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Mais civismo nas comunidades combate a violência doméstica

Flávia Massua/Saurimo

Antónia Kavumbu, 25 anos, vive um drama familiar. Casada há quatro anos, continua à espera de um dia engravidar. Mas essa hora nunca chegou e a felicidade agora é um drama que ela vive diariamente. O marido e seus familiares tratam-na mal. Insultos e piadas maldosas marcam o  quotidiano desta mulher.

Antónia Kavumbu, 25 anos, vive um drama familiar. Casada há quatro anos, continua à espera de um dia engravidar. Mas essa hora nunca chegou e a felicidade agora é um drama que ela vive diariamente. O marido e seus familiares tratam-na mal. Insultos e piadas maldosas marcam o  quotidiano desta mulher.
Da sua família tem chegado indiferença e um silêncio sepulcral. Pais, tios e irmãos  da infeliz abandonaram-na quando falharam os tratamentos tradicionais. Também recorreu aos médicos mas ao fim de dois anos os tratamentos terminaram, sem resultados.
Antónia Kavumbu, logo de manhã, caminha cabisbaixa até ao rio. Parece um cordeiro que segue para o matadouro. A repetição da palavra “mbaka” é a humilhação mínima que sofre em casa e na comunidade. Os vizinhos também a tratam com crueldade.
Antónia Kavumbu desconhece a origem da desgraça que transformou a sua vida num calvário. “Meu marido não dorme em casa e quando lhe cobro é confusão. Diz que estou a  dar cabo dos lençóis e não mereço a comida”, disse, deixando escapar as lágrimas.  A jovem diz que é inocente de tudo o que acontece e pergunta se a dignidade das pessoas depende apenas da capacidade de reprodução.
Para ajudar Antónia Kavumbu e tantas outras mulheres que sofrem a violência doméstica, a JMPLA organizou uma palestra, em Saurimo, onde se fez um apelo à colaboração de psicólogos com os coordenadores dos bairros, para ajudarem na educação das famílias e acelerar o processo de resgate de valores éticos e morais no seio das comunidades.
A palestra está inserida nas comemorações dos 48 anos da fundação da JMPLA.
Jeremias Txifunga, dirigente provincial da JMPLA, defendeu que as apostas na formação académica, profissional e religiosa, são “fundamentais para a inserção social em qualquer país que almeja o desenvolvimento”.
Do leque de actividades que a JPMPLA está a realizar, Jeremias Txifunga destaca campanhas de doação de sangue, participação nas sessões de mobilização contra a sinistralidade e doenças sexualmente transmissíveis. A lista de acções inclui o enquadramento de 3.000 novos militantes, que permitiu à organização passar dos 25.845 militantes, para 28.245.

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