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Uma doença desconhecida está a afectar a população

João Silva | Dundo

Uma doença de origem ainda desconhecida está a atacar a população do município de Caungula, revelou, na segunda-feira, chefe de repartição local de Saúde, António Doroteia.

Uma doença de origem ainda desconhecida está a atacar a população do município de Caungula, revelou, na segunda-feira, chefe de repartição local de Saúde, António Doroteia.
António Doroteia afirmou que “a doença tem alguns traços da paralisia flácida, afectando os membros inferiores” e que abrange pessoas de todas as idades e de ambos os sexos.
Até agora, as autoridades sanitárias da Lunda-Norte registaram já 45 casos, com maior predominância nas comunidades que ficam próximas da fronteira com a República Democrática do Congo.
O chefe de repartição da Saúde referiu que boa parte dos casos são notificados nos pacientes que acorreram aos serviços sanitários do município e que outros foram detectados nas deslocações que os técnicos fazem às povoações mais próximas, desconfiando-se que haja mais nas zonas distantes e de difícil acesso.  Doroteia referiu os casos de três pessoas, da mesma família, e de outros na localidade de Txalha Canawa, na regedoria do Caxixe, Koge Muene, na aldeia do Mucangula.
Há também o caso de seis crianças, no bairro da Maioca, na faixa norte do município do Caungula.
Os primeiros sintomas, alertou, são dores na coluna vertebral acompanhadas de febres fortes, que culminam com a perda de forças nas pernas.
O responsável da repartição municipal de Saúde, apoiando-se nos dados colhidos nas comunidades visitadas, admite que a epidemia pode ter origem da República Democrática do Congo (RDC).
As pessoas afectadas pela doença, disse, afirmaram que, durante a guerra, estiveram na RDC, onde consumiam um tipo de mandioca, que tem uma substância venenosa que, quando consumida, provoca casos do género.
O responsável da Organização Mundial de Saúde na província afirmou que a doença é uma paralisia chamada “spástica”.
As pessoas afectadas, disse, podem andar desde que se corrijam os membros inferiores.
Walter Manuel sublinhou que, em 2007, foi feito um estudo no município de Caungula, onde se recolheu uma amostra de água e do tipo da mandioca amarga e possuidora de um produto denominado “Anura”, que se suspeita ser o causador da paralisia spástica.
Na paralisia provocada pelo vírus da poliomielite, frisou, a pessoa fica com os membros inferiores paralisados, enquanto que na spástica, anda, embora com dificuldade, por os membros estarem presos.
O responsável provincial da Saúde afirmou que quanto às amostras recolhidas há três anos pelos técnicos da OMS e enviadas aos laboratórios dos hospitais de Luanda não existem ainda nenhuma informação sobre os resultados.

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