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Cacolo terá em breve um pólo universitário

Kamuanga Júlia | Cacolo

A sede municipal de Cacolo, cerca de 140 quilómetros da cidade de Saurimo, na Lunda-Sul, vai contar em breve com um pólo universitário e um Instituto Médio Politécnico, para facilitar o ingresso de estudantes ao ensino médio e superior, diversificar as opções de cursos e reforçar a  formação de quadros.

Objectivo é evitar que alunos deixem o município para prosseguir os estudos em outras regiões
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro| Lunda-Sul

O anúncio foi feito pelo governador provincial da Lunda-Sul, durante a sua apresentação à população.
 Daniel Félix Neto ressaltou que os projectos vão dar suporte ao sector da Educação, no que toca à melhoria da qualidade de ensino e dignidade dos cidadãos que residem no município, dos quais se espera colaboração, com ideias e acções, para o combate à fome e à pobreza.
O governador expressou solidariedade com a população que gere o dilema da falta de água potável, défice no fornecimento de energia eléctrica, assistência médica e de oportunidades de emprego, especialmente para os jovens.
Daniel Félix Neto prometeu realizar periodicamente encontros com a classe empresarial, a fim de atrair investidores, exortando à vigilância de todos para a denúncia de estrangeiros ilegais e de cidadãos que praticam o garimpo de diamantes.
O governador da província da Lunda-Sul encorajou as mulheres no sentido de apostarem nos estudos e prometeu apoio às associações femininas, a fim de concretizar os seus projectos.
Na mensagem de boas vindas, o administrador do município de Cacolo, Nelson Wilson, disse que a população espera pela reabilitação urgente das vias que ligam a sede às comunas de Xassengue, Cucumbi e Alto-Chicapa, aumento de professores, de médicos e de postos de saúde.
Cacolo tem 2.240 habitantes, na sua maioria camponeses, que, por dificuldades no escoamento dos bens do campo, por falta de transporte, registam, todos os anos, prejuízos avultados. Zona com elevado potencial em diamantes, regista a presença de centenas de estrangeiros, na sua maioria em situação migratória ilegal. O município conta com 93 salas de aula, distribuídas em 17 escolas, do primeiro e segundo ciclos.

Passagem por Cucumbi
A jornada de campo do governador da Lunda-Sul terminou na sede comunal de Cucumbi, 40 quilómetros da vila de Cacolo, onde a população se dedica essencialmente ao cultivo de mandioca, batata-doce, milho e hortícolas.
         A única loja existente está fechada há mais de dois anos. Para obterem os bens de primeira necessidade, os habitantes buscam alternativas para chegarem à sede municipal de Cacolo.        Na condição de Jesus Mário, 18 anos,  que perdeu o ano lectivo, por falta de recursos para comprar a bata e cumprir com outras exigências, estão outros jovens, que “preferem não fazer qualquer pronunciamento”.
A presença do governador na vila alimenta expectativas de mudança do quadro na comuna, onde o “sentimento de abandono” desponta nas lamentações quotidianas.
Félix Neto visitou uma escola do ensino primário, distribuiu bens alimentares, imputes agrícolas e mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração.
O centro de saúde funciona com quatro enfermeiros, para uma procura diária de cerca de dez pacientes. Em conversa com o gestor da unidade sanitária, Gabriel Sapalo, soube-se que a  malária, infecções respiratórias e urinárias são as doenças mais frequentes.
Um reservatório, com capacidade para 20 mil litros cúbicos, foi reabilitado e aguarda pela instalação de um sistema fotovoltaico, para garantir o abastecimento de água potável.
O director provincial do Gabinete de Energia e Águas, Agostinho Piedade, que integrou a comitiva governamental, explicou que há previsões de instalar-se em Cacolo um sistema com capacidade para gerar um megawatt de energia, bem como a montagem de uma central diesel, para intervir no processo de captação, transporte, enchimento e distribuição de água.
A progressão de uma ravina, que cortou parte do asfalto no troço Cucumbi/Cacolo, justificou uma paragem da comitiva do governo, para constatar o  nível de destruição causado pelas chuvas.
     

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