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Agentes culturais clamam por incentivos

Adão Diogo e João Salvo | Saurimo

A falta de incentivos para apoiar os agentes culturais, músicos e promotores de evento na província da Lunda-Sul, esta na origem da perda de valores da cultura da região e do relançamento balbuciante de novos talentos.

Resgate de Valores culturais
Fotografia: Dombele Bernardo

A falta de incentivos para apoiar os agentes culturais, músicos e promotores de evento na província da Lunda-Sul, esta na origem da perda de valores da cultura da região e do relançamento balbuciante de novos talentos.
 João Boano e Marcos Africano, promotor de evento e músico, respectivamente, ressaltam a ausência de espaços, a começar por uma casa e de verbas. “A cultura de patrocínio desapareceu e na luta individual para atingir os objectivos, vários talentos sucumbem”.
Segundo o chefe de secção cultural, Henrique Alberto Chivula, o sector controla 17 grupos de danças, 16 agrupamentos musicais, 11 promotores de eventos, quatro artistas plásticos, igual número de grupos de teatro e 40 artesãos. 

 Danças 

Pela sua vulgarização no seio das comunidades o estilo tradicional txianda,  encabeça a lista, seguido pelo kafundeji e mitingi. A fraca divulgação coloca o makopo e a kalukuta em vias de extinção, enquanto o xombe ressuscita em circunstâncias de casamento, designado na língua tchokwe  por nandunge.
 Sobre a matéria o director  provincial, João Abreu Manassa,  nota que o estilo kafundeji é tipicamente feminino, rico em movimentos eróticos praticados mediante treinamento exaustivo. O seu domínio, na transição para a adolescência, pressupõe orientação acompanhada por tias, ou pessoas idosas com larga experiência, para permitir durante o casamento desempenho sexual que satisfaça o esposo.
 Exige domínio, concentração e flexibilidade da cintura. No passado a etapa de aprendizagem implicava a realização de movimentos, deitada de barriga para baixo, ou de gatas. A iniciada tinha, entre outros pressupostos, a obrigação de suster no dorso, uma, ou várias sementes de feijão, como prova de rigor prático, para um bom desempenho junto do marido.
 Kafundeji  significa também ritual para iniciação feminina, equiparada a mukanda (circuncisão), instituída tipicamente  para os homens na etapa da adolescência, a fim de adquirirem bases para a sua inserção social efectiva.
Os rituais instituídos marcam uma etapa de preparação de indivíduos, para enfrentarem os problemas da sociedade e contribuírem na sua resolução. Concluída esta etapa de treinamento “o homem ou mulher está totalmente preparado para os desafios da vida”.
Abreu Manassa reconhece que a evolução das sociedades introduziu elementos novos nas regras que norteavam a realização de matrimónios no sistema tradicional. “Havia regras que antecediam a ligação de um homem à mulher desejada “para poder gerar filhos e engrandecer a sociedade”.
Nota que entre os cokwe o casamento era simples, apesar de “existirem valores do passado dignos de incorporação nos padrões do casamento moderno”.

Monumentos e sítios  

Por despacho número 41, de 8 de Junho de 1992, oito dos 39 monumentos e sítios da província da Lunda-Sul estão classificados.
O cemitério municipal, a antiga sede do governo, residência protocolar o edifício dos CTT, a antiga delegação da Companhia de Diamantes, respectivas residências e a Igreja Católica da Missão de N. Sra de Lourdes despontam na lista. Em prol da sua conservação, o governo intervém com obras de reabilitação, sobretudo em edifícios religiosos e funerários. O trabalho das autoridades culmina com apelos a população e líderes de comunidades religiosas e tradicionais para ajudarem o sector da Cultura a identificar outras estruturas do género. 

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