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Cidade diamante resgata brilho da Região Leste

Adão Diogo * |Saurimo

Saurimo assinala hoje 54 anos de existência, num cenário de pompa e circunstância, desde que a 28 de Maio de 1956 ascendeu à categoria de cidade.

Bombas de combustível do Muatxissengue
Fotografia: Adão Diogo|Saurimo

Saurimo assinala hoje 54 anos de existência, num cenário de pompa e circunstância, desde que a 28 de Maio de 1956 ascendeu à categoria de cidade. Fundada pelo general Henrique de Carvalho, a urbe registou ao longo da sua existência passos tímidos na senda do desenvolvimento. 
As infra-estruturas erguidas por iniciativa do comerciante Augusto Carneiro, foram o foco de luz na sua urbanização. Mas o desenvolvimento urbano da cidade estagnou pós a independência nacional. Só foi retomado no termo de três décadas de conflito armado. 
Conhecida nos primórdios pelo nome de Henrique de Carvalho, conquistador da região na fase de ocupação e seu fundador, ascendeu à categoria de cidade, pelo Diploma Legislativo nº2757, de 28 de Maio de 1956.
O interesse pela exploração de diamantes por parte do colonizador, após a ocupação, mutilou o desenvolvimento de outras áreas para evitar a dispersão de mão-de-obra e circunscreveu o desenvolvimento urbano à edificação limitada de residências, edifícios altos e ruas, impulsionado pelo comerciante Augusto Carneiro, num esforço de criar condições confortáveis de habitabilidade.
O cenário de limpeza, ordem e modernidade, trazidas pela construção/reconstrução de infra-estruturas, com destaque para escolas, hospitais, sistemas de saneamento básico, energia eléctrica, água, asfaltagem de ruas, jardins e espaços públicos, contrasta, em profundidade, com a imagem de envelhecimento e abandono forçados pelo isolamento durante a guerra. 
Baptizada há dois anos com o nome de “Cidade Diamante”,  Saurimo resgata o orgulho dos habitantes da Região Leste, especialmente dos seus 90 mil habitantes. A cultura urbana desponta no comportamento dos citadinos que contribuem na manutenção da higiene. A recuperação de jardins e espaços de lazer, gerou conforto que atraiu a permanência de muitos jovens e outras camadas da população. 
As valas de condução de águas pluviais reduziram o perigo de desabamentos nas periferias e as enxurradas nas ruas da cidade, enquanto o fornecimento permanente de energia eléctrica produzida na barragem Hidro Chicapa, aliviou o uso de geradores a partir da central térmica, incentivou a circulação e permanência em locais de lazer, anulando interrupções de aulas no período nocturno.
Aos 54 anos, Saurimo amadurece. Os habitantes trocaram o garimpo pela agricultura, numa etapa em que a luta pela erradicação de fome e pobreza mobiliza toda a população, enquanto o governo provincial e o Executivo ensaiam acções para anular as assimetrias reinantes entre o campo e a cidade.

Avanços em tempo de paz

Segundo o regedor Domingos Li­angue Saulimbo, nome do qual resultou Saurimo, em sua memória, o actual palácio onde funciona o governo da província, o conhecido Hotel Central, os edifícios da Agricultura e do Instituto de Reintegração Sócio Profissional de Ex-militares (IRSEM), integram o punhado das primeiras infra-estruturas erguidas pelos colonizadores, nos anos imediatos à ocupação da região.
O ancião, de 84 anos, expressou larga satisfação pelos avanços que nota mas apontou fragilidades no resgate dos valores morais e cívicos. Ressaltou o facto dos jovens ignorarem normas e preceitos que exigem o respeito pelos mais velhos. Considera importante as pessoas manterem uma consciência sã, despida de violência, tabus e crença no feitiço.
Desde 2002, Saurimo ganhou 622 novas salas de aulas, desde o primeiro nível ao ensino superior . No domínio da saúde a cidade conta com um Hospital Central, apoiado por quatro postos de saúde, igual número de creches, um parque infantil, e aguarda no segundo semestre deste ano pelo arranque de uma nova estação de captação e tratamento de água, em conclusão no rio Chicapa, que vai suprir o velho problema de abastecimentos faseados, gerado pela incapacidade da actual central situada noo rio Luavur .
Saurimo marcha para o progresso, com a ajuda de todos os habitantes. O nível de limpeza aumentou com a recolha regular 160 toneladas de lixo, a cargo da empresa Ponto Verde, que o deposita para tratamento posterior num aterro sanitário construído a 15 quilómetros da cidade.
Os jardins públicos têm bancos, repuxos de água e iluminação nocturna de belo efeito. A compreensão e amor evidentes no comportamento dos habitantes valoriza os esforços das autoridades locais na conquista da dignidade.

A voz dos munícipes

Munícipes da cidade de Saurimo enaltecem o empenho do governo na reconstrução da província.
 O director provincial do Instituto Médio Politécnico de Saurimo, Isaías Sacajima, considera que o surgimento de infra-estruturas como escolas, e postos de saúde, provam o empenho do governo na melhoria das condições de vida das populações.
O funcionário público José Rufino compara a actual imagem da cidade com o passado: “Muita coisa mudou em Saurimo, desde o aumento de salas aulas, asfaltagem de ruas e embelezamento de vários espaços públicos de lazer”.
 Henrique Mário, outro habitante da cidade, nota “avanços onde havia limitações em várias vertentes, superadas por construções em todas as esferas. A rede eléctrica melhorou tal como o abastecimento de energia, que abrange parte dos bairros periféricos”.        

Jornada festiva

Iniciadas no passado dia 20 de Maio, as comemorações incluem campanhas de limpeza e embelezamento, doações, palestras, feiras, actividades desportivas e culturais. O programa reserva para hoje as inaugurações de um complexo hoteleiro, de balcões do BPC e do Banco Totta Angola e entrega de habitações aos jovens seleccionados, no Bairro da Juventude.
 O pano das festas cai mais logo com a realização de um comício popular no Largo Primeiro de Maio, actividades de lazer e um jantar de gala ao início da noite, na sala do Cine Chicapa, no centro da cidade.

 *Com Flávia Massua e João Salvo

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