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Kawazanga é exemplo de urbanização em Saurimo

Adão Diogo | Saurimo

Um novo bairro, denominado Kawazanga, está ser erguido nas imediações do aeroporto Deolinda Rodrigues, em Saurimo, capital da Lunda-Sul, no âmbito do programa de auto-construção dirigida, desenvolvido pelo Governo Provincial.

Número de casas no novo bairro vai-se multiplicando a cada dia que passa e os moradores tomaram a iniciativa de plantar árvores nas ruas
Fotografia: Jornal de Angola

As autoridades da Lunda-Sul construíram no local uma escola do ensino primário e um posto da Polícia Nacional.
O novo bairro, que tem já concluídas e ocupadas centenas de casas, possui ainda lojas, cantinas, uma creche, uma pensão e um colégio, todos de iniciativa privada.
A presença de materiais de construção e de trabalhadores ocupados na edificação de novas residências chama a atenção de quem passa pela conhecida estrada do aeroporto de Saurimo, capiatl da Lunda-Sul.
A adesão ao projecto, que apresenta ruas amplas e possui espaços para futuros jardins e outras zonas de laser, pode ser conferida pela existência de vários terrenos vedados, em que se nota a presença de materiais para início de obras.

Primeiro residente

Gildo Massua, funcionário público, foi o primeiro a residir no novo bairro, há seis anos, a escassos metros da via do aeroporto. Ele testemunhou a chegada dos vizinhos e as mudanças paulatinas que transformaram o local antes desabitado em área residencial.A iniciativa de construir naquela área foi antes censurada repetidas vezes por amigos e transeuntes, face ao isolamento do bairro na altura, mas Gildo Massua diz que nunca teve receio.
Hoje, num ambiente confortável criado à custa de sacrifício, o morador é a pessoa indicada para fornecer informações sobre o bairro Kawazanga, onde a energia eléctrica da rede pública chega a várias casas e a distribuição da água canalizada carece apenas de ligações no interior do bairro.
O jovem aplaudiu a iniciativa do Governo, que permitiu aos moradores, na sua maioria jovens, investirem na auto-construção dirigida, a fim de realizarem “o sonho da casa própria”. Devido à chuva que cai na região, várias obras e talhões foram ocupados por capim alto e fica-se com a sensação de que os utentes abandonaram os espaços. Ainda assim, Kawazanga reserva surpresas aos transeuntes.
O capim alto nalguns espaços dá lugar a edifícios amplos e modernos e a ruas limpas. Alguns moradores tomaram a iniciativa de plantar árvores de fruto e ornamentais dentro e fora dos quintais.
O movimento de pessoas e veículos cresce a cada dia, o que dissipa receios, sobretudo durante a noite.
Em geral, o ambiente é calmo, como na altura em que visitamos o bairro. Na esquadra local, dois agentes acompanham o movimento dos alunos da escola pública, situada mesmo em frente.
O menor Miguel Mário vive há três anos no bairro com os pais e estuda a 3ª classe no colégio privado Kaneji. Já fez novos amigos e diz que a vida ali é diferente do bairro onde antes residiam.
“Temos energia da rede”, exalta uma adolescente, estudante da 6ª classe no mesmo colégio, onde paga uma mensalidade de cinco mil kwanzas.  A construção de uma creche com capacidade para 150 crianças representa, na visão de Mário Francisco, seu proprietário, é uma forma de colmatar as dificuldades vividas pelos pais trabalhadores.
Há 15 dias da inauguração, o centro infantil já recebeu investimentos de mais de 80 mil dólares.
 O referido centro está preparado para acolher já 70 crianças. Com o arranque da creche, estão garantidos 19 postos de trabalho, entre educadores sociais e vigilantes. Entre outras inovações, o proprietário garante dispor de equipamentos electrónicos de vigilância a serem montados no edifício.
 A instituição, de carácter privado, vai ter ainda serviço da Internet que vai possibilitar aos pais saberem do estado dos seus filhos.

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