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Ausência de serrações desmotiva carpinteiros

Flávia Mussua

A falta de serrações ofusca a criatividade de carpinteiros e estimula os clientes a optarem por produtos importados em detrimento dos nacionais, disseram ontem, em Saurimo, os proprietários das marcenarias Tângua e Somoneza.

Fotografia: DR


Salvador João e Ernesto Choi, os únicos empresários licenciados para este tipo de actividade em Saurimo, acusam os comerciantes chineses que detêm o monopólio, que “inviabiliza os nossos negócios”. Ernesto Choy diz que acompanha o desmoronar do negócio herdado do seu pai em 1961, mas mantém a esperança em dias melhores.
Os empresários adquirem a matéria prima nos mercados informais, onde uma tábua, com três metros de comprimento e 30 centímetros de largura, custa 3.000 kwanzas. Apesar disso, têm que aguardar por encomendas, cuja média mensal é de dez solicitações.
Este quadro vivido há cerca de seis anos obrigou o gerente da carpintaria “Tangua” a despedir 13 dos 28 trabalhadores, por dificuldades de pagamento de salários. “A aquisição de equipamentos de trabalho a custos muito elevados é outro problema que enfrentamos, mas a venda em lojas e similares por cidadãos libaneses ajuda-nos a continuar o ofício, hoje pouco valorizado”.
Os empresários defendem celeridade na instalação de pelo menos duas serrações, por iniciativas públicas ou privadas, em Saurimo, região “rica em madeira”.
Estas apostas vão certamente ajudar a catapultar a região no domínio industrial, alavancar a economia nacional e gerar mais emprego para os jovens.
Por encomenda, uma mesa com seis cadeiras custa 75 mil Kwanzas, valor muito aquém do mesmo produto importado, mas com menos tempo de durabilidade. Uma cama de casal, segundo Salvador João, custa 45 mil Kwanzas, com uma garantia de dois anos.

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