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Avança o renascimento da vila do Chiluage

Flávia Massua e Adão Diogo| Chiluage

O roncar do motor acoplado a uma moagem rompe o silêncio na pacata vila do Chiluage, comuna do município de Muconda, na província da Lunda-Sul, onde o amanhecer  arrasta  para o campo a maioria dos 2.500 habitantes que sobrevive da agricultura.

Várias acções estão em curso na região no âmbito do programa integrado de desenvolvimento rural e de combate à pobreza
Fotografia: Jornal de Angola

O roncar do motor acoplado a uma moagem rompe o silêncio na pacata vila do Chiluage, comuna do município de Muconda, na província da Lunda-Sul, onde o amanhecer  arrasta  para o campo a maioria dos 2.500 habitantes que sobrevive da agricultura.
Sobre os ombros dos jovens Garcia Kaxala e José Mutaleno recai a responsabilidade de gerir o engenho que transforma o bombô em fuba, produto base utilizado na dieta alimentar. O funcionamento do engenho que deu oportunidade de emprego aos jovens poupa tempo e esforço às donas de casa.
A  clientela aumenta no período da tarde, o que coincide com o regresso dos camponeses ao bairro. Para moer  um quilo de bombô, o cliente paga 10 kwanzas, mas o atendimento obedece a uma ordem de chegada, excepto em situações de emergência, como  óbitos.
A  aposta inicial do governo na reconstrução da vila culminou com a inauguração, seis anos depois, de uma escola, hospital, sistemas de abastecimento de água e energia eléctrica e duas casas geminadas para os funcionários públicos.
 O passo imediato dotou um complexo administrativo de áreas residenciais que alojam com dignidade o administrador, o seu adjunto e vários visitantes, em missão temporária de serviço. Os serviços implantados substituíram os escombros deixados pela guerra e  resgataram os traços de modernidade. Os habitantes comparticipam dos esforços do governo, apostando  na agricultura para  combater a pobreza.
O clima predominante é quente e húmido. O território possui solos férteis onde os camponeses cultivam mandioca, ginguba, batata-doce e feijão. Os rios proporcionam a prática da pesca e a caça faz parte das actividades dos habitantes.

Obras em curso

A sede de Chiluage tem seis novas salas de aula e duas casas para professores. No presente ano lectivo   estão matriculados 500 alunos, orientados por 18 professores. O professor Tolstoy Macongo lecciona a disciplina de Língua Portuguesa para doze alunos.
A degradação da estrada de terra batida que liga a comuna à sede provincial desencoraja a circulação de viaturas. Os automobilistas que circulam nestas condições suportam encargos elevados com a manutenção das viaturas, que via de regra são de tracção às quatro rodas.
Os 1.500 kwanzas cobrados no trajecto entre Chiluage e Saurimo são excessivos para a qualidade dos meios de transporte e do estado da via rodoviária. Sobre o assunto, o administrador-adjunto de Chiluage, Pedro Txizaneva, revelou a existência de um projecto que aguarda pela subscrição de um contrato com empresas de obras públicas.

Relançamento do comércio

Pedro Txizaneva disse que a reparação da estrada vai permitir o relançamento do comércio, do turismo e de outras actividades económicas. Devido à sua proximidade com a República Democrática do Congo (RDC), as autoridades dos dois países criaram um ponto de travessia e simplificaram os trâmites que facilitam as transacções comerciais a partir de um mercado situado na margem do rio Kassai, quatro vezes por semana. Os angolanos adquirem peixe de água doce, bovinos e galinhas, e vendem sabão, óleo alimentar e outros produtos. Os vistos consulares têm uma validade mínima de 10 dias, para utilização numa área de 100 quilómetros.
A Polícia Nacional realiza patrulhamentos regulares com embarcações motorizadas, numa extensão de 180 quilómetros, ao longo do rio Kassai. A intensidade das chuvas    limita o acesso de viaturas ao posto fronteiriço. Para transpor os últimos 500 metros, o viajante caminha descalço sobre água e lama, esgotada a possibilidade das viaturas vencerem os obstáculos da via, mesmo as de tracção às quatro rodas.

Assistência sanitária
 
As reservas de medicamentos e a disponibilidade de uma ambulância atenuam as preocupações no domínio da assistência sanitária.  A insuficiência de médicos e enfermeiros na vila do Chiluage faz com que a população angolana recorra aos serviços sanitários da República Democrática do Congo.
 O isolamento geográfico é confirmado pela inoperância da pista do campo de aviação, com uma extensão de 1.500 metros, rodeada de      capim alto. Dos destroços  de uma aeronave de médio porte parcialmente escondidos no matagal  desponta parte de uma turbina.

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