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Falta de professores deixa alunos fora do sistema

Yara Simão |Saurimo

A falta de professores está a preocupar o sector da Educação na província da Lunda-Sul que conta apenas com 1.558 docentes.

Ângulo exterior do Instituto Médio Politécnico da Lunda-Sul que lecciona vários cursos técnicos e tem muita aderência
Fotografia: Dombele Bernardo

A falta de professores está a preocupar o sector da Educação na província da Lunda-Sul que conta apenas com 1.558 docentes.
Devido ao insuficiente número de professores, apenas 116 mil alunos, em todo o subsistema de ensino, com maior incidência para o primário, com 100.077 alunos, estão a frequentar aulas.
O director provincial da Educação, António Muvundeno, informou que este ano o sector conseguiu enquadrar 540 professores para minorar a carência, mas a previsão é de 900 professores em falta, dos quais 425 no ensino primário, para o qual foram admitidos 300.
“Estamos a fazer um novo levantamento para que no próximo ano possamos admitir mais professores com perfil e diminuir o défice de docentes na nossa província”, disse o director provincial da Educação.
Outra dificuldade por ele apresentada é a de os próprios professores se recusarem a leccionar no interior das comunas. “Todos alegam que têm compromissos na sede, outros aceitam e só permanecem no posto de trabalho durante um mês e depois desistem.
Alegam sempre falta de condições como subterfúgio. Mas o governo provincial está a criar todas as condições de habitabilidade, o que já se verifica em algumas comunas”, referiu.  A nível da província, o sector conta ao todo com 197 escolas, com 635 salas de aula no total, embora estejam a ser construídas mais 68. “Estamos seguros que vamos ter, num curto espaço de tempo, turmas com o número de alunos recomendado pedagogicamente”.
Nas comunas organizadas, o sistema de ensino primário, apesar da falta de professores, continua a funcionar. “Esta é uma das grandes dificuldades que temos.
Isso faz com tenhamos turmas a albergar 80 e 90 alunos, o que já viola as normas da reforma educativa que estipula um máximo de 35”.
Na província as escolas estão a ser ampliadas. Aquelas que tinham três salas, hoje dispõem de seis, e estão também em construção ou
Apesar da pouca adesão da comunidade tchokwe, principalmente por parte dos homens, a Direcção Provincial da Educação implementou o projecto de alfabetização e recuperação do atraso escolar.
O director disse que apesar da pouca adesão por parte dos homens, “as mulheres aderem em massa. Até aqui já conseguimos matricular sete mil alunos, dos quais quatro mil são mulheres. Contamos com o apoio dos nossos parceiros sociais”.
Sobre o ensino especial disse que ele existe na Lunda-Sul, na cidade de Saurimo. “Gostaríamos de ter escolas especiais em todos os municípios, mas por falta de professores especializados não conseguimos expandir as escolas para outras áreas”.
E, no entanto, ainda existem, a nível dos quatro municípios, várias crianças com necessidades especial. “A direcção da educação, em parceria com o Instituto Nacional da Criança (INAC), está a realizar um levantamento estatístico para que possamos saber o número real de crianças com necessidades especiais e tomarmos as devidas providencias, junto das instâncias superiores”, rematou.

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