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A revisão do Código de Família é benéfica

Yara Simão |Saurimo

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Sul, Maria Cambolo, disse ao Jornal de Angola que a revisão do Código de Família vai trazer benefícios significativos ao povo tchokwe, no qual a prevalência dos casamentos tradicionais e a união de facto têm sido os mais frequentes e muitas vezes sem cunho jurídico.

Vista parcial da cidade de Saurimo onde os cidadãos aplaudem a revisão do Código de Família
Fotografia: Maria Augusta

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher da Lunda-Sul, Maria Cambolo, disse ao Jornal de Angola que a revisão do Código de Família vai trazer benefícios significativos ao povo tchokwe, no qual a prevalência dos casamentos tradicionais e a união de facto têm sido os mais frequentes e muitas vezes sem cunho jurídico.
“Os membros da nossa sociedade devem sentir-se orgulhosos com a revisão do novo Código da Família, que poderá ser aprovado e entrar em vigor para alegria de todos nós”, salientou. “Sabemos todas que temos muito trabalho pela frente, pois não vai ser nada fácil, mas dadas as mudanças que Angola está a sofrer, há questões que precisam de ser repensadas. Nós, mulheres, temos a certeza que depois de todo o trabalho, o Código vai proteger melhor a mulher angolana”.
Maria Cambolo realçou o facto da juventude não dar, actualmente, a devida importância ao casamento, optando antes pela união de facto. Urge, frisou, que o Governo desempenhe o papel de mediador desta situação junto da camada jovem. Essa é, também, uma preocupação da ministra, que orientou a criação de núcleos a nível das províncias, municípios, comunas e comunidades, destinados a recolher subsídios para a celebração de casamentos, tanto no Registo Civil como tradicional, e relativamente a outras questões”, precisou
A responsável pela promoção da mulher na Lunda-Sul revelou que a província sempre registou casos de violência doméstica, embora não fossem denunciados. “As pessoas sentiam-se inibidas e com receio de denunciar. Desde que se fundou o Ministério da Família e Promoção da Mulher, as denúncias começaram a ser apresentadas e os casos de violência tornaram-se públicos. As mulheres estão a mudar a consciência e, felizmente, até vizinhos estão a fazer denúncias, ou seja, está a tornar-se um caso público”.
A situação na Lunda-Sul, reconheceu, não é estável. De acordo com a responsável, “tudo depende dos acontecimentos. Mas tenho a informar que, durante o primeiro semestre, registámos 205 casos, entre violência física, psicológica, abandono ao lar e fuga à paternidade”.
Devido precisamente a estes casos de violência, a directora informou que as campanhas de resgate dos valores morais e cívicos têm sido cada vez mais frequentes na província. “Mas é importante que nós, os pais, comecemos a transmitir esses valores aos nossos filhos. A Direcção tem um programa para levar essa campanha às comunidades, cujo objectivo é diminuir os casos de violência e mudar as consciências das pessoas”, esclareceu.
Maria Cambolo aconselha os encarregados de educação a terem uma postura mais actuante e participativa na educação dos seus filhos, principalmente na preservação dos valores éticos, morais e culturais, e na aprendizagem das línguas nacionais.
 “A importância da educação moral, ética e cívica em todos os níveis de ensino será um dos pontos de partida para a mudança de consciência e melhor aprendizagem dos nossos filhos”, rematou.

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