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Uma mulher de destaque na vida da Lunda-Norte

Joaquim Aguiar|Saurimo

O papel desempenhado actualmente pela mulher na nossa sociedade é diferente do passado, seja no emprego, no lar ou na igreja.

Bacharel em pedagogia é professora, secretária da OMA e directora dos Assuntos Sociais
Fotografia: Joaquim Aguiar

O papel desempenhado actualmente pela mulher na nossa sociedade é diferente do passado, seja no emprego, no lar ou na igreja. Actualmente, temos mulheres que ocupam importantes funções e responsabilidades na sociedade, na política e na liderança de instituições e empresas públicas ou privadas.
No mês dedicado à mulher, o Jornal de Angola faz o retrato de uma figura feminina que se destacou na luta pela conquista da liberdade e dignidade do povo angolano e é uma figura respeitada na província da Lunda-Norte.
Joana Meta Fernando dos Santos, natural da província da Lunda-Norte, mãe de quatro filhos, é uma figura proeminente na vida política da província. Ela tem conseguido conciliar o papel de educadora e trabalhadora dedicada com o de mãe e dona de casa.
Bacharel em pedagogia de infância, pela Escola Superior Pedagógica da Lunda-Norte, é professora e actualmente desempenha as funções de secretária provincial da Organização da Mulher Angolana (OMA) e é também a directora provincial dos Assuntos Sociais.
“Eu gosto mais de ensinar e dar aulas, porque é a minha profissão e o nosso país precisa muito de professores, para garantir um futuro melhor às novas gerações. Lamentavelmente não posso fazê-lo por falta de tempo”, disse Joana Meta.
A sua carreira docente começou no longínquo ano de 1969, no município do Dala, província da Lunda-Sul, onde na altura também trabalhava o marido, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, actualmente ministro dos Assuntos Parlamentares.
 
Carreira política

“Ingressei no MPLA e a partir daí verificou-se uma grande mudança na minha vida, deixei as aulas e passei para a política, quase toda a minha vida foi dedicada ao MPLA” afirmou.
A sua inserção na política, permitiu-lhe partilhar experiências na gestão de responsabilidades, tendo se afirmado ainda na década de 80, como sindicalista e responsável das comunicações o que lhe valeu uma formação, em 1986, em Cuba.
Joana Meta é do comité central do MPLA e tem-se destacado na liderança da organização feminina do partido, na província da Lunda- Norte, preocupando-se com a promoção de acções que visam garantir maior inserção da mulher nos programa educacionais, no emprego, desenvolvimento de políticas de apoio á mulher rural e na defesa de direitos fundamentais das mulheres, sobretudo em situação de violência doméstica.

Ascensão da mulher

Com uma vasta experiência em cargos de responsabilidade, está satisfeita com as políticas do Governo relativamente à ascensão da mulher angolana nos cargos da Administração Pública.
“Comparativamente aos anos anteriores, houve mudanças significativas, temos hoje mulheres ministras, governadoras provinciais, directoras provinciais, administradoras municipais e comunais, enfim, estamos representadas em todas as esferas da vida nacional”, afirmou Joana Meta.
Mas chama a atenção para o facto das mulheres precisarem de apostar na elevação do nível de escolaridade e profissional: “não basta dizer que precisamos de espaço para termos cargos de direcção na Administração Pública, mas sim com base na competência e no mérito para merecermos este voto de confiança do nosso Governo, que muito tem feito nestes últimos anos para a nossa emancipação”.
Joana Meta defende a moralização da nossa sociedade que “deve começar nas famílias, com a mulher como a principal educadora porque é mãe, cuida, trata, controla, faz tudo para proporcionar boa educação às mulheres e aos homens do futuro e da sociedade.”
 
Problemas da juventude

Ao reflectir sobre a juventude, Joana Meta lamenta o facto da juventude actual “ter as atenções viradas para coisas inúteis”, em detrimento “da formação académica, profissional e cultural, sobretudo a juventude feminina, abalada por gravidezes precoces, situação que precisa ser invertida com a promoção de programas educativos a todos os níveis”.
Joana Meta é também de opinião que “os pais devem prestar maior atenção aos filhos para que possamos alterar este quadro, para garantirmos um futuro melhor aos filhos, que serão amanhã dirigentes do nosso país”.
 
Violência doméstica

A violência doméstica, disse Joana Meta dos Santos, “é um mal que temos de combater”. Os esforços desenvolvidos pelo Governo, para pôr fim a este fenómeno, vão ajudar a mudar a situação: “penso que as autoridades angolanas estão preocupadas com este mal e tenho fé que daqui a pouco tempo já não mais verificaremos este fenómeno na nossa sociedade”.
Joana Meta disse, na qualidade de secretária provincial da OMA, que tem vindo a lidar com casos dramáticos de violência sobre a mulher, procurando sempre soluções justas.
“Por natureza sou uma mulher serena e sei lidar com casos dramáticos que chegam à Organização da Mulher Angolana aqui na Lunda-Norte. Recebemos vários casos que me deixaram agitada, mas eu desdramatizei, conseguindo sempre soluções”, disse.
Conciliar responsabilidades a nível do governo, do partido e a gestão da família é uma tarefa difícil, mas já constitui o dia a dia de Joana Meta Fernando dos Santos.
“Basta saber calendarizar as coisas e aproveitar racionalmente o tempo, na vida tem de existir tempo para tudo a partir do momento em que assumimos as responsabilidades. Desdobro-me para cuidar da casa, estar com a família e trabalhar”, afirmou.
A actual secretária provincial da OMA e directora provincial dos Assuntos Sociais diz que é uma mulher realizada, “embora ainda falte uma ou outra coisa”, tendo como maior sonho continuar a trabalhar, fazer bem às pessoas e “acima de tudo cuidar dos meus netos”.

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