Províncias

Estrada nova mudou a vida dos habitantes da vila

Adão Diogo* | Muriége

Muriége, comuna do município de Muconda, na província da Lunda-Sul,  tem um nome que resulta da expressão cokwe “Yenwe nuli eji”, que em  português significa “vós sois gatunos”.

Brigadas procedendo à pavimentação de uma ponte erguida na via Saurimo-Muriége
Fotografia: Flávia Massua

Muriége, comuna do município de Muconda, na província da Lunda-Sul,  tem um nome que resulta da expressão cokwe “Yenwe nuli eji”, que em  português significa “vós sois gatunos” e representa o desabafo do soba Fufu Tchiumbwe, inconformado com  a presença de um grupo de colonizadores no primeiro contacto  na localidade.
Desconhecendo a língua dos habitantes os “intrusos” registaram “Muriége,” em lugar de “nu lieje”(sois gatunos), como resposta da autoridade local,  à pergunta, sobre o nome da localidade.
A interpretação incorrecta alterou em definitivo o nome da antiga povoação de Tchiumbwe, hoje conhecida por Muriége. Situada a 100 quilómetros de Saurimo, ocupa uma superfície de  oito mil quilómetros quadrados e tem cinco mil habitantes, na sua maioria  dependentes de uma agricultura de subsistência, onde a mandioca constitui a cultura de eleição, numa lista que inclui a batata-doce, arroz, milho e ginguba. A pesca e a caça completam as actividades desenvolvidas pela população.
Viajar por estrada de Saurimo à vila de Muriége é fácil. Há um ano que a via está asfaltada e com faixas sinalizadas. São 100 quilómetros entre a capital da Lunda-Sul e Muriége. As obras englobaram a construção de cinco pontes, quatro das quais estão praticamente concluídas.

Trânsito fluído

A fluidez do trânsito, a segurança e conforto incentivam à circulação de viaturas de todos os tipos, incluindo  transportes públicos.
A nossa equipa de reportagem percorreu 105 quilómetros em 80 minutos, o que mostra o bom estado da via. Encontrámos no percurso brigadas procedendo à pavimentação das pontes erguidas e operadores conduzindo máquinas para marcação das faixas de rodagem. A quatro quilómetros da vila de Muriége o viajante encontra um grande estaleiro com pedreiras, processadores de betume, máquinas, oficinas e centenas de toneladas de inertes a uma centena de metros do rio Tchiumbwe que tem um caudal de águas limpas.
A rua principal de Muriége está asfaltada e tem lancis nos passeios. Entre as novas estruturas da vila, destaque para as casas geminadas para quadros, um centro de saúde, uma escola do ensino de base e cinco chafarizes alimentados por um tanque reservatório, suspenso, de 50 mil litros. Algumas casas particulares de Muriége estão em obras e os habitantes já têm ao seu dispor   lojas e cantinas.
Segundo o administrador adjunto Félix Kapeló,  a vila, que dá acesso às zonas fronteiriças do Chiluage, Kassai-Sul e Lwau, até há pouco contava apenas com um posto administrativo e um centro de saúde.
A reconstrução de Muriége começou há seis anos e atraiu o regresso da população dispersa durante os anos de insegurança. Actualmente,  a comuna conta com dez escolas do ensino de base, frequentadas por 3.700 alunos e 33 professores. Um centro de saúde, gerador de energia com capacidade de 60 KVA e uma residência distribuída aos responsáveis da  saúde e educação completam as últimas obras na vila.
Uma oficina móvel cedida pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional assegura formação técnica e profissional a 50 formandos, distribuídos nos cursos de alvenaria, corte e costura, carpintaria e agricultura.
 
Novas escolas
 
Mwambeno Txinhema tem dez anos e observa com atenção os dois lados da estrada antes de iniciar a  travessia. A estudante da segunda classe, bata branca, ajuda a mãe em casa nos trabalhos domésticos. A construção de uma escola equipada com tudo o que é necessário fez esquecer os velhos tempos em que assistia às aulas “sentada numa lata debaixo de árvores”.
Surpreendida no limitado quintal da casa da sogra, Quinta Sandra dava banho ao filho, Adão Hitxica. Está em Muriége de visita ao marido que trabalha nas obras.  Está na vila há dois meses para  “desencorajar tentativas de atrevimentodas moças daqui”.
                                     
*Flávia Massua              

Tempo

Multimédia