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"As mulheres devem saber aproveitar as oportunidades"

Francisco Curihingana|

Rosa André Lourenço é a actual administradora municipal de Malanje. Formada em administração e autarquias locais em Portugal, a responsável considera que o género vem da génesis.

Administradora municipal de Malanje
Fotografia: Dombele Bernardo

Rosa André Lourenço é a actual administradora municipal de Malanje. Formada em administração e autarquias locais em Portugal, a responsável considera que o género vem da génesis.
“Quando se fala do género, está a falar-se de todo o ser humano, que eu até posso caracterizar: ser humano do sexo masculino e ser humano do sexo feminino”, disse.
A administradora de Malanje referiu que a questão do género é consequência da grande diferenciação que existe entre o homem e a mulher. 
“Foi de acordo com aquilo que nós aprendemos, que existiam acções especificamente só para homens e havia outras tarefas que eram especificamente para mulheres. Sabemos que pela educação que nós tivemos, e acredito que 70 por cento da sociedade angolana tem origem cristã da Igreja Católica, nós não tínhamos igualdade de direitos mesmo no seio da família”, frisou.
Para Rosa André Lourenço a partir do lar, “não havia igualdade de direitos”. “Digo isso por experiência própria. Os nossos antepassados davam mais formação aos filhos “rapazes” em relação às meninas. As meninas eram relegadas para tarefas meramente domésticas, nomeadamente ajudar as mães, ir à cozinha, lavar a roupa e no meio rural ir à lavra, tratar da fuba. Isso fez com que sobressaísse mais o género masculino”, considerou.
A interlocutora do Jornal de Angola indicou que fruto das mutações que o mundo conhece hoje, algumas coisas se foram desmistificando e a realidade, hoje, é totalmente diferente, notando-se agora maior afluência de raparigas nas escolas e instituições. “Hoje, vimos que 60 porcento dos estudantes que afluem às universidades são do sexo feminino, razão pela qual até o próprio homem está a respeitar a mulher”, disse. A nossa interlocutora apelou às outras mulheres no sentido de saberem aproveitar as oportunidades e “mostrarem ao mundo que as mulheres não servem só para a cozinha, lavar a roupa ou estar em casa. Podemos fazer muito mais”, disse.
Sustentou que as mulheres têm muita capacidade para progressão e, fruto disso, comparou a actividade da mulher zungueira.
Para a nossa interlocutora, até 10 ou 15 anos atrás, a actividade era praticada só por homens: “só víamos miúdos e homens a zungarem pelas ruas, sobretudo em Luanda”.
“Eram jovens que circulavam nas vias e por detrás das viaturas a venderem artigos de conveniência. Agora, se formos a fazer uma avaliação a nível do país, as mulheres acabaram por ter o protagonismo da acção e acredito que neste momento já estão a lutar para legalizar essa actividade em concreto”, frisou. Para a administradora municipal de Malanje, tudo isso demonstra a luta das mulheres no sentido de ocupar cada vez mais lugares de destaque na sociedade, algo conquistado por mérito próprio, como considerou.

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