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Camponeses aplaudem acções em curso

Kamuanga Júlia e João Salvo| Ngambo

A vida dos 1.900 habitantes de Ngambo está a mudar. A população da localidade, situada a 42 quilómetros da cidade de Saurimo, Lunda-Sul, testemunha com satisfação as mudanças introduzidas com a construção de novos equipamentos.

A vida na Regedoria do Ngambo está a mudar para melhor e a população acompanha com satisfação as acções socias em curso na região
Fotografia: joão salvo|ngambo

A par do sistema de abastecimento de água, a conclusão de casas e o início das obras numa escola e posto médico são entendidos como avanços importantes para o renascimento da terra. Os camponeses Helena Kaji e Tambwe Pedro, que vivem há dez anos na regedoria, acompanham, atentos, o desenvolvimento embrionário da localidade. Mas, as dificuldades na aquisição de sementes para cultivo levam-nos a pedir ao Governo Provincial um esforço, para que possam garantir a sua auto-suficiência alimentar.
O regedor Alberto Muzanga Tximuanga explica que a agricultura de subsistência, caça e pesca, são as principais actividades na sua regedoria e expressa reconhecimento pela reabilitação efectiva de pontes e estradas, mas alerta que a degradação das vias terciárias que partem para o Sombo e Chiluage integram a lista de preocupações.
Em Ngambo, os habitantes recebem água a partir de um reservatório com capacidade para cinco mil litros, instalado no bairro e abastecido por um sistema hidráulico instalado num rio situado a um quilómetro. No entanto, a conservação da estrutura de betão, erguida no tempo colonial, levanta receios aos consumidores em relação à qualidade da mesma.

Recursos de um ferreiro

Em Ngambo, deitar mãos ao trabalho nem sempre é difícil. Com imaginação e empenho, há quem encontre formas de sustento originais. Francisco Muanguvo, 53 anos,  sentado num banco debaixo do jango, prepara os instrumentos que diariamente utiliza para fabricar caçadeiras, facas, machados e enxadas, a pedido dos habitantes e pessoas idas de outras localidades da Lunda-Sul, que chegam à sua terra natal, onde vive com a mulher e sete filhos.
O gosto pelo trabalho que realiza há mais de 15 anos, justifica a “teimosia do ancião”, auxiliado por outros membros da família, em especial o seu irmão menor Alex Kavula. O alicate, martelo e a forja são fundamentais para realizar o seu trabalho duro, tendo como matéria-prima molas extraídas de viaturas sem recuperação e abandonadas. A força dos braços e a perícia adquirida ao longo de década e meio de trabalho substituem a eficiência de uma máquina para o corte, soldadura e apertos, habitualmente instalados em oficinas e outras casas de artes e ofícios.
A procura do produto que fabrica, incentiva-o a trabalhar para honrar os compromissos assumidos. No fim da jornada diária, o ferreiro prepara em média cinco unidades de cada instrumento. Pela enxada cobra 1.200 kwanzas e por uma caçadeira cinco mil. Os lucros resultantes das vendas ajudam a cobrir os encargos do lar.

Mulher Rural

O papel da mulher no campo foi enaltecido durante o acto alusivo ao Dia Mundial da Mulher Rural, assinalado no passado dia 15 e presidido pela directora provincial interina da Família e Promoção da Mulher, Josefa Txipengue.O trabalho que presta através do cultivo da terra e actividades domésticas para sustentar e estabilizar o lar representam um contributo importante para combater a pobreza.
As centenas de participantes incentivaram a continuidade do trabalho e da aprendizagem, e reconheceram as dificuldades que travam na sua marcha, num meio onde o costume, independentemente do impacto que cria, funciona como lei, mantendo a diferença gritante de obrigações entre homem e mulher.
A mensagem da comunidade, lida pelo secretário adjunto do regedor, Júlio Lutongo, acentua a necessidade do Governo Provincial instalar um posto de registo civil, planificação e distribuição de mosquiteiros e de instrumentos de trabalho às parteiras tradicionais.

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