agricultura no município vai ser reforçada e incentivada com o projecto de reactivação da produção do arroz na zona do nordeste, na comuna de Canzar.
“O projecto vai gerar benefícios sociais para a população, porque vai permitir reinserir no mercado de trabalho várias famílias que perderam os seus empregos há mais de 20 anos, melhorar a qualidade de vida das populações e garantir a segurança alimentar na região”, disse.

Educação e ensino

No município existem actualmente 50 salas de aula, que albergam 17.733 alunos matriculados no presente ano lectivo no ensino primário, primeiro e segundo ciclos do ensino secundário, assegurados por 1.633 professores.
Alberto Muquendi anunciou ainda que vão ser colocados à disposição da comunidade estudantil mais 32 salas de aula nos próximos três meses para o reforço do sistema de ensino e aprendizagem na região.
Destacou a conclusão da escola com 10 salas de aula no Bairro Verde, na vila do Nzagi, uma outra com cinco salas de aula na localidade do Maludi, um projecto da sociedade mineira do Chitotolo, para além das que estão a ser construídas nas sedes comunais de Cachimo e Luia.
“A tendência é a de aumentar as salas de aula para reduzir gradualmente o número de crianças em idade escolar que ficam excluídas do processo de ensino e aprendizagem por falta de instalações escolares”, disse. Revelou que existem no município quase dez mil crianças excluídas este ano por escassez de salas de aula.
A situação de crianças fora do sistema de ensino, segundo Alberto Muquendi, resulta também do facto de haver bairros que, pelo reduzido número de populares, não justificam a construção de uma infra-estrutura escolar.
“Estamos a sensibilizar as autoridades tradicionais para unificar os bairros, de formas a que a administração municipal possa melhor planificar a construção de escolas e outras infra-estruturas sociais”, enfatizou, explicando que há bairros na sua circunscrição com cinco a quinze famílias, o que é incompatível com a projecção de acções sociais.
Pretende-se, frisou, redimensionar algumas escolas do município, para albergarem ensino primário e primeiro ciclo do ensino secundário, de modo a potenciar a escola de formação de professores, que é uma grande aposta para a formação de quadros.
“Começamos este processo na localidade de Fucauma, o ano passado. A segunda fase abrangeu as escolas de Camataia e Catangula e seguir-se-ão as escolas da comuna de Canzar e Maludi”, disse.
A dinamização do sistema escolar a nível do município, segundo Alberto Muquendi, visa sobretudo instituir o núcleo municipal do ensino superior, cujos contactos, afirmou, estão numa fase avançada com a reitoria da universidade Luegi  A’nKonde.

Saúde

O sistema de saúde no município de Cambulo é assegurado por um hospital municipal, um centro médico na localidade de Cassanguidi e postos de saúde nas comunas de Canzar, Cachimo e Luia.
Alberto Muquendi avançou que estão a ser construídas várias infra-estruturas para colocar o sistema de saúde mais próximo dos cidadãos, tendo realçado a construção do centro médico de Fucauma, com serviços de clínica geral, pediatria e maternidade e postos de saúde na periferia dos aglomerados urbanos.
Uma equipa de oito médicos, entre cubanos, coreanos e angolanos, garante a assistência médica aos munícipes.
A administração municipal, segundo Alberto Muquendi, tem planificado a aquisição de medicamentos essenciais em cada dois meses, para garantir os stocks de medicamentos das diferentes unidades sanitárias, com realce para o hospital municipal. As despesas com o sistema de saúde, disse, são extensivas ao asseguramento de condições e logística para a realização com êxito das campanhas de vacinação a nível do município.

Energia e águas

A iluminação pública e domiciliária na sede do município, ex-vila mineira do Nzagi, é garantida por um grupo de geradores.
Alberto Muquendi afirma que “o trabalho de instalação de equipamentos eléctricos está em curso”, sobretudo nas localidades de Fucauma, Cassanguidi, Luxilo e nas sedes comunais.
Em algumas localidades, realçou, o sistema de energia eléctrica é assegurado pelas empresas mineiras que actuam na região.
Em termos de fornecimento de água potável às populações, disse que foram construídas duas captações, nas localidades de Cassanguidi e comuna de Canzar.
Revelou que está prevista para este ano a reabilitação do sistema de captação do Satxicuco, que fornece água à vila do Nzagi, no quadro do programa especial do executivo angolano.
A empreitada está orçada em cerca de 21 milhões de dólares, tendo já sido feitos os estudos de viabilidade pelos técnicos do Ministério da Energia e Águas, que estiveram recentemente no município.

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