Províncias

Um aeroporto moderno para o Dundo

Joaquim Aguiar |

O aeroporto do Dundo está a receber obras de reabilitação, desde o passado mês de Maio, para garantir comodidade e segurança aos passageiros e às companhias aeronáuticas que vão escalar a província da Lunda-Norte.

O aeroporto do Dundo está a receber obras de reabilitação, desde o passado mês de Maio, para garantir comodidade e segurança aos passageiros e às companhias aeronáuticas que vão escalar a província da Lunda-Norte.
A reabilitação desta importante infra-estrutura vai melhorar substancialmente as condições de trabalho dos diferentes serviços aeroportuários e conferir uma imagem digna e moderna de uma província que está na senda do desenvolvimento sustentável.
As obras de reabilitação do aeroporto do Dundo estão a cargo da empresa ZAGOP.
O aeroporto do Dundo passa a ter uma nova aerogare, que está a ser construída de raiz, uma pista restaurada e ampliada, assim como vão ser melhorados e modernizados os serviços da torre de controlo e equipamentos meteorológicos.
A informação técnica aponta que a actual pista de 1.700 metros vai ser ampliada para 2.500 metros de comprimento e 45 de largura, além de mais 15 metros em cada lado, para as zonas de protecção, incluindo a vegetação.
A pista, segundo técnicos da empresa ZAGOP, vai ser reformulada tendo em conta as características do solo existente, de forma a definirem-se as camadas de resistência do terreno para suportar aviões de grande porte. É para já dado como certo, de acordo com os técnicos, que a profundidade da escavação da camada de resistência da pista vai ser de um metro e meio, devido à fragilidade do solo.
A zona estrutural do aeroporto, que envolve a aerogare, a placa e o parque de estacionamento passa a ter 2.000 metros quadrados.
A aerogare é uma estrutura imponente e moderna, que vai albergar no rés-do-chão uma ampla sala de embarque, incluindo áreas de che­ck-in com capacidade para 200 passageiros, salas protocolares, res­taurantes e lojas, enquanto o primei­ro andar vai ser reservado à administração da ENANA, à nova torre de controlo, alfândega e outros serviços que vão assegurar o pleno funcionamento do aeroporto.
No quadro da ampliação do perímetro aeroportuário, vão ser demolidas 32 residências, no chamado bairro do Aeroporto, tendo o governo da província da Lunda-Norte garantido as condições para que a transferência das famílias afectadas para um local mais seguro seja feita sem grandes constrangimentos.
Algumas estruturas antigas do aeroporto, segundo fontes do Jornal de Angola, vão ser demolidas, sobretudo o hangar que está frontal à nova aerogare, e outras vão ser aproveitadas para armazéns e depósitos de equipamentos diversos.
O edifício da antiga torre de controlo, de acordo com a fonte, vai ser preservado por uma questão histórica, tendo em conta que faz parte das infra-estruturas mais antigas da cidade do Dundo, erguidas na década de 40 do século XX (mais concretamente a partir de 1940, na fase de crescimento e desenvolvimento da antiga sede da Companhia de Diamantes de Angola). A empreitada está a oferecer trabalho a 150 cidadãos, nas mais variadas áreas de construção civil, prevendo-se, no entanto, o aumento do número de trabalhadores à medida que o projecto for crescendo, sobretudo quando iniciarem as obras de restauração e ampliação da pista.
As obras da pista, de acordo com técnicos da empresa ZAGOP, não vão afectar o tráfego aéreo normal, que tem vindo a ser realizado, nos últimos quatro anos, por aeronaves de pequeno porte.
A estratégia técnica definida vai permitir desenvolver obras nos primeiros 750 metros da área de ampliação da pista, o que vai salvaguardar que as aeronaves realizem normalmente voos até à conclusão da empreitada. É de referir que o aeroporto do Dundo foi construído em 1956, tendo sido asfaltado em 1969, para atender as necessidades da então Companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG). Faziam parte da antiga frota aeronáutica aviões do tipo “Cessna”, “Skyva” e helicópteros “Allouette”.

Satisfação dos habitantes
 
A reabilitação do aeroporto do Dundo é motivo de satisfação para os cidadãos locais, tendo em conta que vai permitir não só normalizar a ligação rápida entre o Dundo e as diferentes regiões do país, com a operacionalidade da companhia aérea nacional de bandeira TAAG, como também contribuir para o desenvolvimento económico e social da província da Lunda-Norte. Empresários e a população em geral da cidade do Dundo consideram que a reabilitação e modernização dessa importante infra-estrutura, cujo projecto contempla igualmente a ampliação da pista, é ponto de partida para o desenvolvimento da província, pois agora mais do nunca vai ser reforçado o sistema de transporte aéreo local, com a possibilidade que se abre de várias companhias de aviação poderem efectuar voos para a localidade.
O empresário e promotor de actividades culturais e desportivas, Elias Simão, disse ao Jornal de Angola que a reabilitação do aeroporto demonstra claramente a a­posta do executivo angolano na criação de condições tendentes a proporcionar melhores condições de vida aos cidadãos.
Destacou que a ansiedade da população aumenta, uma vez que a província vai voltar a receber voos de grande porte, que há cerca de quatros anos deixaram de operar na região, devido ao avançado estado de degradação em que se encontrava a pista do aeroporto.
O jovem empresário realçou que o empreendimento vai de uma forma substancial facilitar a viagem das pessoas para Luanda e outros pontos do país e vice-versa, em serviço, negócios, tratamentos médicos e até mesmo estabelecer vias para o exterior.  “Além de facilitar a vida dos empresários que periodicamente têm de deslocar-se a Luanda, que é o principal centro comercial do país, vai sobretudo permitir que as pessoas viajem em condições mais dignas e com segurança”, sublinhou, referindo que com apenas uma companhia de transporte aéreo a operar na província, a população enfrenta inúmeras dificuldades, tendo em conta que a circulação rodoviária até ao litoral é ainda penosa.
“A população vive muitas dificuldades para viajar, porque até agora temos apenas uma companhia a operar na província com uma tarifa bastante exorbitante, de 22.500 kwanzas o bilhete, tornando cada vez mais difícil a vida das pessoas”, disse mostrando-se confiante que o projecto vai também impulsionar o interesse de outros empresários do país em investir localmente.
Visivelmente satisfeita, Celsa Issassa, antiga Miss Lunda-Norte e funcionária da empresa de Telecomunicações Movicel, disse que a reabilitação do aeroporto do Dundo é a materialização do projecto do governo que visa combater as assimetrias regionais em termos de infra-estruturas aeroportuárias.
“O desenvolvimento harmonioso do país, em tempo de paz, consubstancia-se na livre circulação das pessoas e ens e isso pressupõe a funcionalidade dos aeroportos e outras vias de comunicação para tornar mais próximas as relações entre as pessoas, amigos, familiares e colegas”, defendeu.
Reconheceu que a infra-estrutura carecia mesmo de uma reabilitação profunda, uma vez que apresentava já um acentuado estado de degradação, desde o terminal de passageiros, até a própria pista, levando à interdição da aterrisagem de aviões de grande porte.
A antiga Miss Lunda-Norte mostrou-se confiante com as iniciativas do Executivo angolano na procura de soluções para os problemas dos cidadãos, afirmando que o novo aeroporto “é uma mola impulsionadora para o crescimento económico da província, sobretudo para a promoção do sector turístico”.

Tempo

Multimédia