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Geografia favorece vocação turística

Kamuanga Júlia e João Salvo| Muriege

Limpa e arrumada, a vila de Muriege, sede da comuna com o mesmo nome, ocupa um posicio­namento geográfico privilegiado por ser ponto de passagem obrigatório em direcção à sede de Chiluage, vila de Muconda, ­Kas­sai-Sul e Luau.

Vista parcial da sede da vila de Muriege onde estão em execução diversos projectos de impacto social para melhorar a qualidade de vida
Fotografia: Victória Quintas | Muriege

Os rios que cruzam a estrada internacional que parte de Saurimo até ao Luau, configuram, em vários pontos, de paisagens que incentivam à prática do turismo. A existência de alguns edifícios no antigo espaço que serviu de estaleiros para a empreiteira Mota Engil, junto ao Rio Luachi, é disso exemplo. Mas a infestação de capim no recinto, reflecte a falta de interesse por parte dos investidores.
É sobre este aspecto que o administrador adjunto, Julião Txinhama, reiterou o apelo aos empresários, para impulsionarem o desenvolvimento socioeconómico da comuna e da província.
Comerciante há décadas, Luís Baeta Martins vive no Muriege há mais de 50 anos. Testemunhou as etapas de nascimento da vila, que sofreu profundamente os efeitos da guerra. Para ele, a reconstrução faseada que desponta na vila vinca o compromisso do Governo Provincial da Lunda-Sul com o seu povo, cuja colaboração deve “traduzir-se na manutenção e conservação de tudo o que foi edificado”.
A recuperação de uma dezena de infra-estruturas no início da reconstrução dignificou, entre outros serviços, o ensino, a assistência sanitária e o abastecimento de água potável aos mais de cinco mil habitantes que, na sua maioria, sobrevivem do cultivo da terra. O administrador adjunto da circunscrição reconhece que os esforços do Governo Provincial incentivaram o regresso e reunificação das aldeias. Com a confiança no futuro, os habitantes apostam na produção diversificada de produtos e preservação dos bens públicos.
As 14 salas de aula erguidas permitem aos mais de dois mil alunos estudarem em condições de conforto e 56 professores asseguram as aulas. A presença de uma esquadra policial garante a ordem e tranquilidade, enquanto a prestação do centro médico e três postos de saúde servidos por sete enfermeiros esmorecem a confiança no trabalho prestado por quimbandas e adivinhos.
As potencialidades em solos aráveis e abundância de rios favorecem o cultivo e colheita da mandioca, batata-doce, ginguba, milho, feijão e de arroz, em pequena escala. A caça e pesca e a exploração de madeira no sistema artesanal integram a lista de actividades tradicionais que concorrem, de longe, com a agricultura.
A lamentar, assinala-se o facto de há um mês os habitantes dormirem às escuras por avaria de um grupo gerador que garantia a iluminação. Esta situação paralisou também o sistema de bombeamento e consequente abastecimento de água aos habitantes da região.

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