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Falta de condições de trabalho na origem da fuga dos quadros

João Salvo | Saurimo

A falta de condições para trabalhar nas comunidades rurais da Lunda Sul, com destaque para a ausência de casas e meios de transporte, é a principal causa que leva os quadros a abandonarem as referidas localidades, concluíram terça-feira, em Saurimo, as autoridades governamentais, administrativas e tradicionais.

Governadora manteve encontro com responsáveis administrativos e sobas para identificar as causas da fuga de quadros nas zonas rurais
Fotografia: João Salvo

No encontro, presidido pela governadora provincial da Lunda Sul, Cândida Narciso, ficou claro que os professores, técnicos de saúde e outros funcionários do Estado, que vivem fora das comunidades, têm enfrentado várias dificuldades, sendo que muitas são originadas pela distância que separa os locais de residência e os seus postos de trabalho.
No que toca à fuga dos quadros locais, os participantes ao encontro chegaram a conclusão que a situação tem a ver com a falta de outros incentivos, como a promoção de categorias e a melhoria das condições de trabalho.
Em função da problemática, a governadora Cândida Narciso considerou a fuga de quadros registada nas comunidades rurais como um dos grandes problemas que as autoridades devem resolver, nos últimos.
No encontro com os administradores municipais e autoridades tradicionais, Cândida Narciso explicou que o governo vai continuar a envidar esforços para encontrar os melhores mecanismos que visam combater a fuga de ­quadros das zonas rurais. A governadora provincial disse que encontros do género vão ser constantes, uma vez que "há a necessidade de interacção entre o Governo e as autoridades tradicionais", por serem estes últimos os que lidam directamente com a população.
“Vamos prosseguir com os encontros com os sobas e regedores em outras ocasiões, pois, é sempre uma oportunidade para, em conjunto, analisarmos os problemas da nossa população”, disse a governadora provincial. Cândida Narciso avançou igualmente que a realização do referido encontro resulta  de um ­reconhecimento do Estado angolano, estabelecido na Constituição, no seu artigo 223.º sobre o poder   atribuído às autoridades tradicionais.
Em função da lei, a governadora provincial apelou os sobas e regedores para exercerem o seu verdadeiro papel de representantes do povo junto do governo, promovendo uma convivência pacífica no seio das comunidades.
Cândida Narciso aproveitou a ocasião para reprovar a atitude de alguns sobas que escorraçam outros cidadãos das circunscrições em sua tutela, por causa das terras. “A terra é um bem de todos os ­cidadãos nacionais e devemos estar unidos para contribuirmos no desenvolvimento das comunidades e da província.”
Os sobas e regedores enalteceram a realização deste encontro e defendem a sua continuidade periódica e troca de experiencias entre as comunidades, visando o seu contributo na organização da acções que concorrem para o seu progresso.
As autoridades tradicionais defenderam  a necessidade de o Governo continuar a aproximar os serviços sociais básicos junto da população e da implementação dos serviços de registo civil nas comunidades.

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